O ano iniciou-se em ebulição, com a determinação judicial de bloqueio do site YouTube, que, entre outros, estava veiculando as cenas tórridas de uma apresentadora brasileira com o namorado captadas por um paparazzo em uma praia na Espanha. Tal determinação, inclusive reconsiderada posteriormente, gerou protestos, mas não trouxe muitos resultados práticos: o site continuou tecnicamente acessível, e o vídeo disponível em vários outros locais.
Assunto bastante discutido em 2007 foi o substitutivo aos três projetos de lei sobre crimes informáticos, que tramita no Senado e que tem como relator o senador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB). A íntegra do substitutivo veio à tona quando prestes a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça, ocasionando vários protestos diante do seu teor considerado temeroso ao futuro das comunicações internéticas. E nesse contexto Azeredo deseja integrar o Brasil à Convenção de Cibercrimes de Budapeste (ETS 185), do Conselho da Europa, mesmo o país não tendo sido convidado formalmente.
Ministros do Supremo Tribunal Federal tiveram as telas dos notebooks fotografadas durante sessão de julgamento, revelando vários comentários pessoais que o fotógrafo de plantão resolveu divulgar. Conversas e opiniões pessoais de serventuários da Justiça, provavelmente distraídos, foram misturadas a conteúdos oficiais e contemplados com publicação no Diário Oficial.
Tropa de Elite foi o primeiro “vazamento” significativo de um filme brasileiro na internet antes da estréia oficial. Isso não impediu que se tornasse um “blockbuster” — talvez até tenha colaborado, voluntariamente ou não, o que levou a cogitações de ter sido um feliz golpe de marketing com a ajuda da pirataria.
Bravo mundo novo de bandas como Radiohead, que lançou temporariamente seu álbum In Rainbows na internet perguntando quanto seus ouvintes querem pagar por ele, e se querem pagar por ele.
As comunidades sociais ganharam novas opções além do Orkut, e houve também a descoberta de mundos virtuais como o Second Life, incentivando o êxodo do mundo real.
O Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP, consultado, entendeu que os advogados não devem prestar serviços nesses ambientes que mais se assemelham a um jogo.
A Escola Superior de Advocacia da OAB-SP lançou seu primeiro curso de especialização em Direito da Informática, um verdadeiro marco para esta nova área.
Foram eleitos (e em vários casos reeleitos) os 11 conselheiros representantes da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil para o triênio 2007-2010, mas a participação das entidades interessadas ainda deixou a desejar, no Rio de Janeiro.







