Começa na segunda-feira (18), e segue até o dia 25, a 11ª edição do Festival Cultural do Brasil (Brasilianisches Kulturfestival), em Viena, na Áustria, no West, um centro de criatividade, cultura e urbanidade, e o artista plástico Jandr Reis irá representando o Amazonas com o vídeo ‘Mãos que matam’.
“É a segunda vez que participo do Festival. A primeira foi em 2017, e também fui o único representante amazonense. Expus no Castelo Ort, na cidade de Gmünden, onde estavam vários brasileiros”, falou.
Banhada pelo lago Traun, Gmunden é uma cidade famosa pela sua cerâmica de inspiração montanhesa. Os balneários da região têm sido visitados pelas famílias abastadas austríacas desde os tempos imperiais. Já o Castelo Ort, foi construído sobre as ruínas de uma fortaleza romana, em 1080, numa pequena ilha do lago Traunsee e é acessível através de uma ponte de 123 metros.
O Festival é promovido pela Sociedade Austro Brasileira de Educação e Cultura – Papagaio, tendo como parceiro, em Viena, o Weltmuseum Wien, museu etnográfico que abriga algumas das coleções não européias mais importantes do mundo.
“Trata-se de um programa de atividades do Brasil na Europa que inclui oficinas, exibições de audiovisuais, dança, música e literatura com o objetivo de promover a cultura brasileira entre o Brasil e a Europa”, explicou Vanessa Noronha Tölle, presidente da Sociedade.
Serão três mostras: de Artes Visuais, da qual Jandr Reis fará parte; de Literatura; e de Cinema, que contará com a presença do também amazonense, o cineasta Rafael Ramos exibindo seu filme ‘Manaus hot cit’.

Grande visibilidade
Em julho deste ano, Jandr Reis participou da ‘Mostra de Artes Visuais Tonga da Mironga’, na Casa de Cultura Brasil Áustria, em Aracaju, organizada pela Associação Papagaio em conexão com o Festival Cultural do Brasil deste ano.
“Em Aracaju, integrei a exposição coletiva com quadros da série Orquidário e Jaraquiart, além de apresentar meu vídeo ‘Mãos que matam’. Agora, para o Festival em Viena, mandei o vídeo, que foi selecionado”, comemorou.
“É de grande importância participar de eventos como esse porque dão muita visibilidade pro artista e enriquecem seu currículo. Como a Vanessa já conhece meu trabalho, fica mais fácil participar de eventos promovidos pela instituição que ela preside, e isso abre as portas para outros eventos”, destacou.
“Nas edições anteriores, o Festival resgatou a história e apresentou as potencialidades culturais e artísticas do povo brasileiro. Nesta edição, com o tema ‘Brasil do amanhã –um olhar para o futuro’, utilizaremos os recursos artísticos para levantar debates e discussões que sejam positivos e apontem soluções capazes de minimizar impactos da tecnologia no meio ambiente e reduzir o abismo tecnológico no futuro”, explicou Vanessa Noronha.
Vanessa é brasileira, produtora cultural e idealizadora do Festival Cultural do Brasil em Viena. Organiza exposições coletivas e individuais de artistas brasileiros no exterior, tendo participado de curadorias e exposições que acontecem principalmente na Áustria.


Jandr Reis, apesar de ter nascido em Óbidos, no Pará, se considera mais amazonense do que paraense, pois veio ainda criança para a capital amazonense. O vídeo ‘Mãos que matam’, foi matéria no Jornal de Commercio, em 2021, quando o artista plástico montou, junto ao Relógio Municipal, a instalação homônima com dezenas de luvas amarelas, com isopor dentro, boiando nas águas que cercavam o monumento histórico. Na ocasião, Jandr filmou as primeiras cenas para o vídeo. Naquele ano o artista também foi matéria no JC com a exposição individual ‘Jaraquiart – Jandr Reis 30 anos de arte’, no Palacete Provincial. A exposição voltou a acontecer este ano, com novos quadros, durante a Semana do Meio Ambiente, no Manauara Shopping.
Alerta contra a poluição
‘Mãos que matam’ é uma intervenção artística que Jandr Reis executou, em 2021, no meio da maior enchente já registrada da história de Manaus, em dois locais: em frente à Catedral Metropolitana, no Centro alagado da cidade, próximo ao Relógio Municipal, e no arquipélago de Anavilhanas, em Novo Airão, cidade turística localizada a três horas da capital amazonense, do outro lado da ponte Rio Negro.
“As ‘mãos’ representam as forças poluidoras presentes em nosso cotidiano que nos acenam como num triste cumprimento de adeus à natureza, e nos adverte sobre o acúmulo de lixo na cidade que, levados pelas águas das chuvas pelos esgotos, chegam aos igarapés e rios”, lamentou.
Em Anavilhanas, o segundo maior arquipélago fluvial do planeta, as luvas foram colocadas para flutuar nas águas do Negro em contraste com a natureza exuberante do igapó alagado. Nesta cena, o artista impacta a paisagem mostrando a perspectiva de um futuro tenebroso de poluição na Amazônia.
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