Incentivos fiscais podem superar R$ 2,5 bi

Em: 10 de junho de 2009
Pelos cálculos da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), as concessões de incentivos fiscais com redução do IR, devem atingir R$ 2,5 bilhões neste ano, o que representa um acréscimo de 47% se comparado o montante de 1,7 bilhão
Pelos cálculos da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), as concessões de incentivos fiscais com redução do IR, devem atingir R$ 2,5 bilhões neste ano, o que representa um acréscimo de 47% se comparado o montante de 1,7 bilhão

Pelos cálculos da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), as concessões de incentivos fiscais com redução do IR (Imposto de Renda), devem atingir R$ 2,5 bilhões neste ano, o que representa um acréscimo de 47% se comparado o montante de 1,7 bilhão liberado em 2008. Valer destacar que a maior parte desses incentivos é para empresas instaladas no PIM (Polo Industrial de  Manaus).
Pela primeira vez a Su­dam vai ultrapassar a Su­dene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que deve conceder no máximo R$ 2 bilhões neste ano. A garantia é do superintendente da Sudam, Djalma Mello, ao ressaltar que Sudene sempre teve uma concessão maior de recursos.
Os motivos apontados por Mello para a boa performance da Sudam passam pelo excelente trabalho realizado pelos consultores econômicos do Amazonas junto aos investidores. O crédito que a Amazônia tem merecido dos empresários que estão injetando recursos financeiros na ZFM (Zona Franca de Manaus) é outro fator substancial. “O crédito está tão grande, mesmo diante de toda a crise econômica pela qual às empresas estão passando, que a Sudam vai aumentar o valor de concessão que ultrapassará a Sudene”, assinalou.

Principais projetos

De acordo com o superintendente da Sudam, o projeto de maior envergadura para o Amazonas é na área de telecomunicações. Trata-se de um projeto da Telemar Oi sobre fibra ótica que vem da Venezuela e vai chegar até Manaus melhorando sensivelmente as telecomunicações, inclusive para o interior. Esse projeto já tem sua carta consulta aprovado na Sudam e quando entrar na pauta do CAS (Conselho de Administração da Suframa) deverá ser financiado uma parte pela Sudam.
Mello disse tratar-se de um projeto de R$ 256 milhões, sendo, R$ 156 milhões do FDA (Fundo de Desenvolvimento da Ama­zônia), com recursos do Banco da Amazônia –o operador financeiro– que encaminhará ao fundo da Sudam. “O banco faz a análise do projeto, que será financiado pelo PDA e gerido pela Sudam”, explicou, ressaltando que a carta consulta foi aprovada há 15 dias e o projetista tem 180 dias para apresentá-lo ao CAS.
Na opinião de Mello, o projeto da Telemar Oi vem resolver um grande problema de telecomunicações, ainda muito precário na região, que vai se interligar com o mundo inteiro, através da fibra óptica. “O projeto vem da Venezuela passa por Roraima e de lá vem para Manaus”, disse ele, ­ressaltando que o sistema já chegou à Venezuela e vai entrar para o Norte do Brasil por intermédio de Boa Vista (RO) e Manaus.

Projeto de integração busca investimento

Outro projeto apontado pela Sudam como de suma importância para a região é o que vai integrar o Linhão, que vem da Usina de Tucuruí (Pará), até Manaus e vai até Macapá -são dois ramais para Manaus e dois para Macapá. Trata-se do projeto Santa Terezinha Indústria de Isoladores da Amazônia que vai fabricar isoladores (peças gigantescas utilizadas nas redes elétricas de alta tensão).
É um projeto da ordem de R$ 1,2 bilhão que foi aprovado na última reunião do CAS, realizada no dia 28 de maio. Djalma Mello, que se fez presente na reunião e apoiou o projeto, disse que ainda não está definido quanto o FDA vai desembolsar para o projeto.
“Mas certamente vai participar do financiamento também”, disse, ressaltando que o assunto está sendo negociado com a Eletronorte, uma das sócias do consórcio que vai executar a obra em parceria com outras empresas de origem brasileira e espanhola.
Ele disse que toda a negociação está sendo feita por intermédio da Eletronorte, que deverá participar do consórcio com 40%. “A demanda dos consórcios do qual participa a Eletronorte é de R$ 6 bilhões de redes de transmissão elétrica na Amazônia, no qual está incluído R$ 1,2 bilhão em Tucuruí”, completou.
O superintendente informou que o consórcio já ganhou o leilão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), vai ter dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Sudam tem interesse em participar do seu lançamento. “Com essa extensão Manaus ficará interligada ao resto do Brasil, porque ainda somos um sistema isolado”, avaliou.

Rede de transmissão possui recursos

Djalma Mello justificou ter destacado o projeto na reunião do CAS porque a Sudam tem uma demanda de recursos para financiar várias redes de transmissão de energia dentro da Amazônia. “Temos redes de transmissão e energia de Mato Grosso para Rondônia e de lá para o resto do país”, disse Mello.
Feita a construção dessas redes, Mello disse vão ser utilizados os isoladores fabricados pela empresa Santa Terezinha. Atualmente os mesmos são comprados em São Paulo e alguns importados. “Agora com fabricação local essa renda da compra vai ficar na Amazônia e ainda vai gerar emprego local”, disse.
Quanto aos cabos de alumínio a serem utilizados pelo linhão, o superintendente informou que são fornecidos por empresas financiadas pela Sudam, localizada em Barcarena (Pará).
Trata-se da Albras e Alunorte, produtoras de alumínio, que vão produzir os cabos de alumínio. “Agora serão dois produtos fabricados na Amazônia que vão ser utilizados nesse linhão”, assegurou Mello.
Na avaliação de Djalma Mello, a grande importância do Linhão de Tucuruí é porque o Amazonas, sobretudo, Manaus, vai sair do isolamento, ou seja, vai se interligar a toda rede elétrica da Eletrobrás e da Eletronorte.
“Se tiver uma unidade produtora de energia aqui vai poder vender para qualquer lugar do Brasil, com também poderemos trazer energia para toda a Amazônia de todo o lugar do país, até de Itaipu”, assinalou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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