A inflação no setor de serviços não administrados, termômetro da evolução de preços originados de demanda aquecida, acumulou em 12 meses até abril alta de 7,03% no setor varejista, dentro do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), mostra levantamento da FGV (Fundação Getúlio Vargas) feito a pedido da Agência Estado. Este é o maior nível para a inflação deste segmento desde maio de 2009 (7,09%), e acima da média da inflação varejista para mesmo período, de 5,79%, apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mercado, o IPC-M, que responde por 30% do IGP-M.
A despeito desse aumento já robusto, e das medidas do governo para arrefecer o ritmo de consumo do brasileiro no varejo, analistas não descartam a continuidade do avanço da inflação dos serviços este ano, o que pode dificultar a intenção do governo de voltar a atingir centro da meta inflacionária para 2012, de 4,5%. Responsável pelo levantamento, o economista da FGV André Braz informou que entre os 60 tipos de serviços livres pesquisados pela fundação, como manicure, dentista, e diarista, 77% apresentaram reajuste positivo de preços em abril deste ano – sendo que, em abril do ano passado, este porcentual era menor, de 70%. Estes preços representam 26% do total da inflação varejista medida pelo IPC-M. “O que temos aqui é uma continuidade da persistência inflacionária de serviços”, resumiu
Braz explicou que, até o momento, as medidas implementadas pelo governo para diminuir a oferta e a disponibilidade de crédito no mercado doméstico, bem como os aumentos sucessivos na taxa básica de juros (Selic), não tiveram efeito expressivo no setor. “Estas medidas do governo não foram inócuas; mas seu alcance no setor de serviços é fraco”, comentou.
Na prática, as iniciativas do governo para combater um crescimento exagerado no consumo, e assim conter o avanço da inflação, foram mais eficazes em inibir compras de bens duráveis, como automóveis e geladeiras, que são produtos de maior valor agregado e cuja compra é mais atrelada ao uso de financiamentos. Para Braz, a demanda aquecida no mercado interno ainda é impulsionada pelos bons números do mercado de trabalho, com massa salarial crescente, e pelos reajustes positivos no salário mínimo. Isso confere um poder aquisitivo maior à população, principalmente nas classes de renda mais baixas, o que fortalece a procura por serviços, elevando preços.
“Talvez um corte de gastos públicos, que inclua demissões por exemplo, seja mais eficaz para conter este impulso da demanda”, avaliou. Na análise do economista da Fecomércio-RJ, João Carlos Gomes, a trajetória crescente da inflação de demanda pode continuar a pressionar os indicadores inflacionários este ano, e se refletir no cenário de preços do ano que vem. “Até agora, não se viu um arrefecimento da demanda, que continua forte”, disse. Ele alertou que ainda há um segmento expressivo da população com apetite para compras, principalmente na área de serviços. “Dizer que já ocorre um ‘esgotamento’ no consumo do brasileiro é um absurdo. Existem gargalos grandes de consumo no mercado doméstico brasileiro.”
O atual cenário levanta dúvidas sobre a possibilidade de a inflação do varejo medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltar a convergir para o centro da meta inflacionária em 2012, de 4,5%, feita esta semana pelo presidente do Banco Central (BC) Alexandre Tombini. Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar este ano em 6,5%, e terminar 2012 com avanço de 5%, ou seja, fora do centro da meta.
“O que precisamos é de um ritmo mais intenso de aumentos na Selic. Se tivermos um ritmo mais pronunciado (de elevação de juros) talvez possamos voltar mais para o centro da meta em 2012”, avaliou. O economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio) e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, também observou que será difícil atingir o centro da meta no ano que vem.
Inflação de serviços sobe 7,03% em doze meses
Em: 6 de maio de 2011
Este é o maior nível para inflação deste segmento desde maio de 2009 (7,9%)
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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