Indústria brasileira registra alta de 10,1% em abril, apontam analistas

Em: 4 de junho de 2008
Fim da greve dos auditores fiscais, reativação da produção de combustíveis e a ocorrência de um dia útil a mais do que abril de 2007 podem ser considerados como fatores positivos.
Fim da greve dos auditores fiscais, reativação da produção de combustíveis e a ocorrência de um dia útil a mais do que abril de 2007 podem ser considerados como fatores positivos.

Se, em março, alguns fatores destacados fizeram com que a indústria brasileira registrasse um crescimento tão baixo quanto 1,4% com relação a março de 2007, no mês de abril esses mesmos fatores atuaram no sentido inverso, ou seja, ampliando a evolução. Essa foi de 10,1% com relação a abril do ano passado.
É preciso sublinhar que tanto o magro índice de variação de março, quanto o avantajado percentual de abril não refletem cada um por si o real desempenho da indústria nesses dois meses, talvez refletindo mais adequadamente a realidade se forem tomados em termos médios.
Como se recorda, no mês de março os seguintes fatores influenciaram no resultado: o menor número de dias úteis desse mês em 2008 com relação a março de 2007 (2 dias), a paralisação por motivos técnicos de uma refinaria de petróleo e a greve de auditores da Receita Federal, que prejudicou a importação de insumos e ditou uma certa descontinuidade de produção, principalmente na indústria do Amazonas. O final dessa greve, a reativação da produção de combustíveis e, para o mês de abril deste ano, a ocorrência de um dia útil a mais do que abril do ano passado podem ser considerados como fatores que “desrepresaram” a produção da indústria.
Portanto, nada há de excessivo no desempenho industrial de abril que não seja correspondente à performance aquém da esperada no mês anterior. A indústria, em outras palavras, não está tendo um desempenho excessivo e tampouco está carregando, como setor líder do país que é, o restante da economia brasileira para um crescimento além de sua capacidade produtiva.
Diante das observações acima, a melhor maneira de se interpretar os dados da produção industrial é tomar o conjunto dos primeiros quatro meses do ano no suposto de que os fatores atípicos de um determinado mês foram compensados por fatores atípicos de outro mês.
Comparando a média da produção industrial no primeiro quadrimestre com seu equivalente no primeiro quadrimestre de 2007, a produção do setor foi de 7,3%, exatamente o mesmo percentual de acréscimo do último quadrimestre de 2007, relativamente ao último quadrimestre do ano anterior.
Essa é uma indicação clara de que em termos médios, a produção, que vinha se acelerando ao longo do ano passado, parou de ter aumento de ritmo, acomodando o seu crescimento em um nível que pode ser considerado alto (um pouco superior a 7%).
O leitor poderá cotejar os percentuais acima com os referentes aos três quadrimestres anteriores para se certificar de que após uma intensa aceleração da indústria (e seguramente da economia brasileira como um todo), esse processo sofreu interrupção. Desde o terceiro quadrimestre de 2006 as variações foram: 2,8%, 4,3% e 6,3% no segundo quadrimestre de 2007. É claro que a acomodação do crescimento no primeiro quadrimestre de 2008 nada tem a ver com o reinício do aumento de juros pelo Banco Central, o que só viria a ocorrer em abril deste ano.

Bens de consumo mantêm forte aceleração

As características setoriais do desempenho da indústria são também reveladoras do que está ocorrendo nesse setor em 2008. Se a média do crescimento estacionou em um índice algo superior a 7%, isso ocorreu tão somente porque o segmento de bens de consumo duráveis manteve, nos primeiros meses de 2008, a forte aceleração que vinha tendo em 2007.
Esse segmento partiu de uma variação de apenas 3,1% no primeiro quadrimestre de 2007, passando para 10,5% no período seguinte, 13,4% nos quatro meses finais do ano passado, culminado com 15,9% nos primeiros quatro meses de 2008. Se há “crescimento excessivo” na economia brasileira, isso é típico da indústria de bens duráveis, especialmente do seu carro-chefe, que é a indústria automobilística. E, se o crédito é o combustível que alimenta tão elevadas taxas de crescimento, não é a majoração da taxa básica de juros da economia o remédio contra o problema, e sim algum dos clássicos instrumentos de controle do crédito.

Fatores
analisados
Nos demais segmentos, o de b

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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