Os juros cobrados pelos bancos subiram nas principais modalidades de crédito para pessoa física no mês de julho. No mês passado, a taxa média, que engloba, por exemplo, cheque especial, empréstimo pessoal e aquisições de veículos, foi de 49,1% para 51,4%, ficando no maior patamar desde o mês de janeiro de 2007.
Segundo a pesquisa mensal de juros do Banco Central divulgada ontem, no cheque especial a taxa foi de 159,1% para 162,7% entre junho e julho. Assim como no mês passado, trata-se da maior taxa desde agosto de 2003, quando era de 163,9% ao ano. O recorde é de 294% ao ano, registrado em julho de 1994.
Aquisição de veículos
No empréstimo pessoal, a taxa subiu de 51,4% para 53,6% ao ano. Na aquisição de veículos, passou de 31,1% para 33,5% ao ano.
Parte desse movimento se deve ao aumento da taxa básica de juros, que começou o ano em 11,25% e chegou a 13% ao ano na semana passada. Outra parte se deve ao spread bancário (a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes).
No geral o spread para pessoa física foi de 34,7 pp para 36,6 pp. Do aumento de 2,3 ponto percentual nos juros para pessoa física no mês, 1,9 ponto percentual se refere ao spread e 0,4 ponto ao aumento da taxa dos juros.
Em relação à inadimplência (superior a 90 dias) para pessoa física, a taxa subiu 0,3 ponto percentual, de 7% para 7,3% ponto percentual.
Spread bancário
Os juros das empresas apresentaram alta no mês de julho, de 26,6% ao ano para 27,5%. A taxa geral (pessoa física + jurídica) passou de 38% para 39,4% ao ano.
Houve leve alta do spread bancário para pessoa jurídica, de 0,6 ponto percentual, de 13,9 pontos para 14,5 pontos. O spread geral (considerando também o crédito pessoa física) passou de 24,5 pontos percentuais para 25,6 pp.
A inadimplência da pessoa jurídica ficou estável em 1,7% ponto percentual.
Volume de crédito
Apesar da taxa de juros para pessoa física chegar a nível mais alto desde janeiro de 2007, o volume de crédito na economia brasileira alcançou o patamar recorde no mês passado ao atingir 37% do PIB (Produto Interno Bruto), com R$ 1,086 trilhão.
O volume de financiamentos cresceu 1,7% no mês e acumula alta de 32,7% em 12 meses, de acordo com o Banco Central. No mês anterior, o crescimento em 12 meses estava em 33,4%, o que significa que houve uma leve desaceleração na alta entre os meses de junho e julho.
Em termos percentuais, o recorde do volume de crédito era de janeiro de 1995, quando estava em 36,8% do Produto Interno Bruto.
A expectativa do Banco Central é que o percentual de crédito termine o ano em 40% em relação ao PIB.
O governo já manifestou o desejo de que o crédito desacelerasse e crescesse a taxas abaixo de 30%, para ajudar no controle da inflação. Várias medidas já foram tomadas para que isso ocorra, como aumento de impostos e juros.
O aumento do crédito foi puxado pelo crescimento de 2,3% nos empréstimos para pessoas físicas, e alta de 1,5% para financiamento das indústrias e empresas. O crédito para pessoa jurídica subiu 1,3% no mês de julho e 40,9% nos últimos 12 meses.






