Indústria perde 5,9 mil empregos

Em: 29 de julho de 2016

A indústria de transformação do Amazonas perdeu quase seis mil vagas no primeiro semestre do ano. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Previdência Social. O número aponta o setor como maior responsável pelo volume de cortes de vagas no período. Em relação a todos os setores econômicos, o Amazonas teve baixa de mais de 15 mil empregos com carteira assinada.
De janeiro a junho, a indústria estimulada principalmente por material de transporte e material elétrico e de comunicações, fechou quase seis mil postos de trabalho no Estado. As duas atividades foram responsáveis por 46% dos 5.974 empregos perdidos no setor durante o período. Somente em junho, a indústria de transformação fechou com saldo positivo de 320 contratações, depois de admitir 2.095 trabalhadores e desligar 1.775.
Para o executivo e presidente da Ciem, Wilson Périco, o resultado é reflexo direto do comportamento instável da política do Brasil. “O desemprego aumentando em todo o país provoca a queda do consumo e as pessoas que estão empregadas não tem confiança que permanecerão no emprego em médio prazo e também reduzem o consumo. Com isso diminui a demanda por novos produtos, reduz o ritmo nas linhas de produção e coloca em risco os empregos dessas linhas”, avalia.
Segundo dados do Caged, o comércio fechou o semestre com o segundo maior número de cortes de vagas. O segmento eliminou 4.782 empregos, sendo 89% no varejo. O setor de serviços apareceu, em seguida, com o fechamento de 4.268 vagas de emprego formal, puxado pelas atividades de alojamento, alimentação, reparação, manutenção e redação, que representam 56% do total de vagas eliminadas.
O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, também aponta a atual crise política como principal responsável pelo número de demissões no setor no primeiro semestre. Segundo ele, todo cenário econômico local gira em torno do PIM (Polo Industrial de Manaus) e em razão disso, foi fortemente impactado pela crise aguda. “Com isso o comércio, serviços, recursos e fundos foram influenciados negativamente pelo recuo da produção e consequentemente na baixa de empregos formais “, afirma.
A pesquisa aponta ainda que, a construção civil foi o único setor do Estado que fechou o semestre com saldo positivo de admissões. No total, foram geradas 210 vagas de empregos no semestre, e 534 novos postos, no mês de junho.

Cenário local

De acordo com o Caged, o Amazonas sofreu com a perda de mais de 15 mil postos de emprego celetistas, no primeiro semestre de 2016. O indicador é equivalente a menos 3,54% em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação ao mês de junho, foram eliminados 1,2 mil empregos formais no Estado. Se comparado com o mês de maio, houve recuo de 0,29% na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. O número mantém a tendência de mais demissões do que contratações, no entanto, a pesquisa mostra que, o volume é menor do que o mês de junho do ano passado, quando foram cortadas 3.859 pessoas.
Na variação mensal, os setores de serviços e comércio foram os que mais influenciaram o resultado negativo. Somadas, as duas atividades foram responsáveis por 1.948 empregos perdidos durante o período. No mesmo mês no ano passado, o Amazonas eliminou 3,8 mil postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, foram contratados 144.498 trabalhadores em oito setores econômicos, sendo o total de 181.073 foram demitidos. Isso mostra que 36. 575 mil empregos foram extintos, representando o equivalente de -8,06%. Nesse mesmo período, o saldo de cortes na indústria de transformação, ficou negativo de 22.332 vagas, se comparado com as 28.757 admissões contra 51.089 demissões.
De acordo com Azevedo, a incerteza no ambiente político desfavorece os investimentos no setor econômico do país, o que agrava as demissões. Na avaliação do vice-presidente da Fieam, o segundo semestre se mostra promissor para o setor industrial. “Quando houver uma decisão neste cenário, voltará a confiança e credibilidade para os investimentos e consequentemente o crescimento na produção industrial e admissões”, conclui.
Em contrapartida, o presidente da Cieam não acredita na possível melhora da economia ainda em 2016. “Não tem nada de novo e nada mostra isso. Espero que com a definição sobre quem estará à frente do país em agosto, as coisas se estabilizem e possamos buscar uma retomada do crescimento no ano que vem, mas esse ano acho muito difícil”, finaliza Périco.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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