IPCA impacta viajar e comer fora, diz IBGE

Em: 9 de fevereiro de 2018
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Em decorrência da queda do índice geral da inflação, setor de serviços foi afetado em 0,16% em janeiro. Vendas de passagens aéreas e alimentação fora de casa foram impactados com mais intensidade, informaram dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados ontem (8), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para economistas, a insegurança frente ao futuro do cenário econômico e fatores como desemprego, influenciam no comportamento do consumidor na hora de gastar.

Segundo o presidente do Corecon-Am (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Mourão Júnior, um fator importante a se observar no preço das passagens aéreas, é a cobrança extra nas bagagens, que teve como resultado a queda nas vendas e consequentemente a baixa no valor das tarifas.

“Isso faz o consumidor recuar no quesito viajar e o torna mais prudente. Com isso ele começa a analisar o comportamento da economia e estuda as possibilidades para investir em uma futura viagem. Devido a isso, as empresas de aviação aérea reduzem os preços das passagens e consequentemente ocorre esse resultado de queda”, disse.

Mourão explica ainda, que a queda deveria ter ocasionado uma força de competição no mercado, com oferta e demanda. Mas, ao invés disso, teve um efeito contrário com retrações e baixas. E afirmou, que o setor ainda sofre as questões que envolvem a instabilidade econômica do país, e conta que apesar dos juros baixos, as empresas ainda têm dificuldades em se adequar aos novos preços.

“O setor brasileiro é um mercado fechado e ainda não foi aberto para empresas internacionais. Se tivesse mais empresas concorrendo haveria mais oferta e demanda dentro do segmento. Apesar da queda no valor das passagens o consumidor não se sente confiante em gastar, até por não haver outras opções”, explicou.

As mudanças no cenário econômico e a expectativa quanto às novas políticas de governo dos presidenciáveis, são outros fatores importantes a serem analisados. Se o presidente eleito tiver boas propostas e estas se concretizarem, haverá o aumento do consumo tanto das passagens aéreas como o de alimentos. “A tendência é que a partir do momento em que o consumidor se sentir confortável e que o cenário lhe dê certeza de que vai continuar empregado, isso aumentará a segurança em seu poder de compra”, afirmou Mourão.

Em relação a estabilidade no preço dos alimentos, o economista, Emerson Queiroz explica, que o resultado de 0,06%, implicará em maior planejamento das famílias para poder optar em comer fora de casa ou não.

“O preço dos alimentos caiu, e em decorrência, as famílias podem optar onde comer. Isso faz com que sobre dinheiro no bolso do consumidor e consequentemente aumente o seu poder de compra. Mas, isso não ocorreria se os preços da alimentação nos restaurantes aumentassem”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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