Jardim Clonal de Guaranazeiro Superadensado

Em: 21 de dezembro de 2017
Trata-se do desenvolvimento de uma técnica denominada Jardim Clonal de Guaranazeiro Superadensado, por meio da qual se poderá produzir um grande número de estacas, numa área reduzida
Trata-se do desenvolvimento de uma técnica denominada Jardim Clonal de Guaranazeiro Superadensado, por meio da qual se poderá produzir um grande número de estacas, numa área reduzida

O guaranazeiro (Paullinia cupana var. sorbilis) é uma planta genuinamente brasileira. Possui grande importância econômica e social, especialmente na Região Amazônica, onde mais de 70% de suas sementes são utilizadas pelas indústrias de bebidas, para atender ao expressivo mercado de refrigerantes e energéticos. Por motivo da existência de uma doença causada por fungo, a Antracnose, os plantios tradicionais de guaranazeiros do Amazonas, que historicamente vinham sendo estabelecidos unicamente com mudas formadas à partir de sementes, eram praticamente dizimados no campo ao longo dos anos, pelo fato de a população de guaranazeiros da região possuir em seu conjunto genótipos suscetíveis, que desenvolvem essa doença. Assim, mesmo se as sementes que darão origem às mudas forem colhidas de plantas matrizes que apresentam resistência, o mesmo não acontecerá com todas as plantas filhas, considerando que, durante o processo de fertilização de suas flores, haverá a concorrência de pólen de plantas suscetíveis, que darão origem a mudas também suscetíveis à Antracnose. Visando resolver tal problema, a Embrapa Amazônia Ocidental estabeleceu um programa de pesquisa voltado para a genética e melhoramento, por meio do qual passou a selecionar materiais genéticos que apresentam características agronômicas favoráveis ao cultivo. Com cerca de três décadas, esse programa já selecionou 18 clones de guaranazeiro, que foram oficialmente lançados como cultivares superiores, por apresentarem resistência à principal doença, a Antracnose, e serem altamente produtivas. Para possibilitar o emprego desta nova tecnologia de produção de mudas clonadas, houve a necessidade de a Embrapa concentrar seus esforços de pesquisa no desenvolvimento de um protocolo de enraizamento, que foi bem sucedido, e que hoje se constitui na base de sustentação da produção de mudas para o plantio de guaraná no Amazonas. Por outro lado, ainda prevalece uma grande limitação que é a dificuldade de se gerar propágulos das cultivares novas para abastecer os viveiros da região. Isso acontece porque, apesar de ter um crescimento lento nos dois primeiros anos, após adulta a planta se desenvolve muito, o que requer, para seu cultivo, espaçamentos consideravelmente grandes. Essas características impactam bastante o custo de manutenção das plantas no campo, considerando as necessidades dos tratos culturais, tais como: controles das plantas invasoras e das pragas; podas; adubações de cobertura e foliares; etc. Se essas dificuldades afetam as lavouras comerciais de guaranazeiros, certamente impactam ainda mais a manutenção de Jardins Clonais, cujo objetivo principal é obter estacas para o enraizamento e produção de mudas clonadas, em contraposição àquelas, que visam apenas a produzir sementes. Diante desta grande limitação, surgiu a necessidade de se pensar uma nova estratégia que possibilite a continuidade do processo de renovação e revigoramento da guaranaicultura no Amazonas, substituindo as lavoras antigas, improdutivas e suscetíveis à Antracnose, por plantios de materiais portadores de resistência estável, resolvendo-se assim o principal problema da cultura no campo. Seguindo esta linha de raciocínio, a Embrapa Amazônia Ocidental mais uma vez se faz presente, desta vez sugerindo um estudo que poderá resolver de maneira quantitativa e qualitativa esse entrave. Trata-se do desenvolvimento de uma técnica denominada Jardim Clonal de Guaranazeiro Superadensado, por meio da qual se poderá produzir um grande número de estacas, numa área reduzida. Além disso, existe a possibilidade de se conseguir uma drástica redução no tempo requerido para a formação dos propágulos, considerando que a técnica envolve o vergamento dos ramos, o que estimula as brotações, com profusões de ramos que darão origem às estacas para o enraizamento no viveiro.

Experiências com a cultura do cafeeiro Conilon foram bem sucedidas e, a produção dos propágulos, que em condições normais das matrizes demandavam um mínimo de dois anos, foi abreviada para apenas 7 meses. Maior número por unidade de área e menor tempo de produção de estacas, economias de espaço, mão de obra e insumos, são algumas das vantagens que advirão desta nova tecnologia, tornando a atividade mais atraente para os empresários que queiram aproveitar essa grande oportunidade de se tornarem produtores de mudas comerciais de guaranazeiros no Amazonas. Haja vista o status atual da cultura aqui na Região, que vem crescendo bastante com os estímulos apresentados pelas indústrias de refrigerantes. Segundo informações do IBGE (2015), o Amazonas produziu 855 toneladas de sementes secas, contra uma demanda anual das indústrias de refrigerantes instaladas no Polo Industrial de Manaus de 8.000 toneladas de sementes/ano. Portanto, a oferta de sementes pelos produtores do Amazonas tem suprido apenas cerca de 10% da demanda da indústria local, fato este que abre uma grande oportunidade para os novos empreendedores, dos diversos segmentos da cadeia produtiva da cultura do guaranazeiro, com destaque para a fase produtiva de campo, o que envolve o comércio de insumos, recipientes e embalagens para produção de mudas, construção de viveiros, implantação de jardim Clonal, produção e comercialização de mudas, plantios comerciais de guaraná, indústria de beneficiamento, dentre outros. Com o estabelecimento de uma programação especial para as fertilizações, voltadas para o crescimento vegetativo dos ramos, muda-se aqui, completamente, o enfoque que antes era dado para o manejo de um Jardim Clonal, que antes recebia tratos culturais idênticos aos plantios comerciais de guaranazeiro. Agora a proposta é a de manejar o Jardim Clonal de forma diferenciada, incluindo também a irrigação e todos os cuidados fitossanitários para que as matrizes possam garantir a sanidade, que será repassada às futuras plantas, por meio das estacas que delas serão coletadas. Importante destacar que as hastes obtidas por meio desta nova tecnologia são bastante uniformes e apresentam elevada qualidade fisiológica e fitossanitária, garantindo elevado índice de enraizamento e também grande uniformidade das mudas no viveiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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