Um em cada dez habitantes da região Norte com 60 anos ou mais sofre limitações em atividades banais do cotidiano, como comer e ir ao banheiro, e um em cada quatro precisa de ajuda para as tarefas fora de casa. A boa notícia é que o percentual de idosos amazonenses que já sofreram alguma queda (13,1%) é menor do que na média brasileira (15,5%). Mas, a incidência de problemas de saúde, como catarata, é mais frequente no Amazonas (37,4% ou 163 mil pessoas) –onde 34% não puderam fazer a cirurgia –do que no restante do país (34,6%).
Em contraste, o percentual de sexagenários ou de maior idade que faziam uso regular ou contínuo de algum medicamento receitado por um médico foi o mais baixo na região Norte (59,9%), em todo o país, ficando bem distante da média nacional (75,4%). No Amazonas, a taxa foi ainda menor e não passou de 59,9%, o equivalente a 252 mil pessoas. A taxa de vacinação contra a gripe, no entanto, foi maior no Estado (74,9%) do que o número nacional (72,3%). É o que mostram os dados da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), compilada e divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A sondagem mostra que 9,5% (ou 3,3 milhões) dos brasileiros com 60 anos ou mais de idade tinham limitação funcional para atividades do cotidiano e relataram dificuldades –ou impossibilidade –para comer, tomar banho, ir ao banheiro, se vestir, andar em casa de um cômodo para outro no mesmo andar, ou mesmo se deitar e levantar da cama sozinho. O problema era mais sentido pelas mulheres (10,6%) do que pelos homens (8,2%). Na região Norte, o percentual de pessoas nessa situação foi idêntico ao brasileiro: 9,5%.
Há maior desnível no que se refere às limitações funcionais –que incluem fazer compras, cuidar do próprio dinheiro, usar o transporte público, tomar medicamentos e ir ao médico. Em torno de 24,2% dos brasileiros em geral, e 27% dos nortistas em particular, precisavam de ajuda para isso. Em âmbito regional, a dificuldade era muito mais sentida pelas mulheres (33,4%) do que pelos homens (19,6%). Os idosos nortistas estavam mais amparados (26,2%) do que os da média brasileira (23,5%).
De uma forma geral, 8,2% dos idosos do país precisavam de ajuda para as atividades do dia a dia, com a mesma proporção para os Estados nortistas (172 mil pessoas). Mas, a fatia relativa aos idosos que efetivamente tinham alguma ajuda para tanto foi ligeiramente menor no âmbito regional (7,5%) do que no nacional (7,8%). Em contrapartida, a proporção de idosos que relataram participar de atividades sociais organizadas, como clubes, grupos comunitários ou religiosos, centros de convivência do idoso, entre outras, foi maior no Norte (77,9%) do que em todo o Brasil (73,8%).
Medicamentos e vacinas
Um problema comum entre os brasileiros de maior idade era sofrer quedas –que muitas vezes poderiam causar fraturas ou outros problemas de saúde. No Brasil, 15,5% dos idosos relataram ter levado um tombo nos 12 meses anteriores à entrevista ao IBGE. No Amazonas, essa proporção foi menor, 13,1% (55 mil pessoas) e novamente mais comum entre as mulheres (16,2%) do que entre os homens (9,4%). Trata-se também de uma ocorrência mais usual, com a progressão da idade, passando de 9,6% (de 60 a 64 anos) para 12,4% (65 a 74 anos) e chegando a 18,8% (75 anos ou mais).
Uma das doenças mais frequentes, entretanto, era a catarata, que atingia 34,6% dos idosos no Brasil e um percentual ainda maior no Amazonas (37,4% ou 163 mil pessoas). Em âmbito estadual, o diagnóstico foi menos comum nos homens (35,8%) do que nas mulheres (41,2%). Quanto maior a idade, maior era o percentual de amazonenses com a doença, saindo de 25,1% (de 60 a 64 anos) para 39,7% (entre 65 e 74 anos), e culminando em 54,2% (75 anos ou mais). Apenas 66% das pessoas com 60 anos ou mais no Estado (91 mil pessoas) se submeteram à cirurgia e, dentro desse grupo, 67,5% (61 mil pessoas) realizaram o procedimento pelo SUS.
De acordo com o IBGE, 75,4% dos brasileiros com 60 anos ou mais de idade faziam uso regular ou contínuo de algum medicamento receitado por um médico, no período da pesquisa. A região Norte (61,7%) foi a que apresentou a menor proporção nesse caso, sendo que o número foi ainda menor no Amazonas (59,9%, ou 252 mil pessoas). No Estado, o hábito era mais comum entre as mulheres (66,1% ou 151 mil) do que entre os homens (52,5% ou 101 mil), assim como era mais difundida entre “brancos” (66,6%) e “pardos” (58,7%), do que entre “pretos” (51,3%). Grupos de 75 anos ou mais registraram taxa de 75,3% no uso de medicamentos.
O IBGE informa que, nos 12 meses anteriores à data da entrevista do levantamento, 72,3% das pessoas de 60 anos ou mais de idade tomaram a vacina contra a gripe, no Brasil. No grupo de pessoas que referiu não ter tomado a vacina, o principal motivo (41,8%) foi não achar necessário ou raramente ficar gripado e o segundo motivo mais citado (19,8%) foi ter medo da reação. No Amazonas, a taxa de vacinação foi maior (74,9%), sendo que as taxas das populações de 60 a 64 anos (73,5%) e de 65 a 69 anos (72,9%) foram menores do que no grupo de 75 anos ou mais (80,4%).
“O uso de medicamentos entre os amazonenses está bem abaixo da média nacional. E, assim como na maioria dos Estados, as mulheres fazem mais uso de medicamento regular ou contínuo, do que os homens. Fato conhecido nas estatísticas da esperança de vida, uma vez que a mulher cuida mais da saúde. Já a ocorrência de catarata nos idosos do Amazonas, tem uma taxa acima da média nacional, em ambos os gêneros. E, no Norte, a população amazonense é aquela que mais se vacina contra a gripe, sendo que as mulheres possuem uma taxa maior de vacinação”, resumiu o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
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