Nunca o Amazonas produziu tantos artistas como nos últimos anos, e em todos os segmentos, cada um procurando ter vez e voz para expressar sua arte. Se não conseguem sozinhos, unem-se em coletivos seguindo a máxima de que ‘a união faz a força’. Dessa forma se apresentam nos mais diversos espaços, nem que seja nas ruas, onde o povo está. O Rodada Cultural Amazônica é um desses coletivos. Surgido esse ano, já mostrou a que veio.
“Somos um movimento artístico coletivo que nasceu com o propósito de fortalecer, valorizar e dar visibilidade aos artistas da região amazônica, promovendo encontros, apresentações e conexões entre diferentes linguagens culturais”, falou Thiago Santos, um dos coordenadores do Rodada.
“Mais do que uma união, somos um espaço de pertencimento, troca e construção coletiva, onde a arte é ferramenta de transformação social e valorização da Amazônia através do povo da floresta. O movimento é conduzido por produtores culturais, artistas e agentes da economia criativa, tendo à frente, eu, Jana Luz, e vários outros colaboradores”, completou.
Com menos de um ano de existência, o coletivo já reúne cerca de 140 artistas da música, dança, teatro, poesia, artes visuais, povos originários, cultura popular, performance e produção cultural, em sua maioria, talentos independentes em construção de carreira, além de artistas experientes, e já realizou duas edições no Largo de São Sebastião.

Sereia veio de Belém
“A 1ª e a 2ª edições do Rodada Cultural Amazônica aconteceram nesse espaço que se tornou um dos principais palcos culturais de Manaus. Na 1ª edição, em fevereiro, o movimento deu seus primeiros passos, reunindo artistas da Amazônia em um local aberto e de expressão, valorizando talentos locais por meio da música, poesia e arte. Foi o início da conexão entre os ‘diamantes’ da floresta, mostrando a força coletiva dos artistas independentes”, lembrou.
Na 2ª edição, ocorrida em março, o movimento ganhou ainda mais força, com maior participação de artistas e do público, consolidando o Rodada Cultural Amazônica como um importante ambiente de resistência cultural.
“O evento contou com a participação significativa de ‘diamantes’ como um, vindo de Belém, a dançarina ‘Sereia do Marajó’, além de um momento ímpar em homenagem a Michael Jackson, realizado pelo performer Rafael Costa, tornando a edição ainda mais marcante e emocionante”, disse.
Além das edições presenciais, o Rodada Cultural atua na articulação de parcerias, encontros criativos e incentivo à circulação artística. Atualmente recebe apoio institucional através de cessão de espaços e divulgação por parte de órgãos de cultura.
Recentemente a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas cedeu o icônico prédio do Ideal Clube para que os coordenadores do Rodada Cultural levem para lá ações de arte e cultura. De acordo com Thiago, “o belo prédio será utilizado como polo cultural com apresentações, ensaios e formações, tendo como foco o resgate das tradições da cultura do Estado”.
“Mas pretendemos continuar atuando com a visão da auto sustentabilidade sem deixar apagar a inquietação de artistas e produtores locais diante da necessidade de criar lugares mais acessíveis, democráticos e contínuos para a expressão artística na cidade”, afirmou.
Dois bons exemplos
Thiago gosta de contar as histórias de dois artistas que estão tendo seus sonhos realizados graças aos esforços do coletivo. O primeiro é Magno Fre’Sil, cantor que estava desiludido pela falta de oportunidades, em Manaus, e já pensava em se mudar para São Paulo.

“Conseguimos colocá-lo como cantor da nova banda Carrapicho e agora Magno está participando de shows pela cidade. É questão de tempo para fazer sucesso como Zezinho Correa”, adiantou.
O outro artista é Rafael Costa, que há anos personifica Michael Jackson. O performer ganhou um concurso para participar da première da cinebiografia ‘Michael’, em Berlim, na Alemanha, no dia 10 passado, mas não tinha dinheiro para as passagens de ida e volta, e nem para a estadia na capital alemã.

“Rafael ganhou projeção após subir ao palco do Rodada Cultural. O que se viu, desde então, foi uma verdadeira mobilização, com campanhas, apoio do público, articulações e uma rede que acreditou no potencial de um artista que representa a força criativa da Amazônia. Conseguimos angariar recursos para os gastos de Rafael, e ele viajou até Berlim”, comemorou.
No próximo dia 21 de abril, terça-feira, feriado de Tiradentes, acontecerá a 3ª edição do Rodada Cultural, no Largo de São Sebastião, das 15h às 23h, apresentando bois bumbás de Manaus, Magno Fre’Sil e integração com o grupo Samba do Largo, entre outros.
“Se você deseja aparecer e mostrar sua arte, será bem-vindo”, finalizou Thiago.
Como participar do coletivo: Instagram @rodadaculturalamazonica







