Setor mais impactado pela crise, a indústria teve, no ano passado, o pior desempenho da série histórica iniciada em 1996, de acordo com dados relativos ao PIB (Produto Interno Bruto), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A queda de 5,5% frente a 2008 foi causada, principalmente, pelo péssimo desempenho da indústria de transformação, cuja retração de 7% significou a primeira queda desde 1999. Esse segmento específico é responsável pela contribuição de 61% em termos de valor acionado, dentro da indústria.
Ainda na avaliação de 2009, a indústria de material de construção apresentou redução de 6,3%; as operações de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana caíram 2,4%.
A indústria extrativa mineral teve variação negativa de 0,2%. Esse desempenho foi diretamente influenciado pela redução na extração de minério de ferro, que caiu 22,3% no ano passado.
Mesmo com maior peso dentro da indústria extrativa mineral, o aumento de 5,7% na produção de petróleo e gás não foi suficiente para evitar o resultado negativo.
Por outro lado, o desempenho da indústria no quarto trimestre revelou-se animador.
A alta de 4% em relação aos três últimos meses de 2008 mostra que todos os segmentos industriais registraram crescimento, com destaque pela indústria extrativa mineral, cujo avanço foi de 5,6%. A extração de minério de ferro, nesta comparação, subiu 1,8%, enquanto a produção de petróleo e gás teve acréscimo de 5,7%.
A indústria de transformação teve elevação de 4,7% no quarto trimestre do ano.
Também em alta vieram as indústrias de material de construção (2,5%) e de eletricidade e gás, água e esgoto (1,4%).
“O avanço da indústria no quarto trimestre, frente a igual período no ano anterior, foi o primeiro depois de quatro trimestres em baixa. No resultado fechado do ano, foi o primeiro negativo desde 2001, quando houve o racionamento’’, afirmou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. Na comparação com o terceiro trimestre, a indústria também cresceu 4%.
Investimento tem maior queda em 14 anos e derruba PIB
A queda no investimento no ano passado foi decisiva para que o PIB (Produto Interno Bruto) encolhesse 0,2%. A chamada FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que mede o investimento, caiu 9,9% no ano passado, pior resultado da série histórica do IBGE iniciada em 1996.
Em valores correntes, os investimentos e a variação de estoques significaram R$ 525,8 bilhões no ano passado. Em 2008, o investimento na economia brasileira havia subido 13,4%, totalizando R$ 560,9 bilhões.
O investimento caiu em todos os componentes que formam a FBCF. Os investimentos em máquinas e equipamentos tiveram retração de 13,1% em 2009, depois de subirem 18,2% no ano anterior e 22% em 2007. Já os investimentos no setor de construção apresentaram redução de 4,4%. Nos anos anteriores, registraram variação positiva de 9% (2008) e de 5,5% (2007).
“O investimento não apresentava taxa negativa desde 2003, e perdeu participação dentro do PIB’’, afirmou a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
O reflexo da queda nos investimentos é verificado diretamente na contribuição negativa de 0,3% que a demanda interna deu ao PIB em 2009. Desde 2003, a demanda interna não tinha impacto negativo sobre a economia. A contribuição de -1,9% dos investimentos dentro do PIB suplantou a influência positiva do consumo das famílias, 2,4% dentro do PIB, e do governo (0,7%).
Ao mesmo tempo, o melhor desempenho das exportações (-10,3% frente a 2008) em relação às importações (-11,4%) fez com que a contribuição do setor externo fechasse o ano passado de forma positiva (0,1%), a primeira desde 2005. No quarto trimestre, se comparado aos três meses imediatamente anteriores, o investimento cresceu 6,6%. Já em relação a igual trimestre em 2008, o IBGE aponta alta de 3,6%.
Brasil se sai melhor
Apesar de o PIB (brasileiro ter recuado 0,2% em 2009, o desempenho da economia local ainda se destacou ante os maiores países do planeta, onde a crise financeira global bateu com mais força.
As exceções ficam para dois grandes emergentes, China e Índia, que “nadaram de braçada” e mantiveram os altos índices de crescimento registrados nos últimos anos.
A principal semelhança entre todos é que, ao contrário do que se imaginava na virada do ano, quando a crise estava no seu auge, as perdas não foram tão grandes quanto o que se mostrou ao final de 2009.
Nos Estados Unidos – onde os problemas com as hipotecas “subprime” (de alto risco) se tornaram o cerne da crise financeira – a economia recuou 2,4% no ano passado, depois de cair 5,5% no primeiro trimestre e mais 1% no segundo trimestre.
Lula está satisfeito com o resultado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) registrado em 2009, segundo declarações dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento).
Ambos se reuniram com o presidente e apresentaram o resultado. “Lula disse que estava satisfeito com os números e que o Brasil teve um excelente desempenho em 2009, um ano de crise. Ele se preocupou mais em saber o último trimestre porque tem uma influência forte no presente”, afirmou Mantega.
Segundo Bernardo, Lula “não ficou decepcionado” com o resultado pois já esperava algo em torno disso. “Foi um ano com desempenho fraco, que teve resultado muito ruim no primeiro semestre e bastante satisfatório no segundo”, justificou.
Mantega disse ainda que o presidente questionou se a expansão em 2010 é sustentável e o ministro negou que possa gerar inflação. “O crescimento é sustentável porque tem capacidade instalada no Brasil e tem capacidade para rapidamente reagir à demanda”, completou.
De acordo com o titular da Fazenda, a previsão é de crescimento acima de 5,7% em 2010. Já o ministro do Planejamento citou uma estimativa um pouco menor. “A projeção oficial é de 5,2%, mas tem muita gente que acha que pode ser mais do que isso”, afirmou Mantega.






