Inadimplência no comércio recua em maio em Manaus e amplia otimismo

Em: 5 de junho de 2019
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A taxa de inadimplência no comércio varejista local diminuiu em maio e o número de consumidores manauenses que reincidiram nas dívidas está abaixo da média nacional. As informações foram fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus).

A média de passou de 3,4% para 3,2%, entre abril e maio, e ficou bem abaixo da pontuação registrada exatos 12 meses antes (3,8%). No total, 26 mil pessoas saíram do cadastro do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) no mês anterior e 30 mil entraram. A CDL-Manaus contabiliza, atualmente, 345 mil cadastros em seu estoque, com dívidas de até cinco anos.

“Do lado dos consumidores, estão ocorrendo mais contratações e maior estabilidade nos empregos, o que facilita a regularidade. Há também o fato de que muitos viajam e suas dívidas acabam contabilizadas em outras praças. E os nossos associados estão fazendo mais consultas antes das vendas”, ponderou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayg.

Diferente do que ocorre na média nacional, a maioria dos devedores locais não foi composta por consumidores reincidentes em atrasos, após três anos de regularidade, em média. Na capital amazonense, a taxa de consumidores que já haviam aparecido no cadastro nos últimos 12 meses não passou de 35%, conforme a CDL-Manaus.

Já a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) informa, com base também no SPC, que 78% dos consumidores com CPF negativado no período estão nessa situação. Dessa fatia, 27% estavam regularizados e outros 52% ainda estavam com uma conta pendente e passaram a acumular mais um atraso.

A região Norte, por sinal, é onde está a minoria dos consumidores com dívidas pendentes, respondendo por 7% do total. No ranking nacional, o Sudeste (42%) desponta em primeiro lugar, seguido pelo Nordeste (25%), Sul (14%) e Centro-Oeste (9%).

Arrimo de família

Em nível nacional, 36% dos devedores possuem idade acima de 50 anos, 23% têm entre 30 e 39 anos e outros 21% estão na faixa de 40 a 49 anos. Embora não detalhe a fatia percentual, Ralph Assayg destaca que a maioria dos consumidores locais com dívidas em atraso tem entre 18 e 25 anos, ou já passou dos 60.

“No caso dos mais jovens, isso ocorre porque eles ainda estão se ajustando com o primeiro emprego. Sem noção de educação financeira, consomem mais do que ganham. Já os mais idosos acabam, em muitos casos, tendo que ser arrimo de famílias onde o desemprego é maior”, explicou.

Segundo o dirigente, a situação dos consumidores com mais de 60 anos só não é pior porque o governo federal limitou a capacidade dos bancos induzirem a clientela ao endividamento, mediante a oferta de produtos financeiros. Notadamente empréstimos consignados para aposentados.

“Os bancos procuravam esse cliente e, ao verificar que o retorno era garantido, ofereciam financiamentos sem limite de margem de endividamento. Até pouco tempo atrás, essa indicação era livre, mas hoje há um limite de 30% para essa finalidade”, detalhou.

Indagado sobre suas expectativas em relação a taxa de inadimplência para os próximos meses, presidente da CDL-Manaus disse que, diante do atual panorama político e econômico do país, ao contrário do que ocorria em tempos remotos, está cada vez mais difícil fazer essa estimativa.

“Não se sabe o que vai acontecer com a economia, se a Reforma da Previdência naufragar. Antes da crise, era possível fazer uma projeção para o ano todo, já a partir de janeiro. Nestes últimos dois anos, não estou conseguindo prever nem os números do próximo mês”, encerrou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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