Jogo inicial frustra expectativas

Em: 17 de junho de 2014
Comércio e setor de restaurantes apontam certa decepção com escolhas dos turistas
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Comércio e setor de restaurantes apontam certa decepção com escolhas dos turistas

A primeira partida da Copa do Mundo em Manaus, entre Itália e Inglaterra, no último sábado (14), trouxe um gostinho de frustração para o comércio e segmentos de alimentação que projetavam aquecimento com a presença de turistas no maior evento de futebol do planeta. Numa análise preliminar, se constata que apenas bares aumentaram a cartela de clientes, com alguns restaurantes registrando queda na demanda. Na Arena da Amazônia ainda acontecerão mais três partidas: Croácia e Camarões, quarta-feira (18); Estados Unidos e Portugal no domingo (22) e Honduras e Suíça, também quarta-feira (25).
Segundo a presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Janete Fernandes, não houve melhora no movimento dos restaurantes da cidade e, sim uma queda de cerca de 10%. Para Janete, os bares são os lugares mais procurados pelos turistas. “Eles não estão preocupados com selo de qualidade”, conclui ela sobre a escolha dos visitantes.
Para o presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), José Roberto Tadros, a vinda dos turistas atingiu principalmente os bares, restaurantes, hotéis e agências de turismo, mas não o setor comerciário. “Acredito que no comércio não houve grandes reflexos”, declarou Tadros.
A presidente da Associação de Artesões do Estado do Amazonas, Marileide Araújo, afirma que o fluxo de clientes foi pequeno. “Tinha muita gente, muito movimento mas poucos turistas gastaram”, afirma a artesã. Ainda segundo ela, o pequeno fluxo nas vendas era esperado, já que a Associação não contou com apoio de nenhum órgão governamental para a organização. “Agora para os próximos jogos vamos agir diferente, pretendemos chegar mais cedo e ficar até a noite. O que eles mais compram são as pequenas lembranças, artigos simples”, concluiu ela.
Nos estabelecimentos do grupo Búfalo, que compreende três churrascarias e uma galeteria, o movimento ficou aquém do esperado. Nos restaurantes a média de turistas era de 70% enquanto que de brasileiros era apenas 30%, segundo o gerente geral Jorge Leite. “Não alcançamos as expectativas, pois o público local não compareceu e não foi como esperávamos”, conta ele. Para Leite nos próximos jogos o mesmo deve acontecer.
De acordo com o gerente de vendas da loja Tropical Multiloja, Felipe Sanches, muitos turistas foram até o estabelecimento somente para se refugiar do calor: “Os turistas só entram para ficar no ar condicionado”, declara ele. Sanches também afirma que as vendas foram calmas, com maior movimento entre as 11h e as 13h da tarde.
Nas Lojas Baiano, o gerente, Genival Vieira, relata que as vendas foram poucas. Segundo ele, no dia do jogo, houve até queda.

Outro lado
Mas nem todo mundo sentiu frustração nas vendas. Na sorveteria Glacial, o sábado foi agitado e o calor colaborou para que o fluxo de clientes tivesse um aumento de 30% comparado aos dias normais. Do número total de consumidores quase metade era de estrangeiros que vieram até Manaus para assistir os jogos do mundial de futebol. Para o gerente da empresa, José Antônio Lóio, as expectativas foram alcançadas e as perspectivas prometem ser as melhores. “Esperamos nos próximos jogos atingir 40% a mais do que no mesmo período do ano anterior”, comemora Lóio.
De acordo com Mário Valle, proprietário do restaurante de comida regional Tambaqui de Banda, as expectativas foram superadas. “Nos preparamos para receber o dobro do número de pessoas que recebemos normalmente mas acabamos recebendo quatro vezes mais”, declara Valle sobre a unidade do Centro. O estabelecimento do bairro Parque Dez teve 20% a mais de procura. O empresário afirma também que está contratando mais pessoal para conseguir atender a demanda dos próximos jogos, que segundo ele, baixará na partida entre Camarões e Croácia mas deve voltar a aumentar no duelo entre Estados Unidos e Portugal.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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