Inflação para a terceira idade sobe 2,72% e atinge o maior nível em seis anos

Em: 14 de abril de 2010
A inflação medida pelo IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor – Terceira Idade), que apura o impacto de preços entre os idosos, atingiu no primeiro trimestre o mais elevado nível dos últimos seis anos
A inflação medida pelo IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor - Terceira Idade), que apura o impacto de preços entre os idosos, atingiu no primeiro trimestre o mais elevado nível dos últimos seis anos

A inflação medida pelo IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor – Terceira Idade), que apura o impacto de preços entre os idosos, atingiu no primeiro trimestre o mais elevado nível dos últimos seis anos. A informação foi divulgada ontem pelo economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz. Criado em 2004, o IPC-3i subiu 2,72% nos primeiros três meses do ano, após avançar 0,51% no quarto trimestre do ano passado.
Segundo o especialista, a inflação percebida pelo consumidor idoso foi influenciada por dois movimentos de pressão de preços. Um deles é o efeito sazonal, originado dos alimentos in natura, que sempre sobem de preço no início do ano, devido a problemas climáticos que prejudicam a oferta. O outro impacto foi originado de uma persistência de inflação de demanda, que eleva o consumo de alimentos em geral e de serviços, e sinaliza um mercado interno mais aquecido. “Temos inflação mais intensa este ano, e isso pode ser mensurado pelo índice que apura o impacto de preços na terceira idade”, afirmou.
No caso dos alimentos em geral, que representam 30% do orçamento mensal do idoso, a inflação neste segmento foi de 5,80% no primeiro trimestre, também a mais elevada da série histórica. Se fosse excluído o impacto dos alimentos in natura no cálculo do índice, o IPC-3i teria subido menos, apenas 1,86% no primeiro trimestre deste ano. Braz comentou que, mesmo para um início do ano, os preços dos alimentos in natura subiram de forma atípica no primeiro trimestre de 2010. Para exemplificar, ele divulgou a evolução de preços deste tipo de produto entre o primeiro trimestre de 2009 e os primeiros três meses do ano. Neste período de comparação, houve aceleração de preços em hortaliças e legumes (de 12,31% para 21,46%).

Quebra de safra

Outros alimentos de peso na formação da inflação do idoso também mostraram avanço significativo de preços, no mesmo período. É o caso de açúcar, que subia 20,17% no primeiro trimestre do ano passado, e avançou 24,38% nos primeiros três meses de 2010, devido a uma forte entressafra, além de problemas de oferta influenciados por notícias de quebra de safra na Índia. O leite tipo longa vida também foi destaque e a taxa de inflação do produto saltou de 2,94% para 18,85%, entre o primeiro trimestre do ano passado e os primeiros três primeiros meses de 2010, visto que o volume de captação do leite passa por entressafra, no início do ano. “Este produto tem estimativa de ficar mais caro nos próximos meses, pois a entressafra mal começou”, afirmou. A FGV também apurou fim de deflação no preço de arroz e feijão (de -5,39% para 7,78%), no mesmo período.
Além disso, houve uma recuperação nos preços das carnes no início deste ano. Este tipo de produto sofreu com a queda na demanda externa, no primeiro trimestre do ano passado, devido à crise global, e agora os preços não estão mais caindo tanto. A deflação de carne bovina diminuiu de -5,48% para -0,44%, entre o primeiro trimestre de 2009 e o primeiro trimestre de 2010.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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