A migração dos trabalhadores do PIM (Polo Industrial de Manaus), para outros setores parece ter encontrado nas pequenas indústrias, no comércio e nos serviços, a saída para o desemprego. Para quem atua numa área mais específica, com qualificação e especialização mais elevada, a saída é o profissional usar essa experiência como gestor ou mesmo como técnico, aplicando seus conhecimentos e habilidades aos novos desafios. Para as atividades mais ‘braçais’, a nova realidade tem feito com que os egressos do PIM se tornem empreendedores ou busquem vagas como empregados. O momento é propício ao se pensar no período como de readequação dos quadros de empregados e planos de novos
investimentos por parte dos comerciantes.
As novas vagas criadas nas empresas de pequeno porte representam um investimento de curto prazo, conta a vice-presidente da Abrh-Am (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas) Elaine Jinkings. “De um lado a pequena indústria oferece um patamar menor de remuneração, que o profissional aceita apenas para não ficar desempregado. Estas indústrias não tem como política desenvolver seus talentos e acabam aproveitando a oportunidade de poder contratar um profissional plenamente desenvolvido”, afirma.
Pouca qualificação é barreira
O desencanto com a indústria após a demissão e poucas chances de voltar às esteiras e linhas de produção, leva ao empreendedorismo, explica o economista e consultor, Francisco Mourão Júnior. “Os egressos do PIM tem a real visão do que está acontecendo no setor e veem a abertura de um negócio próprio ou emprego de colaborador. É hora de aproveitar as vagas ofertadas no Sine (Sistema Nacional de Emprego) e outros programas”, disse Mourão Júnior.
A migração já havia sido percebida pelo comércio varejista conta a presidente da Alasc (Associação de Lojistas do Amazonas Shopping), Mercedes Braz. “Do grande volume de currículos que recebemos para as festas de fim de ano, muitos eram de ex-empregados do PIM. É um fenômeno que vem se repetindo sempre com mais força a cada ano”, comenta.
Já para quem procura ser o próprio patrão, as dificuldades são maiores, conta Mourão Júnior. “Para muitos vindos do PIM, aquilo aprendido na linha de produção é a única qualificação. Isso faz do empreender uma tarefa difícil”, disse o economista citando ainda outras barreiras, a restrição de crédito e a inflação galopante. “Quando se consegue crédito, se esbarra com o baixo poder de compra do consumidor. Aí vêm as dívidas e o fechamento do negócio”, afirma.
Recolocação no mercado de trabalho
Para a vice-presidente da Abrh-Am, para uma rápida recolocação no mercado de trabalho o candidato precisa fazer a atualização de seu Curriculum Vitae, no modelo mais atual de apresentação, em que destaca as suas realizações e experiências profissionais. “Nesse momento, o candidato precisa explorar as suas realizações, do ponto de vista de passar para o Curriculum a história de suas realizações profissionais, sem que fique parecendo presunção ou mesmo citando resultados que não aconteceram, pois o profissional entrevistador sabe como verificar a veracidade e fazer os checks points necessários” ressalta Elaine Jinkings.
“Ativar ou reativar a sua Network: de amigos, colegas de profissão, colegas de trabalhos anteriores, informando sobre a sua disponibilidade e enviando o seu Curriculum Vitae já atualizado. As oportunidades de trabalho nem sempre são anunciadas ao público. Outra maneira é usar as redes sociais direcionadas para esse fim, como Linkedin, etc.”, fecha a vice-presidente.
Poucas contratações
Os primeiros três meses de 2016 serão de poucas contratações, segundo pesquisa do ManpowerGroup sobre a Expectativa de Emprego divulgada em dezembro último. De acordo com o estudo, o índice de contratação no primeiro trimestre do ano, deverá ficar em -13%, um número menor do que o de empresas que pretendem demitir. A pesquisa ainda elencou os setores com as piores perspectivas de novas vagas: Construção, Transportes e Serviços Públicos, Indústria, Serviços e Agricultura, pesca e mineração.
De acordo com pesquisa do ManpowerGroup, a perspectiva de demissões no Brasil para o primeiro trimestre de 2016, embora negativa, melhorou em relação ao último trimestre de 2015: o percentual de empregadores que preveem reduzir seu quadro entre janeiro e março caiu 4 pontos percentuais, passando de 23% para 19%. Já o volume daqueles que não deverão alterar a folha de pessoal subiu três pontos, saindo de 65% para 68%, e dos que esperam contratar permaneceu no mesmo patamar, de 9%.







