Juro menor incentiva concorrência bancária, avalia economista

Em: 28 de agosto de 2009
Com as taxas de juros mais encolhidas neste segundo semestre a tendência é a aceleração da concorrência dos bancos e a oferta de juros mais compatíveis à economia de mercado
Com as taxas de juros mais encolhidas neste segundo semestre a tendência é a aceleração da concorrência dos bancos e a oferta de juros mais compatíveis à economia de mercado

Com as taxas de juros mais encolhidas neste segundo semestre a tendência é a aceleração da concorrência dos bancos e a oferta de juros mais compatíveis à economia de mercado. A análise é do economista José Laredo, ao afirmar que na CEF (Caixa Econômica Federal) e no Banco do Brasil pode-se contratar financiamento de carro ou casa com juros um pouco mais reduzidos em relação a bancos particulares.
Segundo Laredo, sempre houve uma certa paridade entre os juros dos bancos públicos em relação aos privados, mas hoje essa situação mudou. Os bancos públicos -que no passado chegaram a ter taxas mais altas- hoje estão mais acessíveis. “Como o governo tem o controle acionário desses bancos, após a crise deflagrada no dia 15 de setembro de 2008, criou as políticas anti-cíclicas e com isso pode exercer o comando sobre a Caixa e o Banco Central fazendo com que baixem a taxa de juros e aumentem a expansão do crédito para forçar o consumo das pessoas e não estagnar a economia”, explicou, ressaltando que isso encerrou o estágio em que a economia brasileira vivia num mundo em que todos os bancos ofereciam juros altos.
Por outro lado, o especialista avalia que os bancos privados são mais lentos para reagir à queda da taxa de inflação porque avaliam com mais cuidado o risco de emprestar, enquanto o banco público tem de obedecer políticas governamentais de aumento de crédito. “Isso não quer dizer que não estejam emprestando com qualidade duvidosa. Ao contrário, tem havido uma boa resposta de taxas de inadimplência bem reduzidas por parte dos bancos públicos, porque eles estão mostrando uma gestão mais profissional e bem rápida para enfrentar a crise financeira, da qual o país já está saindo, desde julho”, garantiu.

Câmbio flutuante

Ao avaliar a atual taxa de câmbio com o dólar flutuando entre R$ 1,83 e R$ 1,87, José Laredo não vê muita saída para conter a valorização da moeda brasileira frente a americana. Ele explicou que, dentro de uma economia com o câmbio flutuante e com o Banco Central seguindo uma política de metas de inflação, a única saída é o governo tentar minimizar essa relação negativa do real com o dólar por intermédio de medidas que viessem acelerar a redução do Custo Brasil.
Entre as medidas apontadas pelo economista está a redução da burocracia pública, dos custos da previdência e dos gastos correntes do governo, que têm consideravelmente. “Tendo arrecadação ou não esses gastos vão existir, o que aumenta o déficit de conta-corrente. Com isso, sobra menos dinheiro para investimentos”, lamentou, ressaltando que as medidas fazem parte do dever de casa e que, se o governo quiser, é possível que a relação cambial melhore para as empresas que exportam. O mesmo não valeria para as companhias que importam, que tiram vantagem do real valorizado.
Segundo Laredo, seria difícil vencer a tendência de valorização frente ao dólar das moedas locais na Europa e na Ásia, uma vez que esse é um movimento global e o real é uma das moedas admitidas no seio internacional. “A moeda brasileira está dentro do jogo de variação em relação ao dólar como estão hoje o iene japonês, o euro, a libra esterlina, o yuan chinês, o uon coreano, o dólar australiano, o dólar neozelandês, o dólar canadense e por aí vai”, citou, assegurando que hoje muita gente quer aplicar no real e comprar títulos públicos brasileiros na moeda nacional porque está havendo uma confiança generalizada na gestão econômica brasileira.

Câmbio infla poder de compra

José Laredo avaliou que a valorização do real tem seus efeitos positivos porque aumenta o poder de compra, ajuda a reduzir a inflação e insere o consumidor em faixas de compra não alcançadas anteriormente, inclusive produtos importados. Por outro lado, se o câmbio permanecer na atual paridade por muito tempo, pode haver comprometimento do crescimento e do equilíbrio externo da economia. “Com o tempo, a produção nacional perde mercado de exportação e os consumidores continuam achando mais barato gastar em turismo, importar bens de consumo duráveis porque passam a aproveitar de forma incontrolada o crescente aumento de poder de renda da moeda. Isso tem efeito negativo a longo prazo na gestão econômica”, assinalou.

Taxa selic

Ao avaliar a Selic a R$ 8,75% ao ano -uma espécie de balizador das taxas de juros interbancárias-, Laredo disse que mesmo com essa redução, há ainda uma percepção geral da economia de que o câmbio tende a se valorizar. “E isso forma um quadro cada vez mais favorável para a atração de investimentos estrangeiros no país, o que resulta em maior valorização do real. Ou seja, é um círculo vicioso positivo, mas que contribui fortemente para manter essa valorização do real constante”, ressaltou.
Quanto à tendência da taxa de juros continuar encolhendo, o especialista respondeu que uma corrente de economistas, da qual ele faz parte, defende uma continuidade da queda pelo menos em 0,25% ponto percentual. Outros defendem a estabilização em R$ 8,75%, porém não há ainda nenhuma corrente que opte por aumento. “Se houver um repique da inflação. o remédio é aumentar a taxa de juros para reduzir o consumo, o que se espera que não aconteça”, salientou.
Laredo explicou que a taxa de juros é a forma que o banco tem de remunerar os seus custos para poder lucrar com a venda do crédito. Para isso, leva em conta fatores como área ocupada sobre o faturamento, número de empregados sobre o faturamento, lucro bruto total sobre o faturamento, lucro sobre o número de empregados, custo de markenting sobre o lucro total, taxa de endividamento a curto e longo prazo sobre os custos totais, custo de administração sobre faturamento, taxa de depósitos sobre os financiamentos concedidos, qualidade da análise de crédito e a taxa de inadimplência.
A taxa de inadimplência é um dos inúmeros fatores a serem levado em conta na definição da taxa ideal que o banco estabelece para atender os desejos de lucros dos acionistas. “Cada banco tem uma análise diferente desses fatores citados. Para alguns bancos uma relação de custo é maior que outros, para outro banco a taxa de inadimplência é maior, portanto eles somam essas despesas de administração para estabelecer quanto colocam nas taxas de juros”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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