Indústria puxa alta da arrecadação

Em: 25 de abril de 2012
Foram arrecadados R$ 975,72 milhões, aumento de 9,66% frente a igual período de 2011, segundo a Receita
Foram arrecadados R$ 975,72 milhões, aumento de 9,66% frente a igual período de 2011, segundo a Receita

O início de um aquecimento nas atividades industriais impulsionou a arrecadação federal no Amazonas em março. De acordo com os dados jurisdicionados pela DRF-Manaus (Delegacia da Receita Federal em Manaus) foram arrecadados R$ 975,72 milhões, aumento de 9,66% frente a igual período de 2011 e crescimento de 31,3% em relação ao mês imediatamente anterior, quando o recolhimento foi de R$ 742,8 milhões.
O resultado do mês permitiu ao Estado fechar o primeiro trimestre do ano com alta de 8,73% na arrecadação que somou R$ 2,66 bilhões contra os R$ 2,44 bilhões de igual intervalo do ano passado.
“O aumento da arrecadação deste mês está diretamente ligada ao recolhimento vindo do Distrito, sobretudo da boa fase do setor de bebidas em fevereiro, já que o resultado de março reflete o desempenho de fevereiro”, explicou o auditor fiscal da Receita Federal em Manaus, Marcus Fabiano Santiago.
Já para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, o resultado também pega resquícios do lucro das atividades de venda de materiais escolares realizadas em fevereiro.
“De uma forma geral, entramos em uma fase em que o governo federal está priorizando o mercado consumidor. O resultado do trimestre e do mês já é um primeiro bom sinal de que daqui pra frente o consumo só tende a aumentar”, explanou.
Segundo ele, medidas como financiamento para móveis e eletrodomésticos da linha branca para pessoas que fazem parte do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ do governo federal e juros mais baixos praticados pelos bancos privados seguindo o corte de 00,75% da Selic –taxa básica de juros- devem incentivar ainda mais o consumo nos próximos meses.
“Vamos aguardar o resultado da arrecadação de maio, que reflete o desempenho de abril, quando essas medidas começam a fazer efeito. Mas a expectativa é positiva”, projetou o economista.

Atividades

A fabricação de bebidas foi a atividade com o melhor desempenho, tanto em março quando registrou variação positiva de R$ 40,10 milhões quanto no acumulado dos três primeiros meses com R$ 38,26 milhões a mais no comparativo com o primeiro trimestre de 2011.
Em seguida apareceram a fabricação de produtos de metal (+R$8,76 milhões) e a atividade de transporte aquaviário (R$5,55 milhões).
Já no acumulado destacaram-se ainda o comércio varejista com acréscimo de R$27,36 milhões e atividade de eletricidade, gás e outras utilidades com R$ 16,85 milhões.
Em sentido contrário, recuaram as atividades de produção de motocicletas (-R$ 20,65 milhões no mês e –R$ 28,98 milhões no acumulado), as obras de infraestrutura (saldo negativo de R$11,93 milhões em março e de R$ 10,46 milhões no trimestre), além da fabricação de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-R$ 11,52 milhões em março) e da fabricação de produtos de borracha e materiais plásticos (-R$ 14,20 milhões).

Impostos

Entre os impostos que registraram maior variação positiva em março destacaram-se o IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) com 41,63%, a Contribuição Previdenciária (+24,61%) e o CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) com acréscimo de 18,94% sobre março do ano anterior.
De acordo com a análise da delegacia, o incremento no recolhimento do IRPF deveu-se aos rendimentos de residentes no exterior, que cresceram 164,30%, representando R$ 2,5 milhões de aumento na arrecadação.
Já a contribuição previdenciária foi influenciada pelo aumento do salário mínimo foi o aumento do salário mínimo e a CSLL pelo bom desempenho da indústria de bebidas, com elevação de 34,24% em março deste ano.
A retração ficou por conta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), com queda de 16,38% em março e de 26,96% no trimestre e do Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) cuja retração foi de 7,22% em março e de 0,20% no acumulado do ano.
Marcus Fabiano explicou que os recuos foram ocasionados pela mudança de jurisdição de algumas empresas. “Elas continuam produzindo aqui, mas mudaram sua sede para São Paulo, por exemplo. Assim os impostos passam a ser arrecadados lá. De qualquer forma não apresenta grandes efeitos para a atividade econômica, é só uma mudança interna”, resumiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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