O ritmo de inadimplência das empresas subiu 3,4% na comparação de julho de 2009 com igual período do ano passado no Amazonas. Foi o que demonstrou o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das pessoas jurídicas, que apontou igual variação na passagem de junho (26,3%) para julho deste ano (29,7%).
A elevação constatada pela pesquisa revela que a recuperação econômica a partir de maio, a queda da taxa básica de juros, a resposta no consumo do mercado interno e a volta gradual do crédito ainda não foram suficientes para as empresas reverterem os danos causados pela crise. Em nota ao Jornal do Commercio, os analistas da Serasa Experian apontaram que as empresas locais, a exemplo do que acontece a outros centros industrializados, ainda enfrentam problemas, em termos de liquidez, para financiar suas atividades, seus investimentos e renegociar suas dívidas. “Julho teve 23 dias úteis, dois a mais que junho. Isso, por si só, já justificaria um aumento nas estatísticas de inadimplência registrada pelas empresas durante o período”, ressaltou a nota.
Embora evite comentar questões de dívidas de pessoas jurídicas por desconhecer o assunto, o diretor executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Motta, afirmou que o real valorizado em um contexto de crise internacional acabou potencializando os efeitos da crise nas empresas que atuam no mercado externo. No entendimento do dirigente, as empresas cujas atividades estão direcionadas ao mercado interno têm melhores perspectivas de resultados, uma vez que há pouca luz no final do túnel para as indústrias atuantes no mercado externo. “O grande problema da crise no mercado é que a maioria das indústrias precisa de financiamento alto. O sistema financeiro tem dinheiro para emprestar, mas os juros continuam lá em cima, dificultando qualquer aplicação em longo prazo”, avaliou.
O valor percentual cravado durante o mês de julho fez a indústria a mais inadimplente entre os setores da economia local. Comércio (6,3%) e Serviço (2,8%) tiveram queda durante igual período, saindo, respectivamente, dos 7,1% e 3,0% apresentados em junho. Mas, apesar da alta registrada no acumulado, esses resultados são inferiores aos 30,2% de inadimplência, verificados no mesmo período do ano passado.
Acirramento da crise
O presidente da FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, explicou que o acirramento da crise no início do ano refletiu no comércio como um todo, fazendo o endividamento privado ultrapassar o endividamento público. Apesar disso, o empresário foi contundente ao afirmar que inadimplência é mera questão de incompetência administrativa, vinculada à liberação fácil de crédito e má gestão na hora da reposição de estoque. “A gente vê isso pelo número de empresas que se endividaram em 2008 e que, em 2009 vêm demonstrando dificuldade para arcar com essas dívidas. Em termos gerais, a inadimplência é isso: falta de administração em relação à concessão de crédito ao cliente e no trato com o custo final do produto”, criticou.
A previsão dos economistas da Serasa é de que a inadimplência continue alta em agosto, apesar dos dois dias úteis a menos que mês terá na comparação com julho. “A situação se manterá em patamares elevados na comparação com 2008, mas deve melhorar a partir da maior liquidez que deve ocorrer em outubro, por causa do Dia das Crianças, e mês do Natal”, destacou a nota enviada ao Jornal do Commercio.
Volume de crédito
O volume de crédito na economia continua em expansão. A queda das taxas de juros; o aumento dos prazos de financiamento; a ação mais agressiva dos bancos públicos em relação à política de concessão de crédito; a percepção de um ambiente futuro mais estável; o crescimento do setor imobiliário; a crescente utilização de meios de pagamentos eletrônicos que permitem parcelamentos; e o aumento da massa salarial são os principais responsáveis por essa expansão. Pelo menos na análise do professor doutor em economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.
No entendimento de Leite, o aumento da inadimplência se deve mais aos efeitos negativos da crise financeira internacional do que à expansão do volume de crédito. Desta forma, segundo o economista, não se pode afirmar com certeza a existência de uma bolha de crédito por falta de rigor na aprovação do limite de compras ao cliente. “Com juros menores é possível que o volume de crédito continue expandindo nos próximos meses. Isto é muito positivo para o crescimento da economia, uma vez que o crédito pode ser considerado o oxigênio da atividade econômica”, finalizou.
Por outro lado, em nível nacional, o faturamento das empresas, nos três primeiros meses de 2009 foram marcados pela diminuição no ritmo da atividade econômica no país, evidenciado pela tendência de queda de 5% nas vendas em geral, ante o primeiro trimestre de 2008. É o que revelou também a pesquisa da Serasa Experian, segundo a qual entre 2000 e 2008, as vendas do comércio acumularam 60,7% de crescimento, enquanto a indústria e os serviços fecharam com 48,5% e 36%, respectivamente. “Entretanto, o primeiro trimestre de 2009 mostrou queda generalizada nas receitas, quando comparadas ao mesmo período de 2008, sendo a indústria com -9,7%, o comércio com -1,1% e os serviços -2,2%”, traz a nota.
Com esse números é fácil entender que a queda na demanda nacional (com a escassez do crédito) e na internacional (com a redução das exportações) verificadas no primeiro trimestre de 2009 afetaram diretamente o setor industrial, principal motor da economia amazonense, provocando redução nas vendas, com a conseqüente redução da produção e elevação dos estoques, contribuindo com o aumento do desemprego e também da inadimplência.






