Avanços na economia e nas questões sociais, mas passos lentos na resolução de problemas ambientais. As conclusões da pesquisa dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IDS 2008, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o Brasil ainda precisa efetivar políticas mais rigorosas para atingir o ideal previsto em 1987, pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Segundo essa comissão, o país precisa buscar um desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Alguns programas de empresas brasileiras vêm auxiliando na propagação desse paradigma.
A pesquisa do IBGE, divulgada recentemente, possui alguns indicadores positivos, como a redução do consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio, que caiu 87% de 1992 a 2006. A qualidade do ar nas grandes cidades também se manteve estável, os focos de calor foram reduzidos pela metade e o número de UCs (unidades de conservação) e de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) aumentou. No entanto, o Estado de Minas Gerais passou a utilizar mais fertilizantes e São Paulo mais agrotóxicos por hectare plantado, a poluição dos rios nas grandes cidades não foi reduzida e a apreensão de mamíferos capturados ilegalmente aumentou.
Iniciativa de pesquisa
Os dados considerados positivos na pesquisa são um espelho do que o país pode fazer para atingir indicadores de desenvolvimento sustentável mais satisfatórios e que, em sua maioria, refletem iniciativas do setor industrial brasileiro no desenvolvimento de programas que visam à redução dos impactos ambientais da sua atividade. A Natura, maior empresa de cosméticos do país, é uma das que já empreendeu diversas iniciativas nesse sentido.
Em continuidade ao seu Programa Carbono Neutro, a empresa lançou, em novembro de 2007, o edital público para a escolha de projetos de reflorestamento e de geração de energia limpa e renovável. O resultado foi divulgado: cinco projetos estão sendo financiados ao longo deste ano. Eles vão propiciar à Natura a compensação das suas emissões de GEEs (gases que provocam o efeito estufa) referentes ao ano passado. No total, a empresa vai compensar 224 mil toneladas de CO2 equivalentes, contra uma emissão de 183,6 mil toneladas, referentes a 2007.
Entre os parceiros da Natura, estão o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), a Ecológica Assessoria e o Instituto Ecológica, instituições que já mantêm um relacionamento histórico com a companhia. Além deles, foram selecionados os trabalhos da AMC Têxtil e das Cooperativas de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Os projetos relacionados a sistemas agroflorestais e de reflorestamento compensarão 54% das emissões de GEEs. Já as ações de energia renovável serão responsáveis por 46%.
Inscrições até setembro
O edital de 2008, que recebe inscrições até 5 de setembro, selecionará instituições que tenham compromissos socioambientais efetivos e monitoráveis, que permitam a geração de renda, a conservação da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos hídricos e dotados de um perfil inovador. A expectativa neste ano é atuar com projetos de desmatamento evitado e de reciclagem atrelados à questão do carbono, que irão neutralizar no decorrer de 2009 as emissões de GEEs referentes a 2008.







