Inflação do IGP-10 registra maior aumento em seis anos

Em: 17 de dezembro de 2010
A inflação medida pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) atingiu em 2010 o maior patamar dos últimos seis anos
A inflação medida pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) atingiu em 2010 o maior patamar dos últimos seis anos

A inflação medida pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) atingiu em 2010 o maior patamar dos últimos seis anos. Pressionada por alimentos mais caros no atacado e no varejo, o indicador finalizou o ano com alta de 11,16%, bem acima da taxa de 2009, quando encerrou em deflação (-1,68%) pela primeira vez em sua história, iniciada em 1993.
Na margem, o indicador também avançou, saltando de 1,16% para 1,27% de novembro para dezembro, também devido a alimentos mais caros, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Responsável pelo cálculo do indicador, o coordenador de Análises Econômicas da fundação, Salomão Quadros, não descartou novas ondas de aumentos de preços nos alimentos para o ano que vem.

Setor atacadista

O atacado, que representa 60% do IGP-10, foi o setor que mais contribuiu para o avanço do IGP-10 em 2010, entre os três pesquisados pela fundação. A inflação atacadista encerrou o ano acima da média, com alta de 13,73% em 2010, também a mais forte elevação anual desde 2004, e em trajetória oposta à deflação de 4,36% apurada em 2009. O grande destaque entre os aumentos de preços no atacado foram as matérias-primas agropecuárias e, em especial, as commodities agrícolas.
As elevações de preços agrícolas foram provocadas por fatores externos e internos. Entre os fatores externos está a continuidade no aumento da demanda internacional por commodities agrícolas, que se intensificou no segundo semestre e, em particular, entre os países emergentes. Na prática, isso acaba por elevar os preços no mercado doméstico brasileiro, visto que o aumento da oferta brasileira não acompanha no mesmo ritmo a elevação das demandas nacional e internacional.
“Não conseguimos dar grandes saltos na oferta como conseguimos na demanda”, avaliou o especialista da FGV. Entre os fatores internos, Quadros comentou que este ano contou com várias adversidades climáticas no Brasil. Isso prejudicou a oferta de alguns produtos agrícolas no país, e elevou preços.
Na avaliação do técnico da fundação, não há no longo prazo sinais visíveis de que possa ocorrer um recuo na demanda internacional por commodities, principalmente no setor agrícola, o que pode levar a novas ondas de aumentos de preços entre as matérias-primas agropecuárias atacadistas ao longo de 2011. No curto prazo, porém, pode ocorrer uma suavização nos preços das matérias-primas agropecuárias no atacado, na avaliação de Quadros.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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