O artigo apresenta o desempenho mundial do Brasil em termos de Educação, alguns desafios educacionais e aponta o festival de inépcias no MEC que estão substituindo as metas do Plano Nacional da Educação.
No ranking internacional, o Brasil em termos de Educação tem sido motivo de vergonha:
Primeiro vexame: levou novamente peia no PISA 2018 57º lugar em leitura (413 pontos) com apenas 2% dos jovens brasileiros alcançando níveis altíssimos de compreensão de leitura, 66º lugar em ciências com 404 pontos e 70º lugar em matemática com 384 pontos. Em todos os casos, nossa média ficou bem abaixo da média dos países da OCDE.
Segundo vexame: Universitas 21
Segundo o Ranking of National Higher Education System 2019, um projeto internacional patrocinado pela Universitas 21, o qual avalia o desempenho de sistemas nacionais de ensino superior de 50 países, o Brasil ficou na 40ª posição com 44,1 pontos. Para esta análise eles levam em consideração 24 indicadores divididos em quatro módulos: Recursos, Política Ambiental, Conectividade e Resultados. Em grande síntese, o Brasil teve melhor desempenho em Recursos (25 o lugar), mas ficou na 41ª, 42ª e 47ª posição respectivamente em Resultados, Ambiente e Conectividade. Um dos pontos fracos foi o relacionamento do ensino superior com a indústria, obtendo a 45ª posição em termos de negócios e a 43ª posição em publicações conjuntas com a indústria. Mais detalhes dessa metodologia e seus resultados podem ser obtidos em http://bit.ly/2TAI2rp
Terceiro vexame: TALIS (OCDE, 2018)
A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2018, realizada pela OCDE e conhecida em Inglês como TALIS, revelou que os professores do Brasil são os que recebem os piores salários (último colocado) entre 48 países analisados. Segundo o relatório, os professores do Brasil recebem um salário em torno de US$ 13971 ao ano, sendo o país onde os educadores têm o menor poder de compra. Por outro lado, a Dinamarca é o local com os melhores salários, com US$ 42841/ano, podendo chegar a até US$ 55675/ano ao longo da carreira.
A pesquisa também aponta que os professores brasileiros não apresentam ganho salarial ao longo dos anos trabalhados, indo na contramão de países mais avançados em que os professores recebem aumentos salariais como parte de planos de carreira. Além disso, o estudo apontou que o ambiente das escolas de nosso país é duas vezes mais suscetível ao bullying do que a média geral das instituições de ensino em 48 países. Mais detalhes desta pesquisa, basta acessar o link http://bit.ly/372QOSO
Quarto vemaxe: Varkey Foundation (2018)
Segundo o Ìndice Global de Status de Professores de 2018, realizado pela Varkey Foundation, o Brasil ficou em último lugar (35 países) em termos de prestígio dos professores, o que pode apontar que nosso sistema educacional está obsoleto, necessitando urgentemente ser repensado por nossas autoridades. Mais detalhes da metodologia e resultado desta pesquisa podem ser acessados em http://bit.ly/2R61MBz
Do ponto de vista nacional temos vários desafios:
a) Combate ao analfabetismo funcional, uma vez que em 2018 quase 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade foram considerados analfabetos funcionais, ou seja, cerca de 3 entre 10 brasileiros têm muita dificuldade para fazer uso da leitura e da escrita e das operações matemáticas em situações de vida cotidiana, tais como reconhecer informações em um cartaz ou folheto ou ainda fazer operações aritméticas simples com valores de grandeza superior às centenas (INAF, 2018 p. 22 acesso em http://bit.ly/37j1mx6 );
b) estímulo ao hábito da leitura, uma vez que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano, para piorar, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro (Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, 2016 acesso em http://prolivro.org.br/home/ );
c) conclusão das centenas de obras de creches.
Segundo um relatório do IBGE, em 2017, nenhuma unidade da federação já atingiu a meta de universalização da educação do Plano Nacional de Educação (PNE). A situação é mais crítica na faixa etária de 0 a 3 anos, que tem meta de 50% de frequência à escola ou creche, mas que atingiu 32,7%. Para complicar, 1/3 das crianças de 0 a 3 anos mais pobres do Brasil está fora da creche por falta de vaga.
Segundo relatório da Transparência Brasil publicado em 2017 http://bit.ly/2tmtWiN, envolvendo estudo sobre 12.925 obras de novas creches e escolas pactuadas entre municípios e o FNDE, de 2007 até 27 de julho de 2017, apenas 37% (4.830) das obras foram concluídas, 642 foram canceladas e restam ainda 7.453 obras para serem entregues. Os dados mostram que das 7.453 obras de escolas e creches públicas, 29% encontram-se paralisadas e 17% atrasadas, o que representa 46% das obras que ainda precisam ser entregues. Destaca-se ainda que já foram gastos, pelo menos, R$ 1,5 bi com 1.9242 obras que estão paralisadas.
Não precisa ir muito longe, no JC-AM já publicamos mais de 15 artigos envolvendo irregularidades com fechamento de escolas, construção de creches e aluguel de imóveis. Algumas fotos, vídeos e documentos podem ser visualizados neste espaço http://bit.ly/365bjgt
Poderia elencar vários outros desafios educacionais como a evasão, violência escolar, etc, mas creio que o Plano Nacional da Educação (PNE) apresenta alguns desafios. Este plano completou 5 anos em 2019, foi sancionado em 2014 pelo Congresso Nacional, após longos e exaustivos debates. O PNE tem 20 metas para serem executadas até 2024, cuja maioria encontra-se atrasada e ao que parece relegada ao limbo no atual governo. Para se ter ideia, o PNE não apareceu nos debates, nenhuma vez foi citado nas superficiais 81 páginas da Proposta do Plano de Governo Deus Acima de Tudo, documento fraco apresentado nas eleições de 2018 e que não contém propostas para enfrentar os desafios supracitados.
Já passamos da metade do período do PNE e apenas uma meta foi cumprida, a que estabelece que pelo menos 75% dos professores da Educação Superior sejam mestres e 35% doutores. O fato é que o PNE consumiu muitos recursos na sua concepção até aprovação no Congresso, um avanço com metas claras, até custos para sua implementação foram estimados pela Inteligência Educacional dados http://bit.ly/2tvbNiE. No entanto, não há uma estratégia nacional para juntar a União, Estados e Municípios visando definir papeis, recursos, etc em prol da melhoria da qualidade do ensino.
Sendo sincero, para a educação e em especial para o PNE, o ano de 2019 foi de retrocesso, no lugar de um debate amplo e sadio para buscar formas de superar os desafios e buscar alcançar as metas do PNE, testemunhamos brigas, contingenciamentos, ataques as universidades, cortes de cargos, festival de inépcias com distrações (hino nacional, doutrinação, ameaça comunista, ataque ao legado do Prof. Paulo Freire, etc) para desviar o foco do que realmente interessa ao país.
Finalmente, você conhece as metas do PNE e o que os Governos estão fazendo para alcançá-las? Como cidadão preocupado com o futuro das nossas crianças, precisamos abandonar a paixão ideológica, temos que acompanhar e cobrar mais, pois a qualidade (serviços e produtos) começa e termina com a educação, assim dizia o professor e Dr. Kaoru Ishikawa, um dos gurus que ajudou a alavancar a educação e a indústria do Japão.
*Jonas Gomes é PhD em engenharia de produção no Japão pela Universidade de Gunma, vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Ufam, é articulista há 8 anos Jornal do Commercio






