Inadimplência volta a subir no Amazonas, aponta dados do SPC Brasil

Em: 11 de março de 2020
Taxa no comércio do Amazonas voltou a subir em fevereiro e encerrou o mês em 3,4%, de acordo com o SPC Brasil
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Taxa no comércio do Amazonas voltou a subir em fevereiro e encerrou o mês em 3,4%, de acordo com o SPC Brasil

Depois de encolher em janeiro (3,2%), e ficar apenas 0,1 ponto percentual abaixo da média dos 12 meses de 2019, a taxa de inadimplência do Amazonas voltou a subir em fevereiro e encerrou o mês em 3,4%. Embora tenha frustrado as expectativas dos comerciantes, o número foi inferior ao registrado exatos 12 meses antes (4,2%). As informações foram fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), com base nos dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).

Ao longo do mês, 53.389 cadastros entraram para a lista vermelha e 51.100 conseguiram sair, deixando um saldo de 1.789 negativados no mês passado. Com isso, o estoque de cadastros de consumidores amazonenses com dívidas pendentes e contabilizadas nos últimos cinco anos encerrou fevereiro com 335 mil inscrições. 

Segundo a CDL-Manaus, 40% dos débitos em questão são referentes a transações com cartão de crédito, 20% foram originados de boletos para crediários de empresas varejistas, outros 20% partiram de contas de água, luz e demais serviços prestados por concessionárias privadas, e os 20% restantes estão na categoria de “diversos”.

A CDL-Manaus não detalha os percentuais de cada faixa, mas informa que, na separação dos cadastros por valor de dívida, a maioria é de R$ 100 a R$ 500. Na sequência, vem as contas que variam de R$ 1.000 a R$ 5.000, e as pendências que vão de R$ 500,01 a R$ 1.000. Na divisão dos inadimplentes por gênero, as mulheres elevaram sua fatia de 55% para 56%, enquanto os homens reduziram sua participação de 45% para 44%. 

“Cobrança feroz”

No entendimento do presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, o uso indiscriminado do cartão de crédito e suas taxas comparativamente mais elevadas, assim como o maior rigor na cobrança pelas concessionárias de serviços públicos – e menor prazo para negativação nos débitos em atraso, nesses casos – ajudaram a inflar os números de inadimplência do Amazonas, em fevereiro.  

“Os juros do cartão baixaram, mas ainda estão altos e muitos consumidores ainda têm dificuldades para pagar a fatura na íntegra. No caso das empresas de energia e de água, houveram mudanças que levaram a cobranças mais ferozes. As de telecomunicações já estão usando até o e-mail para isso. Teve também a questão de o governo estadual atrasar pagamento de salários, deixando esse consumidor sem dinheiro para pagar as contas”, afiançou. 

Procurada pelo Jornal do Commercio, a assessoria de comunicação da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) informou que os salários do funcionalismo estadual estão em dia e que o 13º foi pago dentro do prazo, mas salientou que mudanças instituídas pelo eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas), nos termos da Portaria 1.127/2019, mudaram a metodologia de pagamento dos servidores. 

Vírus e desabastecimento

O presidente da CDL-Manaus lembra que a meta dos lojistas é reduzir a taxa de inadimplência a pelo menos 2,9%, mas avalia que o percentual deve ganhar novo fôlego ainda neste mês, dado o novo panorama da economia global, que ameaça comprometer os ganhos do setor durante os preparativos para o Dia das Mães.

“Tínhamos muita fé em relação a tudo, mas a chegada desse novo coronavírus e seus efeitos na economia tornam muito difícil fazer previsões de médio e longo prazo. O comércio corre o risco de ficar sem estoques ou com preços muito mais altos, pela escassez de produtos. Mas, nada impede também que saia uma vacina nesses próximos dias, ou mesmo que o contágio diminua, fazendo com que a crise seja contida”, lamentou.

Fora da curva

O número nacional de fevereiro ainda não foi divulgado. Dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC mostram que o volume de consumidores com contas em atraso cresceu 1,38% em janeiro, na comparação com igual período de 2019. A estimativa é que o país tenha fechado o primeiro mês de 2020 com 61,3 milhões de consumidores inscritos em cadastros de devedores, 39% da população adulta do Brasil.

Na ocasião, o Amazonas foi um ponto fora da curva na região Norte, que liderou a alta das dívidas em atraso (5,48%) em todo o país, totalizando 5,9 milhões de consumidores. Em seguida vieram Centro-Oeste (2,95%), Sudeste (1,69%) e Sul (1,29%) – com 5,1 milhões, 25,3 milhões e 8,2 milhões de pessoas nessa situação, respectivamente. Com 16,8 milhões de inadimplentes, o Nordeste teve a única taxa negativa (-0,05%).

Diante dos números de janeiro, o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, disse, em texto veiculado pela assessoria de imprensa da entidade, que o avanço da inadimplência não deve ser motivo de preocupação, pois os números seguem abaixo do patamar alcançado durante a crise e devem permanecer assim, dada a recuperação do mercado de trabalho e as retrações nos juros e na inflação. Vale notar que a declaração foi dada antes da eclosão do Covid 19 e de seus efeitos na economia global.

“Por ora, não há indícios de que haverá uma nova tendência de alta da inadimplência do consumidor nos moldes do que foi visto até recentemente. Ainda que o cenário seja otimista, parte relevante das famílias tem lidado com dificuldades para quitar dívidas que já estavam em atraso, tanto é que há um estoque elevado de pessoas com contas sem pagar”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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