Em um universo predominantemente masculino, a participação das mulheres no empreendedorismo inovador está crescendo e mostrando novas possibilidades. Elas, que empreendem mais que os homens, estão, atualmente, fazendo transição de negócios, furando a bolha dos segmentos de beleza, serviços, e bem estar para arriscar em outras áreas. Para dar um raio-x sobre a participação das mulheres no ambiente de startups, o programa/mesacast Jaraqui com Economia desta quarta-feira, 03, contou com a presença da Lider da Comunidade Jaraqui Valley, Giselli Martínez.
Em bate-papo com os apresentadores e economistas de renome no Amazonas, Michele Aracaty, Mourão Júnior e Jefferson Praia, de Jaraqui para Jaraqui, Giselli avaliou o universo das startups no âmbito do Amazonas e a mobilização de mulheres e também falou sobre o trabalho desenvolvido no Jaraqui Valley. “As mulheres empreendem mais que os homens, mas em áreas mais ligadas a bem estar, moda, beleza e serviços e têm mais conhecimento e estudo do que os homens, mas os negócios delas são menos rentáveis do que os dos homens e menos escaláveis, o que é um certo problema para o princípio das startups. Quando vemos esse cenário, entendemos que falta isso. Faltam mais mulheres entendendo esse processo da escalabilidade e repetível. A idéia é que o negócio ultrapasse barreiras e se torne um negócio global”, disse, citando dados da pesquisa de 2020 da Rede Mulheres Empreendedora. “Por isso, ainda é preocupante em relação ao papel das mulheres nesse ambiente”, afirmou.
Membro da Jaraqui Valley, Giselli Martinez falou também sobre a entidade e garantiu: todos podem participar. “Os Líderes de Comunidade do Jaraqui Valley estão em todas as áreas. Temos desenvolvedores, agentes de marketing, jornalistas, economistas, pessoas da área da saúde, tecnologia e etc. É uma reunião multidisciplinar voluntária de profissionais. Todos são muito bem vindos. Basta todos estarem envolvidos de alguma forma. Alem dos talentos, estão presentes também membros do poder público, empresas, instituições de ensino superior e de pesquisas”, enumerou. “É um senso de pertencimento que nos move. Se eu sou uma profisisonal de uma área da tecnologia e posso contribuir para esse fomento, eu me sinto parte e procuro fazer ações. Líderes de comunidade são agitadores, que mantém a efervescência”.
No Amazonas, o Jaraqui Valley realiza meet ups; promove conexões e cria pontes para que os percursos das startups sejam mais curtos. E é por meio destes eventos pontuais em Manaus que GIselli busca empoderar mulheres, principalmente. “Estamos sempre buscando experiências interessantes entre esses perfis de negros, mulheres, indígenas, PCDs e LGBTQIA+ para trazer para os painéis, palestras e cases de sucesso”, disse, lembrando que há inúmeras linhas de fomento, aceleradoras e projetos voltados exclusivamente para mulheres.
Para a Líder Giselli Martinez, é necessário mais apoio público e de empresas ou entidades para que os programas do Jaraqui Valley consigam mudar o recorte atual, de homens, brancos e de classe média. “É o sonho de todo órgão de empreendedorismo ampliar seu universo de público. Sabemos que há muitos negócios tradicionais promissores e escaláveis escondidos nos bairros e há um abismo entre as empresas comuns e as tecnológicas. Acredito que um apoio maior dos poderes públicos pode ajudar a integrar mais essas populações”, avaliou.


Sobre os negócios inovadores do Amazonas, a especialista aponta a bioeconomia como a mais forte. “Já há muitos projetos de bioeconomia acontecendo, inclusive com incentivos do exterior, já que há muito interesse internacional nos nossos projetos. Há investimento em comunidades ribeirinhas, manipulação de produtos regionais e muitos órgãos se especializando nisso, como o Idesam”, apontou.
Para Giselle, a participação das mulheres segue uma crescente, mas ainda está abaixo dos homens no comparativo. “Temos mulheres ocupando cargos de liderança, diretorias, desenvolvedoras e grandes idealizadoras de projetos inovadores, mas ainda estamos muito longe do ideal”, opina.
Mas, o negócio é mais complicado. Giselli lembra que há uma questão cultural nisso. “A questão da educação precisa ser desmistificada. As mulheres são criadas e estudam pensando apenas em áreas tradicionais e para fazer concursos públicos, por exemplo. Nada contra essas opções, mas aí criou-se um déficit de mulheres em áreas de tecnologia, por exemplo. Isso é um ponto que precisa ser mais desmistificado, fomentado, estimulado e intensificado”, disse.
Se há uma crescente na participação de mulheres neste sentido, muito se deve a iniciativas como da Giselli, que com sua voz, seu trabalho, seu voluntariado e ar de sonhadora hightech, avança para folha da bolha e pavimenta um caminho de sucesso para novas startups e projetos femininos.
Sobre o programa
O programa/mesacast Jaraqui com Economia, há 6 anos no ar, é um projeto de extensão das atividades da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), com parceria do Jornal do Commercio e UniNilton Lins, falando de economia, com possibilidade da participação de estudantes da instituição acadêmica e contribuição para o desenvolvimento regional.
A gravação e transmissão é realizada pelo site www.jcam.com.br e pelas redes sociais do Jornal do Commercio (@jcommercio). Vai ao ar às quartas-feiras com apresentação e produção dos docentes e economistas Mourão Júnior, Jefferson Praia e Michele Aracaty.







