Jornalismo amazonense verte lágrimas

Em: 3 de novembro de 2016
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Vítima de uma pneumonia, morreu no último domingo (30) o vice-presidente de jornalismo da Rede Amazônica e um dos fundadores do grupo, o jornalista Milton Cordeiro. O jornalista, de 84 anos estava internado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) tratando de um quadro grave da enfermidade. Após o velório em Manaus, o corpo seguiu para Belém (PA), onde será cremado. O empresário era viúvo de Maria Edy Cordeiro, que faleceu em 2014. Com 55 anos de casados, eles deixaram 5 filhos, 10 netos e 5 bisnetos.
Amazonense de Itacoatiara, Cordeiro concluiu o curso de Direito em 1963 pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Como bacharel, ele chegou a atuar como delegado de polícia. Foi repórter, redator, secretário e diretor superintendente executivo da empresa Archer Pinto. Em 1972, ajudou a fundar a Rede Amazônica com os amigos Phelippe Daou e Joaquim Margarido (falecido em 5 de outubro passado). Em 1980, assumiu a direção de jornalismo da Rede Amazônia e em 2000, se tornou o vice-presidente de jornalismo da emissora.

Reconhecimento feito em vida, com prêmio

Para homenagear os 80 anos do jornalista, a Rede Amazônica lançou, no dia 29 de novembro de 2012, em Manaus, o Prêmio Milton Cordeiro de Jornalismo. Na ocasião Cordeiro disse nunca se sentir tão grato. “Estou muito feliz. Não esperava um dia receber uma homenagem tão importante. É o coroamento da atividade profissional a qual dediquei a minha vida”, contou o jornalista.
Em nota, o prefeito de Manaus, Arthur Netto, também lamentou a morte de Milton. “Lamento muito a passagem do doutor Milton Cordeiro, que fazia parte do meu ciclo de amigos. Ele era de uma família muito ligada à minha. Meu pai era muito amigo dele. Uma figura sempre correta e cumpridora de suas obrigações. Ele nos deixou e abre um grande buraco na Rede Amazônica e, principalmente, para toda a categoria dos jornalistas que perde um grande profissional”.
O governo do Estado emitiu nota de pesar lamentando o falecimento. “Milton Cordeiro foi uma pessoa dedicada em integrar os povos da Amazônia pela comunicação. Ao lado de Phelippe Daou e Joaquim Margarido -falecido em outubro de 2016 -fundou um dos maiores grupo de comunicação da região Norte”, cita trecho da nota.
A CMM (Câmara Municipal de Manaus) também emitiu nota de pesar na manhã desta segunda-feira (31). “O Poder Legislativo Municipal se solidariza com os familiares e amigos de Milton Cordeiro”, cita o comunicado.
O diretor de jornalismo da Rede Amazônica, Luis Augusto Pires Batista, destaca a importância do trabalho desenvolvido pelo vice-presidente. “Ele soube construir essa redação nossa, que está em cinco Estados. Ao longo do tempo, a Rede Amazônica ampliou para o AmazonSat, para a internet. Ele sempre foi uma pessoa que esteve à frente desses negócios. Deixa um legado imenso.
A gente realmente sente a partida dele, mas por tudo que conviveu com a gente, tudo que nos ensinou, a gente tem um legado imenso para continuar fazendo esse jornalismo que ele idealizou”, disse.
O gerente do G1 Amazonas, Muniz Neto, relembrou a competência de Milton no trabalho cotidiano. “O dr. Milton era simples, correto e competente no seu trabalho. Um homem que nos guiava com sua experiência indicando o melhor caminho a seguir nas pautas diárias. Ele deixa o legado de um jornalismo responsável e que, com certeza, estará para sempre em nossas decisões e caminhos. É uma perda do tamanho do que ele representa para todos nós”, declarou.
O jornalista esportivo Dudu Monteiro de Paula, conheceu Milton antes de trabalhar na área jornalística. “Eu particularmente o conheci em outra situação. Jogava voleibol junto com meu pai e no dia seguinte que me apresentei para trabalhar aqui ele falou olhando nos olhos: ‘espero que você seja melhor jornalista que jogador de vôlei’. naquela brincadeira dele. Era um homem extremamente divertido, embora duro. Ele foi a pessoa que transformou a escrita em palavras. Ele sempre foi o responsável por conduzir o que ele escrevia para que nós locutores pudéssemos ler. Assim como ele era nosso mentor em nossos textos. É uma grande perda”, disse Dudu.
Para o vídeo-repórter Orlando Júnior, 22 anos de Rede Amazônica, o jornalismo amazonense perdeu um de seus maiores defensores. “Doutor Milton Cordeiro, ou simplesmente Miltinho, como era chamado carinhosamente na redação da Rede Amazônica, era uma pessoa muito justa.
Não media as palavras na hora de chamar a atenção de um colaborador e também sabia elogiar quando era necessário, sempre nos ensinava a trabalhar com ética e a valorizar o ser humano”, disse o profissional que venceu as quatro edições do Prêmio Milton Cordeiro de Jornalismo em várias categorias.
A atuação de Milton Cordeiro também foi notada na rádio. “O jornalismo da Rádio Amazonas existe pelo interesse do dr. Milton. Um homem firme nas suas convicções, forte nos seus dizeres, mas um ‘paizão’. Um cara que nos ensinava. Aprendemos muito com dr. Milton.
Para a família, nossos pêsames. Não temos dúvida que o jornalismo perde um grande nome, um grande homem, um grande profissional”, disse o radialista Patrick Motta.
Wilson Périco, presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), disse que tinha contato direto com “Dr. Milton”, como era conhecido. “É uma perda inestimável. Nesse momento de dor, o que devemos lembrar é o legado e toda a contribuição de aprendizado que ele deixou”, lamentou.
O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas), Nelson Azevedo, lembrou do caráter do amigo. “Eu acredito que é uma pessoa que marcou a história no nosso Estado, um exemplo a ser seguido e imitado por sua conduta. Ele gozava de muito prestígio junto à classe empresarial do Amazonas, tanto na indústria, comércio e agricultura. Ele possuía um conceito exemplar perante às classes”, comentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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