O índice de reajuste dos medicamentos comercializados no país está 5,6% mais caro neste ano, acompanhando a inflação medida pelo IPCA. O reajuste acompanha a inflação acumulada entre março do ano passado e fevereiro deste ano. Todos os anos, a Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) órgão vinculado à Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) define o reajuste máximo autorizado para cerca de 13 mil apresentações de remédios disponíveis nas farmácias brasileiras.
O aumento vai impactar o orçamento do consumidor, principalmente do cidadão que faz tratamento com medicamento de uso contínuo, visto que algumas farmácias da capital já trabalham com os preços maiores. Contudo, a grande maioria, pretende ajustar os novos preços gradativamente.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a compra de medicamentos de uso contínuo compromete cerca de 30% da renda das famílias brasileiras. “Cerca de 90% dos gastos em medicamentos vêm do bolso das pessoas e 10% do governo, que é o pagador institucional. Nós temos dados de que 80% das prescrições aviadas não são completamente compradas e 50% dos pacientes iniciam e param os tratamentos”, explica o Dr. Luiz Carlos Monteiro, fundador e presidente do Conselho da ePharma PBM Phygital e conselheiro da Asap (Aliança para Saúde Populacional). O diretor de Negócios e Operações da epharma, Wilson de Oliveira Júnior, complementa: ”É um cenário preocupante no Brasil, observado nos registros de abandono aos tratamentos relacionados a fatores socioeconômicos”.
De acordo com o presidente do Sindidrogas (Sindicato do Comércio Varejista de Drogas do Amazonas), além do aumento ser aplicado com base na inflação, a matéria-prima utilizada para produzir o medicamento vem de fora o que soma-se aos reajustes/ valor do frete, alta cambial, alta no valor do combustível.
O sindicato informou que o segmento é o único no país controlado pelo governo federal da Cmed e seguem um caderno de preço que é enviado pela Abcfarma (Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico), destacando que que nenhuma drogaria no Brasil não pode comercializar medicamento além do permitido pelo PMC (Preço Médio do Consumidor). Conforme o Sindidrogas, o consumo de medicamentos em Manaus é 0,8% menor em relação ao restante do país.
Mesmo tendo os medicamentos preços tabelados é possível economizar nas compras. Uma coisa que poucas pessoas sabem é que se tabela apenas o valor máximo dos medicamentos, mas o mínimo as farmácias podem estabelecer de acordo com suas estratégias comerciais”, analisa o presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Reinaldo Domingos.
Prioridade
A pensionista Maria José, que prioriza os preços na hora de comprar medicamento, diz estar preocupada com mais um reajuste. Ainda mais para ela que faz o uso contínuo que a obriga todos os meses consumir ao menos cinco tipos de remédios. “A metade da minha pensão é comprometida para a compra de medicamentos, cujos preços, em média, apresentaram mais uma alta. Eu já sinto o peso do reajuste nas minhas finanças. Eu não posso deixar de comprar, pois eu faço tratamento contínuo para várias comorbidades. Diabetes, tireoide, pressão e função renal, sem falar do uso de várias vitaminas solicitadas pelo médico”, disse.

Para tentar equilibrar o orçamento e garantir preços acessíveis, o aposentado Aldenir Lima, adota a prática da pesquisa. Ele confirma que em alguns estabelecimentos os valores ainda são os mesmos. Para ele que faz uso de medicamentos contínuos para o coração ainda vale a pena realizar algumas pesquisas antes de comprar. “Eu consegui comprar dois tipos de medicamentos com preço antigo. Eu já fui informado pelo estabelecimento que os itens sofrerão reajuste, o que sugere aproveitar essa busca”.
Repasse gradativo
A empresária do ramo de farmácias, Cristina Soares, confirmou que muitas empresas ainda não repassaram os reajustes ao consumidor final. “Será de forma gradativa. Mesmo porque muitos estabelecimentos adquiriram produtos sem o novo reajuste. Aos poucos o consumidor deverá perceber essa alteração, não será um repasse imediato”, garantiu.
Levantamento
Uma pesquisa, realizada pela Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias), por meio do IFEPEC em parceira com o Instituto de Economia da Unicamp, aponta o crescimento dos consumidores que consideram o preço como o principal pré-requisito para a escolha da farmácia. Passando de 79,9% em 2022 para 82,13% em 2023.
Fica claro que os entrevistados têm vontade de economizar ao entrar em uma farmácia. “Por meio desse questionamento observamos que o impacto do aumento será sentido nas finanças dos brasileiros, mas eles não deixarão de consumir esses produtos, que são de necessidade básica”, analisa Edison Tamascia, presidente da Febrafar.
Outro ponto de destaque é que 31,1% dos consumidores afirmaram que realizaram alguma forma de pesquisa de preços em outras farmácias antes de efetuar sua compra. Em 2022, esse percentual era de 15,3%.
Do ano de 2022 para 2023, também ocorreu um crescimento significativo no percentual de consumidores que afirmou já ter comprado medicamentos de forma não presencial. Chegando a 24,8% em 2023, no ano anterior esse número era de 16,8%.
Ponto importante apontado pela pesquisa é que dos consumidores que afirmaram comprar medicamento de “forma não presencial”, 87,5% responderam que utilizam o WhatsApp ou o telefone.







