Indústria de componentes do PIM à beira da sepultura

Em: 7 de novembro de 2011
A indústria de componentes do PIM (Polo Industrial de Manaus) está beirando a sepultura
A indústria de componentes do PIM (Polo Industrial de Manaus) está beirando a sepultura

A indústria de componentes do PIM (Polo Industrial de Manaus) está beirando a sepultura. Quem garante é o deputado estadual e economista José Ricardo Wendling (PT), que resolveu lançar um apelo desesperado, em forma de indicação na Assembleia Legislativa, à bancada federal do Estado do Amazonas no Congresso Nacional, na esperança de que a “via política” ajude a amenizar a situação moribunda do polo, que está sendo atropelado pela concorrência asiática.
Segundo o parlamentar expressou ao Jornal do Commercio, o segmento de fios e cabos é o que mais preocupa. “Pujante no passado e grande gerador de mão de obra, o polo sofre atualmente com a perda de competitividade em relação aos similares importados”, sustenta, afirmando que a perda de competitividade levou onze empresas a encerrarem suas atividades na Zona Franca de Manaus, dentre as quais a Philips Componentes, Sony Componentes e a Sanyo da Amazônia.
Um dos poucos segmentos de componentes que tentavam resistir à crise era o de fios e cabos, caracterizado por produtos de baixo custo e intensivo nível de verticalização. Neste sentido, salienta José Ricardo, é um dos segmentos que mais gera empregos, pois cada produto novo demanda a instalação de uma nova linha e, consequentemente, a geração de novos postos de trabalho.
De acordo com o deputado, a política do PPB (Processo Produtivo Básico), que estabelece critérios de produção para os bens produzidos na ZFM, por um lado, torna os bens finais mais competitivos. No entanto, permite uma grande flexibilização quanto à aquisição de componentes locais, permitindo a importação em detrimento da produção local. “Por isso, o polo de fios e cabos cada vez mais tem dificuldade para sobreviver”, assinala, lamentando que, com base em dados da Suframa, apenas sete empresas continuem em atividade no PIM: GK&B, RCA, Brascabos, Digicabos, ACR Componentes, Gatsby do Brasil e SET do Brasil. Quatro empresas encerraram suas operações. “O segmento de fios e cabos teve redução de 52,8% de 2008 a 2010 e ao longo dos anos o declínio foi de 36,29%”, aponta, alertando que “para 2011 este indicador seja ainda menor”. Apesar de tudo, o faturamento do polo tem se mantido razoável.
Em 2006 os lucros somaram um total de R$ 112.242.500 e em 2010 o faturamento alcançou R$ 107.053.750.
Conforme José Ricardo, a indústria de componentes precisa urgentemente de ajuda política, pois representa bastante para o PIM, que apresenta “um faturamento fantástico” com os seus principais subsetores demandantes de fios e cabos. Em 2006, o PIM faturou US$ 22.749.686.904 e em 2010 o faturamento ficou na ordem de US$ 38.884.891.154. Para o deputado petista, esse cenário contrasta com a situação dos postos de trabalho abrangendo o polo de fios e cabos, que em 2006 disponibilizava 3.512 postos e em 2010 conseguiu empregar apenas 1.810 trabalhadores.

Concorrência e desastre

Na avaliação de José Ricardo Wendling, a exemplo de outros segmentos, a concorrência com similares importados, particularmente os asiáticos, esmaga o polo de fios e cabos. “Em linhas gerais, o produto similar de origem asiática ameaça o PIM, pois uma empresa nacional, cumpridora de suas obrigações trabalhistas e fiscais, por mais que reduza seus custos, dificilmente conseguirá competir com os produtos importados”, analisa.
Um outro problema é a aquisição de kits por parte do fabricante de bens finais, explica o parlamentar: “Embora a participação deste componente seja pequena, muitas vezes o fabricante de bem final acaba adquirindo-o dentro de um kit previamente negociado junto ao fornecedor de insumos”. Também há o problema dos PPBs dos bens finais, aponta o deputado. “Alguns PPBs (processo produtivo básico) preveem a utilização de fios e cabos dentro de um contexto de opções como no caso do Condicionador Ar Split e suas unidades e o de motocicletas. Nestes casos, a empresa não tem obrigatoriedade em adquirir o componente. Apenas poderá optar por este, que está elencado em um rol de opções. Outros PPBs, como no caso do carregador de telefone celular e de TV LCD, exige um percentual mínimo de regionalização deste componente”. Além desses problemas, o constante processo de redução da taxa do dólar também constitui um agravante. “A redução da taxa estimula a importação do componente pronto em detrimento de adquiri-lo no mercado local”, destaca, vaticinando: “Entende-se que uma política que objetive incentivar o fabricante final a adquirir o componente no mercado local seria a melhor alternativa para garantir a sobrevivência da indústria de componentes do PIM”. Segundo José Ricardo, essa indústria possui o máximo de incentivos fiscais estaduais permitidos pela legislação, “mas esses incentivos se tornam ineficazes à medida em que as empresas não conseguem vender seus produtos”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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