A taxa de inadimplência no comércio varejista local se manteve estável pelo terceiro mês seguido, em 3,2%, ao final de junho. A região seguiu trajetória contrária da média nacional do setor, que seguiu ascendente e fechou o mês em 5,9%. As informações foram fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), com base em dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).
Desde maio, quando caiu de 3,4% para 3,2%, o percentual se mantém estável – e bem abaixo da pontuação registrada exatos 12 meses antes (4,1%). No total, 28 mil pessoas saíram do cadastro do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) no mês anterior e 30 mil entraram. A CDL-Manaus contabiliza, atualmente, 345 mil cadastros em seu estoque, com dívidas de até cinco anos.
“Com a diferença de que o saldo ficou em 2.800 cadastros em julho, acima dos 2.500 do mês anterior. Nossos números estão bem estáveis, mas poderíamos estar em uma situação mais confortável, caso o Estado tivesse adiantado a parcela do 13º para seu funcionalismo”, declarou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayg.
Os casos mais frequentes de inadimplência em nível local, conforme o dirigente, envolvem jovens que ainda não sabem administrar a renda dos primeiros empregos, aposentados que se tornaram arrimo de família em tempos de crise e até pessoas que acabam nessa situação por emprestar seu crédito e seu nome a terceiros.
Segundo o titular da CDL-Manaus, a meta é enxugar o cadastro de inadimplentes a uma taxa próxima de 2,8%. Fatores como a tímida melhora no saldo de empregos e aumento das consultas pré-vendas pelos comerciantes associados têm ajudado a reduzir o percentual de negativação no Estado.
FGTS e PIS/Pasep
E a liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o pagamento de cotas do PIS/Pasep (Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), segundo Assayag, também traz perspectivas positivas para a quitação de dívidas pendentes.
O Banco do Brasil deve liberar recursos do Pasep a partir de 19 de agosto. As cotas de ambos os programas resultam dos créditos depositados pelo empregador entre 1971 e 4 de outubro de 1988. A Caixa Econômica inicia, em setembro, o pagamento de até R$ 500 por conta do FGTS. O calendário se estende até 31 de março de 2020, conforme a data de nascimento dos beneficiados. As informações são da Agência Brasil.
“Qualquer medida que ajude a liberar dinheiro para alavancar a economia é muito bem vinda. Mas, acreditamos que o mais necessário mesmo são medidas que ajudem a criar empregos e dar maior educação financeira para o consumidor”, ponderou.
Amazonas e Brasil
Embora se mantenha acima do número do Amazonas, a taxa de inadimplência do Brasil desacelerou no primeiro semestre – o mais recente disponibilizado pela entidade – e subiu 0,9% na comparação com o final do ano passado, segundo dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil. Em junho a alta foi de 1,7%.Os maiores percentuais vieram do Sudeste (+3,4%), mas a região Norte ficou em segundo lugar (+2,2%).
Para Assayag, o número nacional é impactado principalmente pela má situação de Estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, entre outras unidades que têm dificuldade de pagar seus funcionários e suas demais contas em dia. Outra influência negativa viria de municípios que perderam investimentos da Petrobras, após a crise e a consequente venda de ativos da petroleira de capital misto.
Outro fator que contribui para a diferença de número, mencionado pelo presidente da CDL-Manaus em levantamento anterior, é que muitos consumidores locais viajam e suas dívidas acabam contabilizadas em outras partes do país.
Em texto divulgado no site da CNDL, o presidente da entidade, José Cesar da Costa, disse que 2019 frustrou as expectativas de que haveria uma consolidação no processo de retomada econômica com reflexo positivo no dia a dia dos consumidores. Na análise do dirigente, qualquer melhora mais substancial só virá a partir de 2020.
“Embora os juros estejam menores e a inflação dentro da meta, o desemprego ainda é elevado e acaba reduzindo tanto a capacidade de pagamento das famílias, quanto o apetite as compras. A recuperação está mais lenta do que o esperado e as projeções mostram que teremos um segundo semestre ainda tímido para as finanças do brasileiro, mesmo com o avanço de reformas estruturais, cujos efeitos são sentidos no longo prazo”, arrematou.






