Inadimplência recua entre jovens

Em: 20 de julho de 2014
Maioria dos endividados são mais velhos, acima de 50 e 54% dos inadimplentes são da classe C
Maioria dos endividados são mais velhos, acima de 50 e 54% dos inadimplentes são da classe C

A fatia de consumidores jovens entre os inadimplentes recuou de 22% para 19% na faixa de até 30 anos de idade no 2º trimestre deste ano. Entre os que têm de 31 a 35 anos, a queda foi de 15% para 12%. Em compensação, entre os que têm 56 anos ou mais o percentual cresceu de 13% para 17%, segundo a pesquisa ‘Perfil do Inadimplente’ do 2º trimestre, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).
O levantamento mostrou crescimento de 65% para 77% da proporção de consumidores que disseram não estar comprometidos com outras dívidas nos próximos meses, além daquelas que causaram restrição. Outros 14% informaram que estão comprometidos por mais de 12 meses com endividamento.
Na análise do diretor de marketing, inovação e sustentabilidade da Boa Vista, Fernando Cosenza, o aumento da pressão sobre o orçamento doméstico devido à alta recente dos juros e à pressão inflacionária apertou o orçamento das famílias de forma diferente sobre as faixas etárias.
“O jovem consegue lidar melhor com essa situação por possuir menos compromissos fixos e um orçamento mais flexível, com mais margem de manobra para reduzir os custos. Um pai de família tem compromissos com manutenção doméstica mais difíceis de serem cortados”, explicou durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira.
A pesquisa da Boa Vista SCPC revelou também que o percentual de consumidores que se consideram em situação financeira melhor do que no ano anterior caiu de 52% para 40%, e que a fatia dos que têm a percepção de piora em sua situação financeira aumentou de 17% para 22%.
A maioria dos entrevistados (36%) afirmou que a soma das dívidas em atraso que causaram restrição está entre R$ 500 e R$ 2 mil, enquanto 32% disseram que têm dívidas de até R$ 500, mesma fatia dos que estão com compromissos acima de R$ 4 mil, de acordo com a pesquisa. E 99% afirmaram estar em condições de quitar suas dívidas.
Quando perguntados sobre o nível de endividamento e o comprometimento da renda das famílias com o pagamento das dívidas, 38% dos consumidores inadimplentes se declararam pouco endividados, 4 pontos percentuais acima do nível do primeiro trimestre, enquanto 36% acreditam estar mais ou menos endividados e 26% se disseram muito endividados.
A maior parte dos entrevistados (42%) trabalha em empresa privada, e entre os que se declaram autônomos, a porcentagem dos inadimplentes cresceu de 19% para 27% na comparação trimestral.
O desemprego continua a ser o principal motivo da incapacidade de pagamento, com 33% das menções, mas teve queda de 3 pontos percentuais na comparação com o 1º trimestre. O descontrole financeiro aparece em seguida, com 22%.
Para Cosenza, os números confirmam um movimento de queda na confiança do consumidor brasileiro com relação a suas finanças pessoais.
“Por enquanto, pode-se dizer que não é pessimismo, já que este sentimento não vem acompanhado de aumento de desemprego ou um salto de inadimplência, mas já antecipa a manutenção dessa cautela nos próximos meses”, afirma o executivo.
Pouco mais da metade dos consumidores inadimplentes (54%) declaram que pertencem a classe C, e outros 39% a classe B. Entre as formas de pagamento utilizadas na compra ou negócio que gerou a inadimplência, um terço dos entrevistados (29%) aponta o cartão de crédito, seguido de carnê e boleto (28%). Outros 16% afirmaram que o meio de pagamento utilizado foi o cheque e 13% o empréstimo pessoal, com destaque para as classes D e E, em que o crédito pessoal saltou de 12% para 23% como meio utilizado. Na classe C, prevalece o cartão de crédito como forma de pagamento utilizada (31%), enquanto na classe B ficaram empatados cartão de crédito e carnê/boleto (27%).
A compra de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos gerou o endividamento para 20% dos entrevistados, seguida pela compra de vestuário e calçados, que cresceu de 15% para 18% na comparação com o período anterior (1º trimestre/14).
O levantamento da Boa Vista SCPC mostrou também que a maioria (66%) não pretende fazer novas compras antes de quitarem as dívidas que geraram a restrição ao nome. Resolvida a situação, 40% disseram que pretendem comprar um veículo quando conseguirem solucionar seu endividamento. Em seguida aparece a compra de imóveis, com 19% das menções.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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