O Prêmio Industrial do Ano 2026 evidenciou a força da liderança feminina na indústria amazonense, assim como a resiliência da Zona Franca de Manaus e a tradição de suas empresas. Ocorrida na noite dessa quarta (27), na sede do Sesi Clube do Trabalhador, a solenidade distinguiu as empresárias Zeina Russo, Rebecca Garcia, Mariana Barrella, assim como a executiva Milena Perez. Promovida pela Fieam, a premiação reconheceu à inovação, geração de empregos, sustentabilidade e fortalecimento do setor. Mas, esta foi a primeira vez, em mais de 60 anos, em que todas as premiadas são mulheres.
As homenageadas, assim como outras lideranças empresariais e políticas ouvidas pela reportagem, reforçam que a premiação coloca em evidência a força da ZFM, que enfrenta mais um round nos tribunais. Duas semanas atrás, Fiesp e Abinee ingressaram com uma Ação Civil Pública, contestando os créditos presumidos de IBS e CBS para as empresas locais, no âmbito da reforma Tributária. As fontes enfatizam que o reconhecimento do pioneirismo e inovação dos negócios geridos pelas empreendedoras é uma prova das contribuições da Zona Franca para a região e o país. E são unânimes em afirmar que o Estado sairá vitorioso nessa nova batalha.
O presidente da Fieam, Antonio Silva, abriu o evento destacando o diferencial da premiação deste ano. “Pela primeira vez, esta casa tem o privilégio de destacar quatro mulheres símbolo de liderança, resiliência, dinamismo, sustentabilidade, inovação e sucesso na indústria. A Fieam presta homenagem a representantes autênticas de uma nova geração de líderes. Mulheres que protagonizam, inovam, decidem e mudam realidades. São talentos que fortalecem empresas, instituições, comunidades. Liderança feminina é sinônimo de competência, visão e transformação em movimento e prosperidade”, emendou.
Em conversa com a reportagem, logo após o evento, o dirigente disse que o diferencial que as principais virtudes que colocam um industrial em destaque são vontade e determinação. E se mostrou otimista em relação à resposta da ZFM nos tribunais. “A Fieam e as demais entidades classistas tomaram todas as devidas providências para acompanhar o caso. O vice-governador, Serafim Corrêa, está comandando isso, juntamente com a Procuradoria Geral do Estado. É mais um obstáculo que vamos transpor, com certeza. O desenvolvimento do Brasil passa pela Amazônia, quer queira, quer não queira”, afiançou.
Tradição e diversidade
A primeira a subir no palco foi a ex-presidente da Abrasel-AM, ex-presidentte do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas, e proprietária Requinte Pães e Tortas, Zeina Russo, que foi premiada como Microindustrial do Ano 2026. “São 43 anos de empresa transformando farinha em oportunidades, café em encontros e padarias em espaços de afeto e desenvolvimento. Sou eternamente grata a cada pão produzido, cada colaborador que caminhou conosco, cada cliente atendido e cada ação em prol da panificação fazem parte desta conquista”, ressaltou.
Na sequência, a Recofarma Indústria do Amazonas foi reconhecida como Empresa Exportadora do Ano 2025. Quem recebeu o prêmio foi sua diretora sênior de Operações Técnicas e Cadeia de Suprimentos da The Coca-Cola Company, Milena Perez. “Acreditamos que diversidade gera inovação, crescimento e impacto positivo. Há 35 anos no PIM, a Recofarma constrói uma trajetória baseada em parceria, inovação e investimento contínuo no Amazonas, sempre acreditando que crescimento econômico e impacto social caminham juntos. Nossa atuação movimenta não apenas empregos, mas toda uma cadeia produtiva que gera oportunidades e fortalece comunidades da região. Seguimos acreditando e investindo no Amazonas”, asseverou.
A economista, empresária, ex-deputada federal e ex-superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, foi agraciada com a Ordem do Mérito Industrial Moyses Israel. “Defender a ZFM é defender um projeto nacional, que gera emprego, renda, conhecimento tecnológico e inclusão social. E que permitiu ao Brasil ocupar a Amazônia pela inteligência econômica e não pela destruição dos seus recursos naturais. Mas acredito também que estamos diante de um novo cenário. Precisamos fortalecer a indústria, ampliar nossa competitividade, investir em educação, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento. E, ao mesmo tempo, construir as novas cadeias econômicas ligadas à bioeconomia, agregando valor à biodiversidade amazônica”, destacou.
Também representante de uma segunda geração de uma família dedicada à indústria, a CEO da Tutiplast, Mariana Barrella, foi a escolhida para receber o prêmio de Industrial do Ano 2026. “A região precisa ser valorizada e nosso objetivo é continuar investindo. Temos projetos de bioeconomia, que conversam com o interior e uma cadeia sustentável de produção de bioplásticos. Também temos projetos de capacitação de mão de obra, em parceria com o Senai. Acreditamos no potencial da região e sempre buscamos levar conhecimento e informação sobre a ZFM. Eventos como este trazem mais clareza, para que as pessoas vejam o potencial da nossa indústria”, argumentou.

“Fumaça e onda”
Durante seu discurso, o governador Roberto Cidade, propôs estreitar ainda mais o diálogo com a indústria. “É muito importante valorizarmos as mulheres que têm a coragem de serem mulheres protagonistas. O Amazonas é um Estado próspero e que nos dá orgulho. Quero dizer à Fieam que o governo está de portas abertas para que a gente possa construir políticas públicas voltadas para gerar emprego, gerar renda. Não podemos abrir mão da ZFM, que é o nosso maior modelo econômico, gera emprego, e sustenta a nossa floresta em pé. E precisamos trabalhar também para criar matrizes econômicas, como o potássio e o gás, no interior”, discursou.
Logo após a cerimônia, o ex-governador do Amazonas e pré-candidato ao senado pelo Estado, Wilson Lima, ressaltou à reportagem a importância da premiação na conjuntura atual da ZFM. “A reforma Tributária ainda é uma preocupação, porque passamos agora por uma etapa mais silenciosa e perigosa. Um decreto, uma vírgula, uma decisão podem comprometer a ZFM. Mas, eventos como este são importantes para destacar a força e a importância da Zona Franca, com o empreendedorismo e protagonismo de suas empresas. E também mostrando que o Amazonas vem ganhando mais peso na balança comercial do Brasil, além de contribuir com o desenvolvimento da região e do país”, ponderou.
Também presente no evento, o deputado federal Pauderney Avelino (PSD-AM) foi mais enfático. “Essas homenagens são relevantes, porque reconhecem o trabalho das empreendedoras e suas empresas. Não é fácil empreender, sobretudo no Brasil. Quanto a essa questão da Fiesp/Abinee, trata-se de uma ação inepta, mais para fazer fumaça e onda do que outra coisa, Não há nenhuma chance de prosperar. Temos uma emenda constitucional, onde a ZFM está contida e preservada. E temos leis complementares que estabelecem as regras de como vai funcionar o novo sistema tributário no Brasil. E o fato é que depois de 2032, só teremos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus”, encerrou.







