Quem nunca provou tacacá, que atire a primeira cuia. Iguaria típica dos indígenas da Amazônia, o tacacá é secular, quiçá, milenar. Há uma ‘guerra silenciosa’ entre amazonenses e paraenses na disputa sobre em qual dos territórios, Amazonas ou Pará, moravam os indígenas criadores do tacacá.
O certo é que a sopa, ou mingau, de goma de tapioca temperada com tucupi, cebola, alho, cheiro-verde, jambu e, depois, camarão adicionado pelos nordestinos, há muito faz sucesso em toda a Amazônia e agora pode ganhar o mundo através do Kit Tacacá lançado semana passada no Empório Sebrae, pelo chef paraense Paulo Fortunato.
Paulo é nome conhecido em Manaus pelas famosas casas que já teve: Açaí e Cia., onde foi o primeiro a vender açaí na tigela; Turiyá, onde foi o primeiro a vender carne de tartaruga legalizada; Tacacaria, onde revitalizou o consumo do tacacá; e agora, à frente do Fish Maria, em março lançou o tucupi em garrafa, com o diferencial de já ir temperado, e neste mês trouxe a público, o Kit Tacacá.
“O tucupi vendido em garrafa, nos mercados e feiras da cidade, todo mundo conhece. É tão somente o tucupi. O que eu lancei vem temperado com diversas ervas amazônicas, preparado para ser adicionado à comida que se achar melhor. Posso garantir, pela minha experiência, que poucas pessoas sabem temperar corretamente o tucupi”, garantiu.
O produto vem em garrafas pet de um litro e é mantido congelado para reter seu sabor por mais tempo. E mais, é comprado de produtores familiares do Rio Preto da Eva.
“Há algum tempo penso em lançar um produto com a marca Fish Maria, para ser vendido nas prateleiras dos supermercados e empórios. Nem foi preciso muita imaginação para chegar ao tucupi, que conheço desde sempre, em Belém, onde nasci, e depois Manaus. Após lançar o tucupi que, lógico, fez sucesso, chegar ao tacacá, amado por paraenses e amazonenses, foi de imediato”, contou.
Fácil de preparar
“Às vezes eu estou em casa, com vontade de tomar um tacacá, mas aí lembro do trânsito que vou ter de enfrentar nas ruas de Manaus, dá preguiça. Então pensei, porque não fazer o próprio tacacá em casa? E têm clientes de outros estados, que vêm ao Fish Maria, provam o tacacá, e dizem querer tomá-lo novamente em suas casas”, falou.
“Nos meus restaurantes sempre trabalhei com os produtos em porções e congelados. Uma luz se acendeu sobre minha cabeça. Por que não fazer um kit tacacá?”, lembrou.
Da idéia à sua execução foram apenas alguns dias.
“Queria lançar o kit durante o Festival de Parintins, em junho, mas fui ao Sebrae pedir apoio para esse lançamento e eles quiseram que eu lançasse logo, no Empório Sebrae, que ocorreu entre os dias 16 e 18 de abril, e assim aconteceu”, lembrou.
Em duas semanas Paulo aprovou o design da caixa/embalagem e preparou os kits: um litro de tucupi, quatro porções de jambu, quatro porções de camarão, uma porção de goma e ainda acompanham duas cuias. Esse total de ingredientes serve até quatro pessoas.
E para quem já se preocupou com a dificuldade em preparar tacacá, numa das laterais da caixa/embalagem seguem as instruções passo a passo ensinando a como descongelar o tucupi, como descongelar o camarão e o jambu, como preparar a goma, e até a maneira correta de servir a sopa. Em cerca de meia hora os amantes dessa iguaria indígena a terão na mesa de casa sem precisar ir até a alguma das tacacazeiras existentes em Manaus.
Em breve, no Brasil
“Já me acostumei ao pioneirismo no lançamento de produtos nos meus restaurantes. O Kit Tacacá é mais um pra lista. Ele não existe nem no Pará”, comemorou.
“O que a maioria dos amazonenses não sabe é que a gastronomia amazônica é a mais forte do Brasil, forte no sentido de ter sofrido pouca, ou nenhuma, influência alheia. Comecei com o tacacá, mas outros pratos, com certeza, virão. Na minha opinião, o tacacá é o que melhor representa a gastronomia amazônica, presente e admirado em toda essa imensa região”, adiantou.
“O único ingrediente acrescido ao tacacá original foi o camarão, trazido pelos nordestinos, possivelmente em fins do século 19. Até hoje o camarão que enriquece tanto o tacacá paraense quanto o nosso, vem de estados nordestinos”, revelou.
“Precisamos valorizar e perpetuar nossos alimentos amazônicos, que são só nossos”, conclamou.
Resfriado, o Kit Tacacá pode durar até 30 dias. Congelado, 180 dias, sem perder suas características originais. Hoje ele pode ser comprado diretamente no Fish Maria (Aeroclube de Manaus, av. Professor Nilton Lins, 300, fone: 9 8171-1882), diariamente, das 11h às 21h.
“A próxima meta é colocá-lo nas prateleiras dos supermercados e empórios, aqui e no resto do Brasil. Também estamos aceitando interessados em revender o kit. Desde que o divulguei nas minhas redes sociais, começaram a chegar pedidos de outros estados e até de um paraense que mora no Canadá”, riu.







