Jovens lideram novos negócios no Brasil

Em: 5 de novembro de 2022

Empreender continua sendo opção para quem busca sobreviver aos efeitos causados pela pandemia. O número de profissionais no Brasil que trabalham por conta própria chega a 25,7 milhões. A informação é da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)  Contínua, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o Sebrae, 23% dos empreendedores no país investiram por necessidade. Provando que a pandemia foi a principal responsável pelo crescimento. Curioso é:  quando observa-se  o perfil predominante dos empreendedores muitos são jovens menores de 18 anos entre MEIs (Microempreendedores Individuais). Dados do boletim divulgado pela Datahub, plataforma de Big Data & Analytics, revelam que o crescimento é vertiginoso, 226,7% neste primeiro semestre em comparação com o semestre anterior  no número de empresas abertas por essa faixa etária.

Para se ter uma ideia, somente nos seis primeiros meses deste ano, jovens menores de 18 anos abriram 1.173 MEIs no país, ante 359 em 2021. Atualmente, o país registra 2.328 MEIs ativos com essa faixa etária.

Ainda segundo a pesquisa, as regiões Norte e Nordeste foram as que mais tiveram aumento significativo. No Amazonas, o aumento semestral foi de 800% (saindo de 1 para 9 MEIs) em um total de 24 empresas deste segmento no Estado.

“Quando falamos dessa faixa de menores de 18 anos trata-se de jovens formalmente emancipados, como exigido por lei para abertura de MEI. Podemos tomar esse aumento como reflexo de jovens que estão vendo o empreendedorismo como fonte de renda, impulsionado sobretudo pela internet que se mostrou durante a pandemia uma importante ferramenta para criação de novos negócios e oportunidades, em especial para aqueles que estão iniciando na vida profissional. Não à toa a faixa de 18 a 24 anos também sofreu um crescimento”, explica André Leão, Chief Product Officer da Datahub.

Márcia Lima, analista técnica do Sebrae-AM, destacou que alguns pontos devem ser considerados para entender esse aumento entre eles o cenário dos últimos anos, em especial em 2022, a falta de oportunidade do primeiro emprego somado ao número crescente de jovens buscando independência profissional, sem almejar uma carreira em uma organização como na época dos pais, quando isso era essencial. “Para finalizar a maior facilidade de acesso aos meios digitais que tornam mais simples abrir uma loja digital ou outras formas de empreender”, comentou. 

O consultor de empreendedorismo, Carlos Oshiro, destacou que os jovens hoje com a internet, dominam muito bem essa área. Ou seja, eles têm a possibilidade de empreender na sua própria casa. Muitos praticam o formato dropshipping -modelo de negócios que não depende de armazenamento ou de estoque, pois conseguem vender produtos de outros países fazendo somente a ponte e recebendo a sua comissão. “Muitos, também, trabalham com cursos online, principalmente voltados para internet e através disso eles vendem conteúdos, ebooks voltados para algo mais específico, especialmente com relação ao marketing digital. Os fatos comprovam os números. Os jovens empreendedores do quarto da sua casa fazem competição com grandes organizações que têm uma estrutura física pesada e com alto custo por tras”, enfatizou.

Justificando o crescimento, o consultor de negócios Marcel Lima,  ressaltou que o crescimento no número de novos empreendedores jovens nada mais é que o reflexo do desemprego que impõe a necessidade de trabalhar por conta própria.  Além disso, as características desses jovens por si só já revelam inquietude, onde muitos têm muitas ideias em potencial para concretizar um negócio. “Outro fator é que empreender chegou a ser a única alternativa tida como fonte de renda acessível para muitas famílias. Boa parte, arregaçou as mangas e colocou planos em prática, na tentativa de levar o sustento para dentro de casa”, afirmou. “Muitos pais ficaram desempregados e os filhos tiveram um papel fundamental dentro desse contexto”, acrescentou ele. 

Outros números

Sergipe teve o mesmo crescimento, saindo de 2 empresas no semestre passado para 15 neste ano. O Rio Grande do Norte saltou de 1 para 7 empresas, chegando a 14 no total. Já Rondônia cresceu 566%, saindo de 3 para 20 empresas abertas. Por fim, a Paraíba cresceu 550%, aumentando de 4 para 26 empresas abertas por jovens menores de 18 anos.

O aumento também se deu em regiões mais populosas como Sul e Sudeste, o que já era esperado devido à concentração populacional do país. Em São Paulo foram abertas 253 novas empresas por esses jovens, seguido de Rio Grande do Sul (145), Minas Gerais (141), Paraná (129) e Santa Catarina (115).

A abertura de empresas por jovens entre 18 e 24 anos teve um crescimento de 16,7% neste semestre. Ano passado, foram abertas 239.238 MEIs nos primeiros seis meses, já neste ano esse número saltou para 279.106 empresas. Conforme o relatório, o Estado de Roraima obteve o maior aumento semestral de 36,4%, saindo de 500 para 682 empresas abertas por esse público. Em seguida, aparecem os Estados de São Paulo (29,6%), Acre (25,8%) e Santa Catarina (25,4%).

Além das faixas de idade, o levantamento também traz a quantidade de MEIs ativas por gênero. O Brasil possui hoje 11,8 milhões de empresas ativas, sendo 49% comandadas pelo gênero masculino, 44,8% feminino e 6% considerados indefinidos, que são aquelas pessoas que não são passíveis de identificação.

Cenário

O boletim da Datahub também mostra o panorama geral das MEIs no país neste primeiro semestre. O estudo apontou um decrescimento de MEIs no primeiro semestre de 2022, em comparação ao mesmo período do ano anterior. A queda foi de 4,8%. Nesses seis primeiros meses foram abertas 1.549.606 MEIs, contra 1.627.745 abertas no ano passado no mesmo período.

Em relação às faixas de idade, as únicas que tiveram crescimento foram as menores de 18 anos e as entre 18 e 24 anos. As demais faixas tiveram queda de 6,5% (25-29 anos), 8,3% (30-39 anos), 9,1% (40-49 anos), 12,3% (50-59) e 15,4% (60 anos ou mais).

O estudo elenca também os setores que mais foram abertos neste ano como comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios, cabeleireiros, manicure, pedicure, promoção de vendas, obras, entre outros.

Por Andreia Leite

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Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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