Intenção de consumo dos manauaras recua no mês de fevereiro

Em: 19 de fevereiro de 2020
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Em Manaus, o índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) recuou 1,6% entre janeiro e fevereiro, interrompendo quatro altas mensais consecutivas, e trilhando caminho oposto ao crescimento da média nacional (+1,2%). Diferente do Brasil, contudo, a capital amazonense ainda tem níveis positivos de satisfação do consumidor. Os dados são da pesquisa da CNC, disponibilizados nesta terça (18). 

O ICF de Manaus atingiu 105,9 pontos – contra 107,6, no levantamento anterior –, mantendo-se na zona considerada de satisfação (igual ou acima de 100 pontos), onde está desde fevereiro de 2019 (102,9 pontos). Na média nacional, o indicador ficou em 99,3 pontos e avançou 0,8% no comparativo anual. Foi o maior nível brasileiro desde abril de 2015 e o melhor resultado para meses de fevereiro em cinco anos, mas seguiu no nível de insatisfação.

Apesar da queda, apenas três dos sete componentes do ICF retrocederam em Manaus: Renda Atual (-12,2%), Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-9,2%) e Emprego Atual (-6,9%). Em sentido inverso, Momento para Duráveis (+9,2%), Nível de Consumo Atual (+3,4%), Perspectiva Profissional (+2%) e Perspectivas de Consumo (+1,4%) foram positivos, embora com percentuais menores do que no mês anterior. No Brasil, apenas Momento para Duráveis (+5,4%) recuou na variação mensal.

A capital amazonense aparece levemente descolada da média da região Norte (-0,4% e 100,5 pontos). O maior grau do ICF aparece no Sul (105,9) – que subiu 0,5%. No segundo lugar, o Centro-Oeste (+0,7% e 100,7) foi a região que mais retrocedeu. O Sudeste avançou 2,3%, mas seguiu na insatisfação (99,5), enquanto o Nordeste apresentou a menor pontuação (94,9), embora tenha conseguido o segundo maior crescimento mensal (+0,8%).

Renda e emprego

Houve recuo nos indicadores de renda e emprego atual. No primeiro caso, a baixa foi puxada pelas famílias manauenses que ganham dez salários mínimos ou mais (-23,6%), situando o indicador em nível muito abaixo da satisfação (80,5 pontos). Em se tratando da satisfação com o emprego atual, a queda foi alimentada especialmente pelos consumidores com renda abaixo de dez mínimos (-7,5%). A mesma dinâmica se deu no nível nacional.

Entre os consumidores manauenses que ganham mais, houve queda para todos os subíndices e o menor encolhimento no nível de satisfação ficou na Perspectiva de Consumo (-0,6%). No grupo das famílias da capital amazonense ouvidas que dispõem de menor renda, o destaque é Momento para Duráveis (+13,6%). 

Acima da média

Para o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, as variações negativas mensais entre alguns subíndices do ICF, ou mesmo a diferença da dinâmica de emprego e renda entre os públicos que ganham mais ou menos, é irrelevante frente ao fato de que a capital amazonense dispõe de um nível de satisfação positivo e bem superior ao da média nacional.

“O consumidor de Manaus está extremamente confiante nas perspectivas da economia brasileira, conforme podemos comprovar nesta pesquisa, que é estritamente técnica. O destaque vem principalmente dos bens duráveis, já que a queda dos juros está facilitando o acesso e a aquisição de eletroeletrônicos, veículos e até imóveis. A relativa melhora no emprego na região também ajuda explicar a evolução do índice”, salientou.

“Recuperação gradativa”

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destacou o número reforçado nas perspectivas de consumo (+3,1%) e lembrou que, pela primeira vez desde fevereiro de 2019, a maior parte das famílias acredita que vai comprar mais no futuro. “A percepção superou também, pela primeira vez desde março de 2019, o nível de 100 pontos, evidenciando satisfação com as expectativas de consumir”, afirmou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o desempenho do indicador neste mês aponta uma recuperação gradativa do consumo, ancorada em fatores econômicos, como a redução do desemprego e o aumento das contratações líquidas, além da taxa inflacionária baixa. “Os brasileiros estão mais confiantes com a atividade econômica em 2020, aumentando assim sua intenção de consumir tanto no curto quanto no longo prazo”, concluiu. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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