Instituições buscam profissionalização

Em: 15 de agosto de 2016
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Juros altos, índice elevado de desemprego e inadimplência tem exigido uma mudança emergencial na postura dos empresários amazonenses. Em meio a esse cenário econômico desfavorável, setores têm buscado formas de se reinventar e retomar o crescimento. Entre os que têm apresentado boas perspectivas a curto, médio e longo prazo está o da educação. Entretanto, é essencial que haja profissionalização das instituições de ensino. “Independente do porte da escola, o gestor precisa enxergá-la como um negócio, com organização orçamentária, marketing, atendimento, métodos pedagógicos e professores e funcionários bem qualificados”, disse Elaine Saldanha, presidente do Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Amazonas).
A presidente do sindicato afirma que a falta dessa qualificação na gestão tem contribuído para o aumento nos índices de inadimplência de muitas instituições de ensino, levando-as a fecharem as portas. “Por isso, principalmente nesse momento em que vivemos, inovar deve ser a palavra de ordem, afinal, a educação precisa se transformar para acompanhar um cenário em constante evolução”, frisou Elaine durante o Seminário de Educação Sinepe/AM, que aconteceu até está sexta-feira (12) e abordou melhorias para o ensino e formação dos cidadãos amazonenses.
Segundo a educadora, para uma educação de qualidade é necessário que os profissionais e instituições de ensino não se limitem apenas a conteúdos oferecidos nas salas de aulas, mas se preocupem também com a forma e com o que é ensinado hoje para uma geração nativa digital.
“Uma série de elementos essenciais deve ser necessária para uma educação de qualidade, como a cidadania, uma boa educação inclusiva, a especialização dos professores e pedagogos, melhoria de infraestrutura, o incentivo à socialização, a orientação aos pais e responsáveis, o estímulo à criatividade, o engajamento às práticas esportivas e à alimentação saudável, dentre outros”, pontuou a presidente do Sinepe/AM.

Especialista em educação
Um dos destaques do evento, que tem como tema “Educação de Qualidade: Desafios e Perspectivas”, foi a palestra do educador financeiro Reinaldo Domingos, que é presidente da DSOP Educação Financeira e da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), que afirmou que a escassez de profissionais e a busca por qualificação para enfrentar o mercado de trabalho mais retraído são os fatores que contribuirão para o crescimento educacional no Amazonas para os próximos anos.
“A profissionalização das pessoas e das instituições de ensino irá valorizar ainda mais um segmento que já tem apresentado sinais positivos. Investidores têm apostado cada vez mais na área educacional, principalmente após fusões e aquisições de grandes empresas do setor”, comentou o especialista financeiro.
Outro destaque do evento foi a palestra sobre “Educação Emocional para Educadores”, com a neuropsicóloga Alexandra Mourão, que abordou a importância de exercícios diários, como os de relaxamento e autoanálise, para lidar com as emoções. “Os educadores precisam ter inteligência emocional para exercer a sua função com tranquilidade, principalmente porque o papel deles tem mudado muito. Antes eram vistos como detectores de conhecimento, e agora são facilitadores do conteúdo, ajudando os alunos na trilha de aprendizado. E para isso é essencial que tenham conhecimento sobre si próprios”, disse a especialista.
Educação Inclusiva também foi tema do Seminário de Educação com a mestre em Educação Especial, professora Hortência Macedo, que falou sobre a importância de cumprir a legislação referente às diretrizes nacionais para a educação especial, e de que forma as instituições podem facilitar a inclusão social desses estudantes, como a contratação de professores que possuam conhecimento em leitura em linguagem Braille, compra de cadeira para canhoto, rampa de acesso, entre outras.
No último dia do evento, os participantes assistiram às palestras sobre “Prevenção às Drogas através da Educação Emocional e Valores Humanos”, ministrada pela escritora e psicóloga Isa Magalhães, “Desafios para este século 21: Tornar os alunos brasileiros bilíngues para atuarem no mercado global”, com a professora Adriana Albertal; “O Letramento e o Processo de Ensino-Aprendizagem da Linguagem no Contexto Escolar”, com Daniela Miranda, “Alimentação Saudável em Cantinas e no Horário Integral”, com a nutricionista Magali Dinelli; e “Programa Escola da Inteligência”, com a educadora Maria José Calmont.

Olimpíadas de matemática

Alunos de escolas particulares poderão se inscrever em 2017 na Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), maior competição do gênero do país, que reúne 18 milhões de estudantes e está na 12ª edição. A intenção é usar o campeonato como forma de melhorar o ensino de Matemática também nas escolas pagas.
“Há grande heterogeneidade nas escolas particulares. A grande maioria (delas) é bem fraca (no ensino matemático)”, afirmou o diretor adjunto do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e coordenador da competição, Cláudio Landim.
A participação dos alunos das particulares ocorrerá a partir do ano que vem. Uma das discussões é como evitar que os premiados sejam todos estudantes de instituições pagas mais conhecidas. “Estamos estudando se vamos oferecer ou não formação aos alunos das escolas particulares. Ainda não temos respostas. Até o fim de setembro ou outubro, isso estará acertado”, disse Landim.
Também não foi decidido como será a premiação. Uma proposta é que os alunos das escolas pagas sejam incluídos na categoria “seletivas”, em que há provas de seleção para o ingresso, como os colégios militares, de aplicação e institutos federais, e para as quais há limite de medalhas.
“Minha inclinação pessoal é que no primeiro ano a premiação seja feita separadamente da escola pública, para compreendermos melhor o desempenho das particulares.”
Landim espera ao menos 2 milhões de inscritos, o que deverá elevar o orçamento da prova de R$ 52 milhões para R$ 55 milhões. “A Obmep já virou programa de Estado, não de governo. Não estou temeroso com a crise financeira e o contingenciamento. Pode ser que o nosso orçamento sofra pequenas flutuações, mas a Obmep corre pouco risco.”

Apoio

Anualmente, 6,5 mil alunos recebem medalhas da competição -500 de ouro, 1,5 mil de prata e 4,5 mil de bronze. Todos ingressam no PIC (Programa de Iniciação Científica), passam a ser orientados nos estudos e também ganham bolsa de R$ 100 mensais.
A olimpíada também passará a aceitar alunos dos 4º e 5º anos do ensino fundamental -hoje a prova começa com estudantes do 6º ano. O Impa e a Sociedade Brasileira de Matemática continuarão organizando a Olimpíada Brasileira da Matemática.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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