Indústrias de duas e quatro rodas anunciaram investimentos que somados vão responder pela entrada de pelo menos US$ 220 milhões ou mais de 31% superior ao montante que seria injetado por esses setores no Amazonas. Em 2009, de acordo com os dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), as ‘recém-chegadas’ postergaram cerca de US$ 167.8 milhões em projetos industriais em razão da instabilidade econômica.
Com boa parte do capital prometido, sendo de origem chinesa e indiana, as novas fábricas de motos querem adensar a cadeia produtiva em Manaus para adequar-se às exigências da região, gerando no primeiro momento 2.800 empregos diretos, de acordo com a autarquia.
Na opinião do diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, a promessa das ‘novatas’ Jialing, Haojue e Zongshen é ampliar as opções de mercado com a produção de modelos populares com preço reduzido. Segundo o representante, na China existem cerca de 800 fábricas de motos de onde parte um terço do global exportado para o mundo, sendo a cidade de Chongqing, na China, o berço das maiores montadoras.
Dutra fez questão de frisar a atração que o Amazonas exerce sobre o capital estrangeiro, afirmando que toda forma de investimento que traga benefícios para o Amazonas é sempre bem-vindo. “Não devemos ter receios dos chineses, pois existe um PPB (Processo Produtivo Básico) para gerenciar a produção industrial no Estado. Entendo, sim, que a chegada dessas montadoras vai forçar a queda de preços dos modelos no mercado interno”, analisou.
O coordenador de vendas da Moto Traxx (pertencente ao Grupo Jialing), Roberto Carlos Silva Júnior, afirmou que uma das estratégias da marca para este ano é a parceria firmada com o Bank of China, já instalado no Brasil, e que tem linhas de crédito destinadas à venda de motocicletas Traxx. “Os investimentos da fábrica para este ano somam mais de R$ 100 milhões, distribuídos não apenas em ampliação da área construída em Manaus, hoje com 7.000 metros quadrados, mas também na diversificação do mix de produtos e rede de distribuição”, revelou.
Dados divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) apontam que as motos chinesas representam menos de 2% do varejo no Brasil, mas que já passam de dez as marcas envolvidas de alguma forma com o modo de produção dos asiáticos. A mais recente é a Green Motos, nome criado pelo grupo Rodobens para produzir por aqui motos da Chituma.
Sem revelar números de produção ou investimentos projetados, o diretor geral da Green, Mário Zidan, afirmou que o grupo Rodobens tem uma carteira de 400 mil clientes em todo o país, fato que será aproveitado para consórcio e financiamento dos modelos ‘made in Amazonas’. “Mais que produzir motos em Manaus, queremos adensar os níveis de fabricação trazendo empresas parceiras ou gerando uma cadeia de fornecedores locais para efetivar a nacionalização dos produtos”, revelou.
Já no segmento de quatro rodas, o polo industrial foi beneficiado com o início da produção de automóveis e comerciais leves da Effa Motors, que fechou o ano passado com um total de 914 veículos vendidos no atacado. Esse volume refere-se às 349 unidades do modelo M100 e aos 565 utilitários (picape, van e furgão) faturados aqui neste período.
Effa começa a produzir
Segundo o presidente da Effa Motors, Eduardo Effa, a meta da empresa para este ano é elevar suas vendas até dezembro para um total de 4.200 veículos – sendo 3.000 comerciais leves e 1.200 automóveis M100. O empresário considerou como forte razão para esse crescimento o início das operações da linha de montagem instalada em Manaus, que aumentará a disponibilidade de veículos utilitários nas concessionárias da marca. “Os primeiros veículos já estão sendo montados experimentalmente na unidade. A produção normal deve ser iniciada ainda em fevereiro. Nossa meta é produzir perto de 1.000 veículos em Manaus no primeiro ano de atividade”, disse.
Com relação às outras 2.000 unidades dos utilitários, Effa revelou que serão importadas ao longo deste ano, quando a empresa vai investir US$ 10 milhões no projeto inicial e gerar cerca de 200 empregos diretos na sua primeira etapa. “Como a Effa Motors iniciou sua operação no Brasil quase na metade de 2008, 2009 foi o primeiro ano completo de atividades da marca. Em 2010, já projetamos um crescimento expressivo de vendas”, afirmou o empresário, sem revelar números, mas acrescentando que os veículos montados em Manaus e os importados serão similares e custarão o mesmo preço para o consumidor final.
Estigma da qualidade
No entendimento do engenheiro mecânico e diretor de qualidade da produção industrial do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Geraldo Abdias Neto, as marcas chinesas têm procurado reduzir o estigma de ‘baixa qualidade’ que marcou a produção lig-lig. “É bem verdade que as marcas chinesas têm melhorado e podem se apresentar em 2010 com modelos 2011 com um rendimento parecido com motos de origem japonesa, uma vez que, se não aprimorarem na qualidade não vão permanecer num mercado muito exigente e competitivo”, finalizou.
Exemplos do poder de fogo das multinacionais asiáticas
-Jialing é considerada a maior montadora da China.
-Zongshen fornece a VBlade para Sundown e só para se ter uma idéia fabrica ainda turbinas de aviões.
-Haojue fabrica as Suzuki Intruder e Yes.
-Lifan tem como âncora a produção de motores para a Honda e BMW.
-Jianshe fabrica componentes para Yamaha
-Fym produz Scooter completos da Yamaha
-Loncin tem como um dos braços a produção da Amazonas Motos Especiais






