O Estado do Acre há muito reivindicava a posse de parte do território do Amazonas que faz fronteira entre os dois entes federativos. O Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa ao nosso vizinho e sete municípios amazonenses tiveram sua integridade territorial despedaçada. Guajará, Envira, Ipixuna, Eirunepé, Pauini, Boca do Acre e Lábrea cederam terras aos acreanos, que reclamavam que a demarcação, feita ainda em meados do século passado, estava errada.
A decisão não chega a ser uma ameaça concreta à integridade territorial do Amazonas, mas abre um precedente que pode levar outros Estados a pleitearem parte de nossas terras. O Amazonas é o maior Estado da Federação e têm 98% de sua cobertura florestal preservada. Seu tamanho é um bem cultivado por quase todos os amazonenses, onde idéias separatistas, como a criação de territórios federais, que ajudariam no desenvolvimento econômico e na administração, não prosperam.
O Amazonas vive uma revolução pouco explicada e menos ainda entendida. O Estado deixou de ser um vazio econômico para se transformar na entidade que mais cresce em termos de produção industrial no Brasil. Ganhou importância política depois da criação da Zona Franca de Manaus e, devido à enormidade de seus recursos hídricos e biológicos, já garantiu para si um futuro entre as indústrias de biotecnologia, de cosméticos e pode exportar água quando este bem se tornar escasso no planeta.
Manter a integridade territorial é um dever primordial de qualquer Estado, embora as enormes distâncias entre esses municípios e Manaus tornassem insanas quaisquer medidas administrativas por parte do governo estadual. Há muito tempo que as populações desses municípios amazonenses buscavam serviços públicos oferecidos pelo governo acreano, cujas principais cidades estão próximas da linha de fronteira entre os dois Estados.
A reivindicação acreana pode até ter seu fundo de razão, mas agora cabe ao governo do Amazonas prestar mais atenção a esses amazonenses, que vivem tão distante de Manaus que a eles nunca chegam as benesses públicas. Com a perda de território vai também parte da população e, assim, esses municípios perderão receitas do Fundo de Participação dos Municípios, deixando os moradores que continuam sob a jurisdição do Amazonas mais pobres, mais desassistidos e mais distantes do centro das decisões políticas.







