O segmento da indústria no Amazonas cobrou mais agilidade na fiscalização e liberação de cargas das autoridades aeroportuárias. O processo considerado moroso, na avaliação do setor, exige soluções que vão da contratação de mão de obra às inovações tecnológicas. Os gargalos foram reforçados pelo diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, durante audiência pública realizada, ontem, na sede da ALE-AM (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) para discutir as obras de reforma do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
“Temos que melhorar a forma e a eficiência da atuação dessa fiscalização, temos que utilizar a tecnologia cada vez mais para melhorar os processos sem perder os controles”, enfatizou.
Em entrevista anterior ao Jornal do Commercio, o presidente da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia), Irani Bertolini, já havia sugerido a criação de um sistema de liberações eletrônicas para agilizar o processo e compensar o déficit de inspetores alfandegários.
“Da mesma forma que a nota fiscal eletrônica, a automatização das liberações alfandegárias também ajudariam muito. Se a mercadoria não necessitar cair no ‘sinal vermelho’ para averiguações, ela já poderia vir com a liberação pronta, aliviando o excesso de carga em portos e no aeroporto”, sugeriu, na ocasião.
O deputado estadual Sidney Leite (DEM), que solicitou a audiência lembra que o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é o terceiro maior do país em movimento de carga. “Ele fica atrás apenas do aeroporto de Guarulhos e do Viracopos, de Campinas, e atende o principal modal da economia do Amazonas, o PIM. Já houve situações em que as cargas passaram mais de 15 dias para serem retiradas do aeroporto”, disse.
O superintendente do Eduardo Gomes, Aldeci de Oliveira Lima, justificou que a Infraero não pode ser responsabilizada pelo gargalo logístico, uma vez que o entrave é administrativo.
Armazenagem
Quanto à estrutura física, ele garante que a ampliação da capacidade do terminal de cargas de 12 mil toneladas para 15 mil toneladas por mês, concluída em maio do ano passado, atende a demanda da indústria e permite espaço satisfatório para estocagem do produto, mesmo com eventuais demoras nas liberações.
Flávio Dutra concorda que não há necessidade de uma nova ampliação. “A capacidade atual é suficiente para atender a indústria”, afirmou.
Segundo ele, o setor está apenas atento para não ser novamente surpreendido com nenhuma eventualidade como a crise ocorrida em 2010.
O superintendente do aeroporto explica que 2010 foi um ano atípico. “Tivemos a concentração da produção de áudio e vídeo para atender a Copa, com a qual esperávamos crescer 20% no máximo, mas fomos atingidos pela greve nos portos europeus e asiáticos, que fez com que houvesse uma mudança de modal de navio para aeroporto e isso gerou acréscimo de mais de 200% de carga”, lembrou.
No entanto ele garante que com a movimentação de aproximadamente 4,5 mil toneladas por mês, a capacidade atual é mais do que suficiente.
Obras para a Copa
Ainda durante a audiência, Aldeci de Oliveira manteve a perspectiva de conclusão das obras de ampliação e reforma do terminal de passageiros para dezembro de 2013, dentro do cronograma inicial e garantiu que cerca de 50% da ampliação deve ser finalizada até o final deste ano.
Ele afirmou ainda que, com a reforma, orçada em R$ 344 milhões, o aeroporto passa de 39 mil m2 para 97 mil m2 e terá capacidade de atender a população de Manaus até 2025.






