Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, o ministro Nelson Jobim (Defesa) afirmou que o Brasil não pode deixar “que outros países digam quem são seus interlocutores”. A frase, dita no programa “É Notícia”, da RedeTV!, foi dada em resposta à recente declaração da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que disse que o Irã está enganando os que acreditam em acordo para o uso da energia nuclear para fins pacíficos – incluindo o Brasil.
Hillary veio ao Brasil na última quarta-feira, dia 3 de março, com a missão de pedir ao governo brasileiro que apoie o endurecimento das sanções contra o Irã, para tentar forçá-lo a manter o seu programa nuclear nos limite do uso pacífico. No mesmo dia, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia afirmado não ser prudente “encostar o Irã na parede”, mas sim, investir no diálogo para resolver o impasse sobre o programa nuclear de Teerã.
Institucionalizar relações com Brasil
O chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, falou ontem da necessidade de o Irã se aproximar ainda mais do Brasil e apostou por institucionalizar as relações futuras. Em reunião com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Rezende, que visita Teerã, o chefe da diplomacia iraniana ressaltou que a ampliação da amizade “beneficiará ambas as nações e não prejudicará nenhum outro país”.
“Teerã e Brasília mantêm boas relações e é necessário que no futuro se estreitem ainda mais através das instituições”, ressaltou.
“Hoje em dia, os dois países se apoiam mutuamente e são conscientes de seu potencial. Sua relação não afeta outros países e ambos não permitirão que outros interfiram entre eles”, acrescentou.
O ministro brasileiro, por sua vez, assinalou que os dois países acumulam um grande potencial apropriado para fomentar a cooperação bilateral em todos os campos e previu que a colaboração será ampliada de forma progressiva no futuro. Os laços bilaterais cresceram nos últimos anos, especialmente após a recente visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil. Está previsto que o presidente Lula viaje ao Irã em maio. Nos últimos meses, o Brasil se mostrou contrário à imposição de novas sanções ao Irã, de encontro à posição dos EUA e de outras potências europeias, que acusam o regime dos aiatolás de esconder um projeto bélico.






