Além dos peixes, os rios e igarapés possuem milhares de outras formas de vida embaixo d’água. São mamíferos aquáticos, plantas e até insetos. É da cultura do ser humano se sentir ameaçado pelos insetos, principalmente aqueles que voam. Eles acabam ganhando dimensões bem maiores que a real diante de olhos aterrorizados. Pois eles deviam sentir bem mais medo de nós. Afinal, o ser humano e suas ações que degradam a natureza é um dos maiores predadores dos insetos.
“Ações como despejar lixo, esgotos domésticos e resíduos químicos em igarapés, desmatamento, barragens, construção de estradas e a prático do garimpo podem poluir ambientes aquáticos, o que trás mudanças e adaptações em organismos que vivem nestas águas”, destaca a pesquisadora Neuza Hamada.
Para avaliar o efeito que estes impactos ambientais causados pelo homem deixam, os insetos aquáticos também se tornam objeto de estudo por estarem presentes na maioria dos ambientes aquáticos, além de serem sensíveis à mudanças nos ambientes, por acumularem estas substâncias e possuírem um grande número de espécies, diferentes modos de vida e serem fáceis de coletar.
Geralmente os insetos aquáticos despejam seus ovos em águas de igarapés não poluídos. Igarapé limpo? Como faz? O único jeito para estes insetos é se adaptar aos ambientes aquáticos existentes. Essas adaptações também são objeto de estudo do Laboratório de Insetos Aquáticos da CPEN (Coordenação de Pesquisa em Entomologia) do Inpa/MCT (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
O Laboratório faz parte dos grupos de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), coordenado pelo Inpa, que visa realizar estudos em organismos aquáticos e suas adaptações diante das mudanças climáticas e degradação ambiental.
“Há duas maneiras para que seja feita uma avaliação em um ambiente aquático. Uma delas é o biomonitoramento em insetos, peixes e plantas e a outra maneira é analisar as características físicas e químicas das águas como a quantidade de oxigênio, fósforo, nitrogênio, seu pH e temperatura”, ressalta Hamada.
Os igarapés possuem vários substratos que são importantes para os insetos aquáticos, podendo afetar no seu crescimento e sobrevivência. Estes substratos podem ser inorgânicos, como pedras e areia, ou orgânicos, como plantas aquáticas, folhiços, galhos e raízes. Os substratos podem servir como alimento e como abrigo contra a correnteza e os predadores.
São diversos os animais, como morcegos, aves, peixes, cágados, rãs e libélulas que utilizam os insetos aquáticos como importante fonte de alimento. Quando há poluição, a quantidade de muitos insetos diminui e alguns de seus predadores podem não sobreviver.
“Na natureza tudo é reciclado. Quando um ser vivo morre, outros organismos entram em ação, são os “recicladores” (bactérias, fungos e também os insetos). Em ambientes aquáticos, eles decompõem as folhas e organismos mortos e os transformam em substâncias mais simples, como detritos, que são usados como alimentos por outros seres vivos”, comenta Ana Maria Pes, pesquisadora bolsista do laboratório.
A maioria dos insetos coloca seus ovos na água, que são encontrados em grandes quantidades. Os insetos aquáticos quando jovem são bem diferentes dos adultos. Podemos chamá-los de larvas quando passam pela fase de pupa (estágio intermediário onde estas espécies produzem um casulo para se desenvolver) e só depois ganham asas. Alguns são chamados de ninfas quando ganham asas sem passar pela fase de pupa. Na fase adulta, estes insetos passam à viver em ambientes terrestres.
Insetos aquáticos e degradação ambiental são alvos de pesquisa
Em: 6 de maio de 2011
Além dos peixes, os rios e igarapés possuem milhares de outras formas de vida embaixo d’água. São mamíferos aquáticos, plantas e até insetos
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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