Investimentos estrangeiros chegam a US$ 7.6 mi

Em: 28 de novembro de 2008
De janeiro até outubro deste ano, o IED (Investimento Estrangeiro Direto), caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia, somou US$ 34.74 bilhões, valor recorde para o período desde 2000, quando entraram no país mais US$ 32.77 bilhões
De janeiro até outubro deste ano, o IED (Investimento Estrangeiro Direto), caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia, somou US$ 34.74 bilhões, valor recorde para o período desde 2000, quando entraram no país mais US$ 32.77 bilhões

De janeiro até outubro deste ano, o IED (Investimento Estrangeiro Direto), caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia, somou US$ 34.74 bilhões, valor recorde para o período desde 2000, quando entraram no país mais US$ 32.77 bilhões. Nesse contexto, no Amazonas, o capital exterior participou com US$ 7.65 bilhões desse total, volume 58,05% maior que o mesmo período do ano passado, quando mais de US$ 4.84 bilhões foram injetados na região.
Os dados, divulgados simultaneamente pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e pelo Banco Central refletem o firme desejo das empresas estrangeiras manterem a liderança do ranking das maiores investidoras no Amazonas a despeito da crise financeira internacional.
Analisando os dados fornecidos pelo Departamento Econômico do Banco Central até o início da última semana de novembro, quando o IED já somava US$ 2.35 bilhões, com expectativa de chegar a US$ 2.8 bilhões, o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, afirmou que a assertiva de aumento de capital estrangeiro bate com as estimativas observadas pelos empresários locais, que esperam uma elevação dos investimentos a despeito da crise financeira mundial. “O nível de investimentos poderá ser alavancado ainda mais na possibilidade de o Brasil sofrer menos com a crise mundial do que outros países que não têm estabilidade política, econômica ou mesmo competitividade internacional em determinados segmentos, como a agricultura e pecuária”, completou. Em nível nacional, a projeção do Banco Central é de US$ 35 bilhões, valor que deve ser revisado em dezembro.

Japoneses lideram

Segundo dados da Suframa, através da Coordenadoria-Geral de Informações Sócio-Econômicas, as 34 empresas de capital japonês, focadas principalmente no setor de duas rodas, continuam sendo as que mais investem no Amazonas, pois ampliaram de 38% para 39,24% suas aplicações na região num volume que ultrapassou os US$ 2.12 bilhões numa realidade pré-crise. Este fato explica a opinião do analista de desenvolvimento da Moto Honda da Amazônia, Hayato Ikejiri, o qual comentou que, por concentrar praticamente todo o ciclo produtivo no Estado, o pólo de duas rodas continuará ainda por muito tempo sendo uma das principais âncoras da economia amazonense. “Como empresa japonesa, imaginamos desenvolver produtos de status fácil, prático e de confiança para continuarmos mantendo a liderança na categoria, além de priorizarmos os usuários de motos”, completou.
Apesar de serem a maioria entre as estrangeiras e terem saltado de 15,83% para 16,36% nos investimentos, as 41 indústrias estadunidenses foram apontadas pela Suframa na segunda colocação, com US$ 793.39 milhões injetados.
Essas empresas são ancoradas no desempenho da termoplastia e bebidas e foram seguidas das indústrias finlandesas de eletroeletrônicos (US$ 775.76 milhões), cujo norte se concentra no segmento da telefonia móvel no PIM (Pólo Industrial de Manaus).

Remessa de lucros supera entrada de capital

Mas o professor doutor pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Paulo Rodrigues Franco vê com ressalvas esse crescimento nos investimentos diretos de empresas estrangeiras no Amazonas, pois considerou que as entradas de capital foram apenas um pouco além do que o dobro, enquanto as remessas de lucro para o exterior triplicaram. O especialista argumentou que, apesar da elevação do IED, o Amazonas não leva vantagem em relação a outras regiões industrializadas, já que o aumento das remessas de lucros industriais para o exterior, mesmo no período pré-crise, superou a entrada de capital estrangeiro. “Há pouco investimento no plano social da cidade e na capacitação do operário, por exemplo. Pelo que sei, a maioria dos projetos industriais para o pólo industrial pouco ou nada inclui a formação de operários aptos a desenvolverem mais habilidades. É desolador”, concluiu.
No entendimento de Maurício Loureiro, entretanto, o capital de investimento fabril não se limita somente às fronteiras do país e o fluxo desses investimentos na área de produção deve ser crescente, assim como seus resultados. “Ou seja, se as empresas estrangeiras fazem investimentos no Brasil em dólares, euros ou outra moeda estrangeira e internam recursos no país, estes precisam ser registrados junto ao Banco Central como investimento estrangeiro, que programa as remessas de lucros ao exterior. Diga-se de passagem, essas remessas têm gravames tributários, logo não há o que temer com a chamada ‘fuga’ de dólares ou euros, pois existe previsão legal e limites para elas”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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