A expectativa de lideranças empresariais é de mudanças no próximo mandato da presidente Dilma Rousseff, depois da vitória apertada sobre Aécio Neves nas eleições do último domingo. O presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), Walter Cover, disse que o governo terá condições de realizar ajustes em sua política econômica. Ele considerou positiva a reeleição da petista e destacou a possibilidade de criação de uma nova faixa de renda atendida pelo programa Minha Casa Minha Vida.
“Para a construção o resultado das eleições foi positivo e devemos voltar a crescer já em 2015,” disse Cover em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Neste ano, a Abramat prevê um recuo do setor de material de construção de até 4%.
Na avaliação da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) a presidente Dilma Rousseff está disposta a promover mudanças na política econômica durante o segundo mandato. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente executivo da entidade, José Velloso, disse nesta segunda-feira (27), acreditar que o principal objetivo da petista neste segundo mandato será retomar o crescimento da economia brasileira. Para ele, as sinalizações dadas durante o discurso da vitória neste domingo já foram um “recado”, mas o “sinal concreto” de mudança será dado por meio do anúncio da nova equipe econômica.
O presidente da Abramat destacou a ampliação do Minha Casa Minha Vida, prometida por Dilma em sua campanha, como um importante motor de crescimento para o setor. Ele afirmou também que pode ser criada uma faixa intermediária, para reduzir o custo de financiamento para quem recebe menos de R$ 3.100,00.
Durante a disputa eleitoral, Dilma afirmou que iria aumentar o ritmo de construção de moradias populares, de R$ 450 mil por ano para cerca de R$ 800 mil. Segundo Cover, esse crescimento deve dobrar a demanda do programa por materiais de construção. O presidente da associação lembrou também que, em reunião com entidades do setor, Dilma sinalizou que o governo concentraria sua atenção na construção de casas para famílias com renda até R$ 1.600, a chamada faixa 1 do Minha Casa Minha Vida.
Para Cover, o governo precisa acabar com o clima de desconfiança na economia, ampliar as parcerias com o setor privado e ajustar os níveis do câmbio e dos juros. Medidas que, segundo ele, já foram sinalizadas pela presidente durante sua campanha e em seu discurso após a vitória. “Acho que o governo Dilma está preparado para tratar desses assuntos”, afirmou o presidente da associação. “O governo, no nosso entendimento, vai cuidar de uma maneira diferente da economia.”
De acordo com Cover, o segundo mandato da presidente deve ser marcado pela participação cada vez maior do setor privado nos investimentos de infraestrutura por meio de parcerias com o governo, o que deve aumentar o número de obras marcadas para os próximos anos.
“Vejo com otimismo o discurso dela porque foi uma eleição muito disputada. O discurso de unir o país foi no rumo correto”, avaliou. Velloso defende que a retomada do crescimento econômico só será possível por meio do incentivo à indústria, setor citado pela presidente em sua fala. De acordo com o dirigente, o governo terá de “mudar a equação”, passando a gerar emprego na indústria, ao mesmo tempo em que deve torná-la mais competitiva. “Se continuar gerando empregos de baixo valor agregado, não vamos ter crescimento do PIB. O que agrega valor é indústria”, afirmou.
Para tornar a indústria mais competitiva, ele avalia que a presidente Dilma deve combater principalmente o chamado “custo Brasil”, composto, entre outros fatores, pelo câmbio, juros, tributos, infraestrutura e logística, energia elétrica e burocracia. No caso do câmbio, Velloso afirma que o mais importante é mudar a política do BC (Banco Central) de intervir diariamente no valor do dólar por meio dos leilões de swap cambial. “Ela vai ter que liberar o câmbio”, afirmou, prevendo que, com essa liberação, o dólar deve se estabilizar entre R$ 2,60 e R$ 2,80.
Indústria espera ajustes do governo
Em: 28 de outubro de 2014
Empresários cobram mudanças na política econômica prometida pela presidente Dilma
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Ipsos-Ipec: 33% avaliam governo Lula como ótimo ou bom; ruim ou péssimo sobe a 43%
16 de setembro de 2026

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano
16 de setembro de 2026
Projeção de IPCA em 12 meses no 1º tri de 2028, segue em 3,2%, diz Copom
16 de setembro de 2026

TCU alerta governo sobre risco de superestimação com receita para compensar isenção do IR
16 de setembro de 2026

Petrobras tem maior margem de lucro entre grandes petroleiras mundiais
16 de setembro de 2026

Aposentadoria aos 60 é sonho de 59% dos brasileiros; um terço acha que não conseguirá
16 de setembro de 2026

Sancionada lei de incentivo à instalação de data centers
16 de setembro de 2026

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Ana Castela são artistas brasileiras indicadas
16 de setembro de 2026