Indústria está otimista, apesar dos importados

Em: 6 de outubro de 2010
Com a queda diária da cotação do dólar comercial às vésperas do Dia das Crianças, a indústria de brinquedos do Amazonas enfrenta o seu maior medo: o mercado chinês ilegal
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Com a queda diária da cotação do dólar comercial às vésperas do Dia das Crianças, a indústria de brinquedos do Amazonas enfrenta o seu maior medo: o mercado chinês ilegal

Com a queda diária da cotação do dólar comercial às vésperas do Dia das Crianças, a indústria de brinquedos do Amazonas enfrenta o seu maior medo: o mercado chinês ilegal.
A desvalorização do dinheiro americano frente o real tem favorecido a entrada do produto ‘made in China’ no Estado e, consequentemente, o que já era barato, ficou mais ainda.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Brinquedos do Estado do Amazonas, Maurício Quintino, a competição no mercado é desumana. “Eles não são convencionais e não têm registro, o que torna o produto bem mais em conta. Afinal, se eu vendo meu brinquedo por R$ 100 e os chineses por R$ 30, qual você prefere?”, questionou.
Entretanto, segundo o dirigente, mesmo com a concorrência desleal, a manufatura de passatempos infantis conseguiu sobreviver à crise econômica e se mostra interessante a cada ano. “De 2008 para 2009, houve um crescimento de cerca de 7% na produção. E agora, neste ano, de 10%”, afirmou. Conforme o executivo, a expectativa de crescimento para o Dia das Crianças neste ano é de 15%.
Segundo Quintino, a Tec Toy S. A. e a Bangtoys do Brasil são as únicas empresas, instaladas no parque fabril de Manaus, que se associaram ao sindicato. Esta última teve sua produção iniciada em julho, a partir de um projeto aprovado na Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Por este motivo, a Tec Toy ainda é a única que representa a sindicância nos indicadores de desempenho do PIM (Polo Industrial de Manaus), também compostos pela Ceder Eletrônica da Amazônia Ltda, Copag da Amazônia S.A. e Importadora, Exportadora e Indústria Jimmy.

Maior faturamento

A assessoria da Suframa esclarece que a classificação das empresas é feita com base no produto de maior faturamento. Em decorrência disso, há casos de fábricas que produzem brinquedos, mas são categorizadas como pertencentes a outros subsetores.
Até julho, o faturamento da atividade (exceto bens de informática) foi o maior desde 2005, segundo o órgão. Com R$ 21,03 milhões, o setor teve alta de 24,15% ante o acumulado de 2009, e de 12,75% frente ao de 2008, quando havia mostrado o seu melhor desempenho.
Entre os itens do segmento de brinquedos do polo, encontram-se: telejogo (bens de informática) e acessórios; cartas de jogar; e brinquedos de cartonagem.
Com os artefatos de informática inseridos no faturamento, o valor passa para R$ 53,54 milhões, totalizando US$ 29.98 milhões. Em sete meses, este número alcançou 62,90% do total adquirido nos doze meses do ano anterior (US$ 47.66 milhões).

Fábricas apostam em diversificação e relançamentos de produtos

Para o período festivo, Maurício Quintino fala que as perspectivas são boas, mas nada fora do padrão. “Não há uma explosão de consumo, porém é satisfatório para a época”, enfatizou.
Além de representante do sindicato, Quintino também é gerente geral da Tec Toy no Amazonas. Ele informa que a empresa tem dois produtos carros chefes: o Master System e o Megadrive 4 Guitar Idol. Mas, o dirigente conta com a novidade Zeebo, primeiro videogame sem mídia externa. Ao invés de usar um CD ou cartucho, o consumidor tem acesso aos jogos a partir de um modem interno de telefonia celular (via rede 3G).
“O produto foi relançado e possui algumas novidades. Agora, os usuários também podem navegar na internet e ter acesso aos sites de relacionamento”, detalhou.
Na Importadora e Exportadora Jimmy, o terreno dos games foi iniciado há pouco mais de um ano. A indústria é especialista em aparelhos de DVDs, mas resolveu investir no ramo dos telejogos para aumentar o capital.
“A concorrência com os equipamentos de DVD´s importados diminuiu nossa margem de lucro. Para tentar fugir disso, demos início a este investimento, que mostrou, através de pesquisas, ser a melhor opção para a empresa”, argumentou o diretor da indústria, Waldir Mendonça.
O grupo aposta em dois modelos: o XP04 com 101 jogos e o XP89, game interativo com bolas e raquete. Mas, por enquanto, a venda deles é externa. “Comercializamos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em estabelecimentos como as Lojas Americanas”, destacou.
Ele afirma que, até agora, não houve mudanças significativas no faturamento. Segundo Mendonça, este tipo de mercadoria é sazonal e tem uma venda maior em épocas como o Dia das crianças e o final do ano. “De janeiro a setembro, este produto sofre uma brecada. Com a festividade infantil, vamos esperar para crer”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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