Indústria imobiliária do Amazonas soma R$ 862 milhões até outubro

Em: 22 de dezembro de 2021

A indústria imobiliária do Amazonas somou R$ 862 milhões, de janeiro a outubro, conforme dados apresentados pela Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), nesta quarta (22), durante coletiva de imprensa. A dois meses de completar o ano, o VGV (valor geral das vendas) já corresponde a 90,07% do total faturado no ao longo de 2020 (R$ 957 milhões). Mas, ainda está a % da meta projetada para o encerramento de 2021 (R$ 1,2 bilhão), que equivale a um crescimento de 15%. A entidade, no entanto, garante que conseguirá chegar lá.

Em ano de pandemia, aumento dos insumos da construção civil, e desajustes na inflação, no câmbio e nos juros, configuram um cenário onde o maior obstáculo está na desaceleração. O setor imobiliário amazonense totalizou R$ 274 milhões em vendas no terceiro trimestre, patamar 9,87% inferior ao registrado no segundo trimestre (R$ 304 milhões). Na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 297 milhões), o recuo foi de 7,74%. Em outubro (R$ 122 milhões), a margem de vendas permaneceu “dentro do esperado”, conforme a Ademi-AM – embora o dado relativo ao mesmo mês de 2020 não tenha sido fornecido pela entidade.  

Vale notar que as bases de comparação são atípicas. O desempenho do segmento no terceiro trimestre foi o segundo melhor deste ano. Só perdeu para os resultados do acumulado de abril a junho de 2021, que apresentou o maior número da série histórica da Ademi-AM, em termos de vendas de imóveis novos. No período, o mercado local faturou R$ 304 milhões, sendo que valor mais próximo teria sido identificado justamente no terceiro trimestre de 2020 (R$ 297 milhões).

A pesquisa da Ademi-AM aponta que o acumulado de julho a setembro de 2021, no entanto, foi crescente para as empresas do Amazonas, em termos de unidades imobiliárias vendidas. Houve um crescimento de 29,77% em relação ao trimestre anterior, de 1.159 para 1.504 unidades. A comparação com o mesmo período de 2020 (1.656) indicou queda de 9,18%. Foram 746 unidades de padrão econômico, 360 nos “demais padrões verticais”, 199 horizontais e 16 comerciais. Os bairros e conjuntos de Manaus que representaram juntos 72,8% das vendas foram Parque Mosaico (400), Lago Azul (195), Ponta Negra (185), Tarumã (150), Colônia Terra Nova (95) e Tarumã Açu (70).

Mas, a velocidade dos lançamentos imobiliários do Amazonas foi reduzida nos últimos meses. O trimestre encerrado em setembro de 2021 totalizou apenas quatro, sendo dois empreendimentos residenciais de padrão econômico e outros dois de “demais padrões”. A título de comparação, os três meses anteriores registraram cinco lançamentos, enquanto o terceiro trimestre do ano passado apresentou seis (incluindo “empreendimento horizontais”).

Houve também uma ligeira aceleração nos distratos imobiliários do Amazonas – quebra de contrato unilateral ou em comum acordo –, em que pese o fato de o número ainda ter ficado significativamente abaixo do capturado no ano passado. De julho a setembro, o Estado apresentou 183 unidades imobiliárias distratadas, número 11,58% superior ao verificado no segundo trimestre deste ano (164) e 26,51% abaixo do registro de igual período de 2020 (249).  

“Ano difícil”

O presidente da Ademi-AM e um dos vice-presidentes da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Albano Maximo, informa que a perspectiva de crescimento nacional do setor em relação a 2020 (+10%) é inferior à estabelecida para o Amazonas (+15%). No entendimento do dirigente, 2021 foi um ano “muito difícil” para a construção, não apenas pela pandemia, que custou quase um trimestre para a atividade, mas também pela alta dos juros e da inflação – impactada pelos preços controlados. “Tivemos um aumento nos preços dos materiais de 42%, em média, principalmente em aço, cimento e tubos de PVC”, lamentou. 

O dirigente lembra que, diante da crise, “várias atitudes” foram tomadas pelas associações do segmento, em conjunto com a CBIC, que conseguiu do governo federal a diminuição pontual de tributos, além de possibilitar a importação de alguns materiais. “Isso já derrubou o preço e essa curva já está estabilizada, por isso não esperamos grandes aumentos [para os insumos], em 2022. Temos, em abril, o dissídio e estamos esperando um repasse de 10%, o que deve impactar no INCC [Índice Nacional de Custo da Construção]”, ponderou.

Albano Maximo lembra que outros assuntos caros ao setor também foram encaminhados pela CBIC, como a aprovação da modificação do Código Florestal, que foi uma luta “de muitos anos” para os empresários. Na análise do dirigente, a iniciativa deve gerar retorno, dada a quantidade de obras paradas por esse motivo. Em nível local, o executivo lembra que a indústria imobiliária chegou a passar dez meses sem a aprovação de nenhum projeto, que aguardavam aval de “órgãos de meio ambiente”. 

“Mas, tudo isso já foi superado, trabalhando com a Prefeitura de Manaus e o governo do Estado, e já conseguimos alavancar vários lançamentos. Temos grandes desafios para 2022. Em nível local, a CBIC está projetando um crescimento de 2% a 3%, o que é uma grande coisa, pois estaremos crescendo sobre um resultado que é o maior de nossa série histórica, desde 2015. E em cima de uma produtividade grande”, afiançou. 

“Mudança de perfil”

O diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina, destaca que o mercado sofreu uma mudança de perfil em relação ao ano passado, quando o maior número de unidades e de VGV era de unidades econômicas, do programa Casa Verde e Amarela. “Esse ano, os imóveis que tiveram maior destaque foram os de segmentos convencionais. Essa mudança se dá muito pela inflação, já que as famílias de renda mais alta tiveram um impacto menor. Em outubro, foram vendidos 12 tipos de produtos no portfólio do mercado, que incluem lotes, casas e produtos com preços acima dos R$ 2 milhões”, analisou.

O dirigente concorda que 2021 foi “extremamente difícil” e “complexo” para o setor, mas salienta que as empresas estão conseguindo concluir o ano com crescimento, dentro das projeções da entidade. “Temos de comemorar esse resultado. Costumo dizer que o mercado imobiliário é extremamente resiliente, se adaptando a mudanças. Esperamos que 2022 seja um ano de menos dificuldades, e de estabilidade. É bom lembrar que, se formos comparar 2017 com 2021, teremos um crescimento de quase 100%. Vamos conviver com aumentos de inflação e de juros, mas trabalhar firme para que os lançamentos e os empregos continuem acontecendo”, ponderou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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