Os investimentos estrangeiros no país -no setor produtivo e no mercado financeiro- bateram recorde no primeiro semestre do ano. As transações do país com o exterior nas áreas de comércio e serviços, no entanto, apresentaram piora.
De acordo com dados do Balanço de Pagamentos, indicador que mede a vulnerabilidade externa do país e divulgados pelo Banco Central, os investimentos estrangeiros produtivos no país somaram US$ 2.72 bilhões em junho e US$ 16.7 bilhões no primeiro semestre de 2008.
Já os investimentos estrangeiros em carteira (no mercado financeiro) somaram US$ 405 milhões em junho e US$ 13.283 bilhões no acumulado do ano. Se na área financeira o país teve um desempenho positivo na relação com os outros países, o mesmo não ocorreu nas transações comerciais e de serviços e rendas.
As transações correntes, que medem esses três fluxos de dinheiro, registraram déficit de US$ 2.596 bilhões em junho, acumulando um resultado negativo de US$ 17.4 bilhões no ano -no mesmo período de 2007, o resultado era positivo em US$ 2.4 bilhões.
A conta de transações correntes é formada pelo superávit da balança comercial (US$ 11.35 bilhões no semestre), pelas transferências unilaterais (US$ 1.85 bilhão) e pelos serviços e rendas (-US$ 30.6 bilhões). A principal diferença em relação ao ano passado é o superávit menor da balança comercial, devido ao aumento das importações, e o aumento das remessas de lucros e dividendos das multinacionais, que somaram US$ 3.76 bilhões no mês passado e US$ 19.576 bilhões no ano.
Dentro da contas de serviços e rendas destacam-se também os gastos dos brasileiros em viagens internacionais, que atingiram US$ 1.05 bilhão em junho e US$ 5.5 bilhões no ano.
Aumento das reservas
As reservas internacionais fecharam o mês de junho em US$ 200.83 bilhões, um aumento de US$ 2.92 bilhões em relação ao mês anterior. Com a alta das reservas, o Brasil hoje é credor externo em US$ 19.926 bilhões.
As compras do Banco Central somaram US$ 1.98 bilhão no mês. Também houve um ganho de US$ 603 milhões com a remuneração das reservas e de US$ 335 milhões com a variação das cotações.
Durante o mês de junho, as reservas brasileiras atingiram pela primeira vez a marca simbólica de US$ 200 bilhões. No final de 2007, estavam em cerca de US$ 180 bilhões. A previsão é terminar 2008 em US$ 202.6 bilhões.
O aumento das reservas internacionais é uma estratégia do BC para garantir um “colchão” de proteção e reduzir o impacto de crises internacionais que possam levar a uma fuga de dinheiro do país. Elas mostram também que o país tem dinheiro para pagar sua dívida externa, o que reduz as chances de um calote.
Além das reservas (US$ 200.8 bilhões), o país possuía em junho US$ 2.69 bilhões em créditos no exterior e US$ 21.662 bilhões em haveres de bancos comerciais.
Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, o valor da dívida externa total alcançou US$ 205 bilhões em junho, um aumento de US$ 2,3 bilhões em relação ao mês anterior.







