A inadimplência no varejo do Amazonas diminuiu nos últimos meses, mas ainda está elevada. O SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) negativou, em fevereiro, um total de 380 mil registros de consumidores com dívidas atrasadas em um período superior a três meses, o que corresponde a uma taxa de 3,2%.
No auge da crise econômica dos últimos anos, esse percentual chegou a pontuar 4,1%, em janeiro de 2017, quando 470 mil registros foram negativados. O número baixou para 3,7%, há exatos 12 meses, mas subiu novamente para 3,8%, em outubro de 2018.
Parte da queda da taxa de inadimplência dos últimos meses é atribuída aos resultados da 12ª edição da campanha “Limpe seu crédito, faça seu nome brilhar”, realizada pela O CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) e pela FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), entre 1º de outubro a 30 de novembro.
“A campanha teve o apelo de permitir aos clientes nessa situação voltarem a consumir. Fomos bem sucedidos em não desistir de procurar um entendimento com os devedores para limpar o cadastro. Afinal, o amazonense é um bom pagador e preza pela reputação de seu nome”, declarou o presidente da FCDL-AM, Ezra Azury.
Segundo o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, o desempenho se deve principalmente ao aquecimento da economia no quarto trimestre do ano passado, com reflexos positivos nas vendas, contratações e aumento da renda disponível do consumidor para liquidar dívidas. Foi o suficiente para reduzir o cadastro de dívidas pendentes, apesar da festas de fim de ano terem motivado novos registros.
“A maioria dos registros de inadimplência que temos atualmente veio de compras realizadas em dezembro, nas festas de Natal e Reveillon. Como o Carnaval ocorreu apenas em março neste ano, o consumidor teve mais tempo para pagar suas dívidas e menos oportunidade para fazer novas. E ele está ficando mais cuidadoso com as compras”, avaliou.
Perspectivas e empregos
O presidente da FCDL-AM se diz otimista em relação à inadimplência no varejo amazonense nos próximos meses. “Acho que a tendência é que a taxa diminua. O poder aquisitivo das pessoas está aumentando no atual cenário de inflação e juros baixos. E a confiança do consumidor está maior”, afiançou Ezra Azury.
Já o presidente da CDL-Manaus é mais cético em relação ao futuro. “Acredito que, se o cenário econômico permanecer sem sobressaltos, a taxa de inadimplência deve se manter nesse nível. Só vai cair quando o número de empregos aumentar substancialmente”, ponderou Ralph Assayag.
Indagado pelo Jornal do Commercio sobre o saldo negativo de 1.842 postos de trabalho nas empesas amazonenses do setor no primeiro bimestre do ano, em função da diferença entre admissões (5.313) e desligamentos (7.155), o presidente da CDL-Manaus amenizou o cenário desenhado pelos números do Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados).
“Não é nada preocupante. Houve, como todos os anos, um turnover no setor. E, como disse antes, teve o diferencial do Carnaval ocorrer mais tarde neste ano. Teve muita gente que saiu em dezembro e muita gente que só está entrando em março. Mas, as perspectivas são boas, já que estamos tendo a inauguração de 12 lojas neste primeiro trimestre, e devemos ter um número igual no próximo trimestre”, explicou.
Páscoa sem dívidas
Nenhuma das duas lideranças do comércio acredita que a Páscoa tem poder de elevar o percentual de amazonenses mau pagadores neste semestre, a despeito das projeções de aumento de consumo de produtos típicos para a data comemorativa.
O setor contratou 300 pessoas e comprou 35 toneladas de produtos de chocolate neste ano, 9,37% a mais do que em 2018 (32 toneladas). A expectativa é de alta de 4,5% no varejo de artigos ligados à Páscoa. Com a diferença de que os lojistas, desta vez, esperam “desovar” mais produtos em tamanho médio e grande. Em 2018, a preferência do consumidor foi mesmo pelos “ovinhos”.
“Há um crescimento geral de negócios ligados à Páscoa, inclusive fabricantes regionais de ovos de chocolate e bonecos. Creio que o volume de compras não será suficiente para endividar ninguém. E há mais gente empregada e consumindo”, opinou Assayag.
“O varejo tem boas expectativas para os aumentos de vendas na Páscoa, tanto é que comprou mais no atacado, neste ano. Mas, não creio que o aumento de consumo irá implicar em maior inadimplência. O ticket médio de alimento é muito baixo e ninguém compra ovos à prestação”, arrematou Azury.







