A alta acumulada do preço do minério de ferro não deve causar impacto significativo no PIM (Polo Industrial de Manaus), pelo menos no curto prazo. A avaliação é do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), baseada no elevado volume de estoques de insumos da manufatura manauense, em especial no polo de duas rodas.O segmento é um dos principais clientes da indústria metalúrgica da capital.
Outro fator a dissipar as preocupações do PIM é que a tendência do preço do minério de ferro –que foi cotado em US$ 119.8 por tonelada em agosto– é de queda no quarto trimestre.
Conforme o jornal Xinhua Economic Information Daily, da China, a Vale reduziu os preços da matéria-prima nos contratos com siderúrgicas chinesas em cerca de 10%, na comparação com o trimestre anterior. A expectativa é que a iniciativa contribua para preços mais baixos nos próximos meses. As exportações da commoditie cresceram 16,6% na passagem de julho para agosto e avançaram 27,9% em relação a agosto do ano passado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
O presidente do Sinmen, Athaydes Félix Mariano lembrou que todo aumento de preço causa transtorno ao setor, mas salientou que este ainda não teve reflexo no ramo. “As mudanças no valor do minério demoram cerca de três a quatro meses para mostrar alguma alteração no setor”, amenizou.
Félix Mariano afirma que o impacto é maior quando o preço sobressai o INPC (Índice Nacional de Preço do Consumidor), mas ressalta que clientes do segmento, como o polo de duas rodas, ainda mantêm estoque grande. “Com a crise, vendia-se menos do que se produzia. Por isso o estoque é significativo e a alta ainda não prejudica o ramo”, ponderou.
Reajuste surpreende construção civil
Na Aços da Amazônia Ltda, o minério é a base para o produto fabricado pela empresa, já que o foco da empresa é a relaminação de aço, cujo subproduto é fornecido para o Distrito Industrial. O supervisor de vendas, Jefferson Lima, explica que, devido ao universo de estabelecimentos que trabalham com a mesma atividade, a empresa não costuma aplicar o reajuste total no preço final. “As mineradoras vendem para as usinas, que repassam mais caro para a nossa empresa. Entretanto, como o setor deles é restrito, não há como negociar este custo. Mas, no nosso caso, como somos pequenos nessa cadeia toda, precisamos trabalhar com negociações. Se o consumidor considerar o produto caro, tem a possibilidade de comprar de outra companhia”, enfatizou.
No setor de eletroeletrônicos, de acordo com dados do IABr (Instituto Aço Brasil), em produtos da linha branca, como a geladeira, o aço compõe 55,1% do peso do produto e 9,9% no valor de venda.
Nas construções em geral, o IABr analisa que o aço é responsável por 4,6% no custo da obra e 2% no valor de venda de um prédio médio.
O presidente do Sinduscon/ AM (Sindicato de Construção Civil do Amazonas), Eduardo Lopes, desconhecia o valor cotado para o minério e ficou surpreso com o aumento, já que a última variação de preço, segundo ele, não havia sido tão significativa. “A Europa e os EUA estavam passando por uma crise econômica. Em função disso, as commodities, onde se encaixa o índice do minério, ou caíram de peso ou estabilizaram. Por isso, fico surpreso com essa notícia”, confessou.
O dirigente ressalta que tudo que encarece a construção civil é desagradável para o setor, mas disse que não sabe ao certo o tamanho desse impacto.







