A transformação de Itacoatiara (município a 270 quilômetros de Manaus) em cidade portuária para atender Manaus é uma boa solução a problemas logísticos da capital. Empresários desejam mais dois portos na capital, próximos ao Distrito Industrial, mas, ao menos um projeto na região sofre forte pressão contrária de moradores e ambientalistas, que receiam grandes impactos no encontro das águas. Devido às dificuldades por espaços na capital, dirigentes avaliam como boa a opção de Itacoatiara. Apontam no entanto, a necessidade de melhorias na Rodovia AM-010, estrada que liga a capital ao município.
Ontem, durante uma entrevista à rádio Difusora de Itacoatiara, o governador José Melo anunciou um projeto para dotar a cidade com estrutura logística capaz de suportar as demandas de Manaus. Em seu pronunciamento ele defendeu também o rebaixamento do linhão de Tucuruí para o município e a extensão dos incentivos fiscais da ZFM (Zona Franca de Manaus) para a Região Metropolitana de Manaus.
Segundo Melo, a posição hidrográfica de Itacoatiara mantém um volume de água compatível ao recebimento de grandes embarcações, até mesmo durante a vazante. Ele afirmou que pretende instalar um porto bem estruturado, estimular a psicultura e a fruticultura e ainda lutar para levar os incentivos fiscais do PIM para a região. “O primeiro passo para atingir esses objetivos é fazer o rebaixamento do linhão de Tucuruí em Itacoatiara não apenas para oferecer uma energia elétrica de melhor qualidade para o povo da cidade e das redondezas, mas também para servir de suporte para os grandes investimentos que pretendemos implantar”, pontuou.
O governador também afirmou que pretende duplicar a AM-010 e instalar um polo de piscicultura e fruticultura, com destaque para o cultivo do açaí. O governador informou que o Estado está em negociação com o Banco do Brasil para comprar uma área de terra pertencente ao banco que abrange as localidades de Lindóia, Novo Remanso e a Costa da Conceição. Nesses locais serão desenvolvidos projetos referentes ao setor primário.
“Pretendemos desenvolver a agricultura de grande porte, sobretudo, peixe de cativeiro. Fruticultura porque esse é um projeto macro que vai dar com toda certeza emprego e renda para esse povo todo que mora em Itacoatiara”, explicou. “O projeto de fruticultura e criação de peixe vai ter reflexo positivo sobre Urucurituba e outros municípios como Silves, Itapiranga, Urucará, São Sebastião do Uatumã e até na região que abrange os municípios de Maués e Barreirinha”, reforçou.
Para o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva, a adaptação do atual porto existente em Itacoatiara para o embarque e desembarque dos produtos do PIM é uma alternativa viável. Porém, ele alerta para a necessidade da duplicação da estrada que dá acesso ao município. “É importante que a rodovia seja trafegável para transportar essas cargas. Mas é uma possibilidade sim”, disse.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, concorda com a transformação do município em cidade portuária. Porém, ele afirma que é preciso levar em consideração a distância a ser percorrida. “É uma possibilidade. Não me oponho, mas é preciso avaliar a questão da distância. Se a solução de um porto próximo ao distrito não for viável por questões ambientais, que tenhamos esse porto, então”, expressou.
Dois portos em Manaus
O presidente da Fieam, Antonio Silva, informa que o segmento industrial criou um projeto que defende a criação de dois portos em Manaus. Os locais para a instalação dessas estruturas seriam: Porto das Lajes (área tombada pelo poder público) e a área da antiga Siderama (Siderúrgica do Estado do Amazonas). Porém, até o momento a proposta do governo federal de construir um porto na capital aguarda tramitação no congresso por meio da MP (medida provisória) 595/2012, que trata sobre a modernização dos portos brasileiros. “Não temos novidades quanto a esse assunto. Mas estamos entregando o nosso projeto aos candidatos ao governo do Estado e também aos concorrentes à Presidência da República”, anunciou Silva. “Precisamos ter mais dois portos. Isso viabilizaria maior fluxo de cargas e mais competitividade. O atual porto deve ser utilizado somente para atividades turísticas”, completou.
Para o presidente do Cieam, Wilson Périco, o melhor local para a instalação de um porto em Manaus seria nas proximidades ao Distrito Industrial. Ele afirma que essa localização contribuiria para a redução no trânsito de carretas na cidade. “Quanto menos fluxo pelas ruas da cidade melhor. Porém, essa decisão não depende de nós, mas do poder público. É preciso ter vontade política para concluir esse trabalho”, disse.
Meio ambiente
Para o antropólogo, coordenador do NCPAM/Ufam (Núcleo de Cultura Política) e membro ativo do Movimento S.O.S Encontro das Águas articulado com a sociedade civil organizada em defesa do sítio arqueológico das Lajes e do Encontro das Águas, Ademir Ramos, explica que o fato de um patrimônio público ser tombado não significa que determinado órgão está impedido de desenvolver uma obra no local. Mas, sim, que o gestor precisa se responsabilizar pelas consequências ambientais que podem ser acarretadas ao patrimônio.
“O tombamento (do encontro das águas) não inviabiliza a obra. Porém, o órgão precisa cumprir as exigências legais quanto ao local”. “Precisamos de novos portos mas o problema é que alguns empresários não querem arcar com as questões ambientais e querem construir de qualquer forma”, alertou.






