“Lava Jato não acaba no Cunha”

Em: 13 de setembro de 2016

Dando sequência à série de entrevistas com os prefeituráveis de Manaus, o Jornal do Commercio conversou com José Ricardo, candidato a prefeito pela coligação “COMPROMISSO COM O POVO”. O deputado estadual entra na disputa com o apoio do PCdoB, partido do vice Yann Evanovick, que compõe a chapa de esquerda. José Ricardo Wendling começou sua carreira política militando no PT (Partido dos Trabalhadores) sem mudar de opinião há 21 anos, mesmo com os recentes acontecimentos na política nacional, entre os envolvidos na Operação Lava Jato, culminando no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Com um patrimônio declarado em R$ 692.281,10 o candidato levanta a bandeira da transparência nas contas públicas da PMM (Prefeitura Municipal de Manaus). Ele relaciona os políticos envolvidos na Operação Lava Jato anticorrupção e espera que a Justiça alcance todos os envolvidos.

Jornal do Commercio: No momento em que as propagandas estão sendo intensificadas, existe uma ausência da Estrela do PT, que era considerada sua marca registrada. O que aconteceu?
José Ricardo: No caso o PT tem três símbolos: a Estrela, a abreviatura do nome do partido PT e o número 13. Como no caso da eleição, os eleitores vão votar num número, nós demos ênfase ao número. Então, em nosso material colocamos bem evidente, para associar o candidato que sou eu (a pessoa conhecida: o José Ricardo), a mensagem principal, o compromisso com o povo e o número. Esses são os símbolos da campanha no sentido da divulgação e poder dialogar com a sociedade. Isso não tira o partido porque eu sou filiado há 21 anos, todo mundo sabe que eu sou do PT. Nunca mudei de partido ou fiquei pulando de partido em partido como nós podemos ver vários candidatos que mudaram várias vezes de partido. Não tem uma identidade, não fica em nenhum lugar e no meu caso não. As pessoas confiam também no nosso trabalho como parlamentar e agora candidato a prefeito, por causa dessa coerência, de permanecer firme com ideias, com propostas, com condutas e é isso que a população precisa para o gestor, para uma cidade como a nossa.

JC: Qual o perfil desse gestor para trazer melhorias efetivas para a cidade de Manaus?
JR: Tem que ter firmeza, alguém que não fica mudando de uma hora para outra. Manaus precisa de muito planejamento, de muita tranquilidade para ser tocada. Muita agilidade, mas tranquilidade para se organizar o que não foi feito até hoje.

JC: E como o senhor vê esse momento político no Brasil, com cassações de mandatos e a proximidade das eleições municipais?
JR: As pessoas estão vendo todo o dia esses acontecimentos a nível nacional, em relação a Lava Jato com o combate à corrupção, etc. e na verdade acabou se ampliando muito, mostrando o funcionamento do sistema político brasileiro financiado pelas empresas, com as empresas com seus interesses, com seus financiamentos formais e informais. E, com isso se demonstrou que nenhum partido político ficou fora desse sistema de financiamento empresarial. Estão querendo tratar mais do PT porque com a presidência da República é o partido mais visado, mas todos os partidos têm políticos que receberam recursos de empresas da Lava-Jato. Hoje se fala do Eduardo Cunha que vai ser julgado, mas ele é um entre centenas de deputados federais que também tem envolvimento com irregularidades com corrupção, que são réus e que estão respondendo processos. Aqui do Amazonas mesmo, os políticos que são citados na Lava Jato temos do PMDB, Eduardo Braga; do DEM, Pauderney Avelino; PSD, Omar Aziz; PR que é o Alfredo Nascimento; PSDB o próprio Arthur e o Bisneto; quase a metade dos recursos formais da campanha do Bisneto, foram com recursos de empresas citadas na Lava Jato, de bancos, de empreiteiras todas envolvidas nesta operação. E aqui do PT do Amazonas não tem ninguém envolvido na LavaJato, dos outros partidos temos essa ampla gama de políticos e que nós esperamos que a Justiça alcance todos eles, alias não importa de qual o partido. Eu espero que a Lava Jato não se encerre agora com o Eduardo Cunha, porque nós temos centenas de políticos e aqui do Amazonas, boa parte de políticos envolvidos no esquema de corrupção citados na Lava Jato.

JC: O PT corre o risco de ser extinto pelos atos de corrupção praticados pela alta cúpula do partido?
JR: Não. O PT é um partido que já tem 36 anos, com um milhão e meio de filiados. É um dos maiores partidos do Brasil e vai continuar sendo um grande partido, pela sua história, pelos seus militantes, seus fundadores, seus novos filiados. Nós tivemos muitas filiações novas, jovens. Acredito que depois das eleições, eu mesmo estou sendo abordado por muitas pessoas querendo se filiar ao PT, desde professores a nível médio e fundamental, professores universitários, muitos jovens que querem entrar na política, participar de um partido político. Então eu sou muito procurado e o PT tem uma história, apesar de alguns erros, ninguém é perfeito. É uma instituição que tem os seus erros das suas alianças políticas equivocadas em alguns casos, mas aquilo que o PT já trouxe de avanços, de benefícios para a população ao longo de sua história, com certeza, é muito maior do que alguns eventuais erros ou de alguns dirigentes que tenham conduzido equivocadamente alguma decisão.

JC: Sobre essas alianças, o PT firmou coligação com PCdoB que traz o seu vice, um jovem militante universitário. Essa também foi uma estratégia do partido para concorrer nessa eleição?
JR: É uma aliança política com dois partidos que, historicamente, sempre estiveram juntos. Juntos nas campanhas a nível nacional com a eleição do Lula, juntos na gestão a nível nacional com Lula e Dilma e estão juntos agora em muitas cidades e capitais brasileiras nas eleições. Juntos contra o golpe, contra o afastamento da presidente Dilma e juntos contra o retrocesso, que no Congresso Nacional o atual governo está propondo. Juntos contra a redução de direito dos trabalhadores, como estão propondo aí com jornada maior de trabalho, mudar as regras do aumento do salário mínimo. Até o 13º está ameaçado com as propostas e, essa aliança foi constituída para fortalecer esse campo de esquerda. Para ficar bem claro que o PT e PCdoB, como campo de esquerda, com uma proposta concreta, clara, objetiva, transparente para administrar Manaus. E, eu fui indicado internamente num processo de diálogo e votação interno e o PCdoB também, que tinha candidato que era o Eron Bezerra foi quando decidiram apoiar a minha candidatura e indicar o vice.

JC: O senhor com toda a sua experiência na Assembleia Legislativa do Amazonas, como pretende resolver os problemas recorrentes de Manaus, caso seja eleito? Quais são as prioridades no seu plano de governo?
JR: O primeiro aspecto na gestão que nós vamos estar defendendo, implementando é a questão da transparência em relação aos gastos públicos. Eu tenho essa prática de semanalmente estar em cima de uma Kombi, para prestar contas do trabalho parlamentar. É uma marca nossa que eu aprendi com o deputado Praciano, que fazia isso e que orientou e nós seguimos fazendo isso. O povo inclusive me reconhece como o parlamentar que está constantemente presente nos terminais, nos bairros conversando, prestando contas em cima da Kombi, etc. E, essa prática de prestar contas é algo que nós vamos implantar também na prefeitura, porque com a transparência e a participação da sociedade, por isso defendemos o orçamento participativo; nós temos melhores condições de envolver os vários segmentos empresariais, trabalhadores, categorias profissionais para contribuírem com a gestão pública. Manaus está em 19º lugar no ranking de transparência nacional do MPF (Ministério Público Federal) com 3,90 pontos na primeira avaliação e 7,70 na segunda avaliação. Na questão da eficiência do uso da Saúde e educação Básica que a Folha de São Paulo publicou um ranking, dias atrás, Manaus está entre as cidades com o uso ineficiente dos recursos públicos destinados à Saúde e Educação. Então, é por isso que na nossa gestão, uma das marcas vai ser essa da transparência quanto ao uso de recursos, ter o processo participativo para decidir prioridades com a população e envolver as pessoas para poder acompanhar e fiscalizar as obras, etc.

JC: E sobre os apoios à sua campanha, a senadora Vanessa Grazziotin esteve em Manaus, pela primeira vez após a votação do impeachment da ex-presidente Dilma. De que forma o senhor poderá contar com esse apoio?
JR: É importante o apoio da senadora Vanessa. Ela é uma pessoa que tem um envolvimento na luta pela Educação e Saúde, desde a época de vereadora, então essa experiência dela nos ajuda também. E, porque sempre apoiou mudanças aqui na cidade de Manaus. Temos o apoio do deputado Praciano, que fez questão de gravar uma mensagem de apoio à nossa candidatura. O apoio principal é do povo e o nosso compromisso é com a população, com aquelas pessoas que estão sem água, que sofrem todo o dia nesse sistema de transporte caótico. Temos compromisso com a nossa juventude. São vários projetos voltados para a juventude, na segurança cidadã com foco muito grande na prevenção, na parte que envolve a cultura, o esporte e principalmente que envolve trabalho. Queremos ser um prefeito que valorize a vida, a juventude, as crianças, os idosos e as mulheres e seus direitos.

JC: O senhor aposta no segundo turno, da eleição em Manaus?
JR: Vai ter segundo turno, eu sou o candidato que mais está crescendo nas pesquisas e a população está reconhecendo nosso trabalho. Esse gesto de prestar contas em cima da Kombi, as pessoas veem muito positivamente, porque querem isso também na gestão municipal: a transparência, a prestação de contas. É por isso que sou o homem da Kombi, isso contribui para a campanha. Esse corpo a corpo com a população é muito bom, não temos muitos recursos, mas na televisão, no rádio, nos meios de comunicação de massa e em entrevistas como essa é o espaço que nós temos para poder expor as nossas ideias, os projetos viáveis e possíveis. Nada de promessas mirabolantes, nada de colocar pontos que não são possíveis de serem realizados.

JC: O senhor pretende mudar as cores da cidade caso seja eleito, já que essa vem sendo uma prática dos últimos gestores?
JR: Acho que a questão da cor não é foco, mas eu gosto do branco. Entre as cores eu acho bonito vermelho, azul dependendo do tom, também acho bonito o verde. O branco está muito relacionado à paz, mas uso vermelho. No domingo, passei o dia inteiro fazendo campanha com uma camisa vermelha. Eu estava no sábado à tarde com uma camisa verde, então, a cor não é o problema não tem nada a ver, é até uma estratégia. O PT sempre predominou o vermelho, mas nós vemos candidatos andando até de azul, que está muito ligada (a cor) a outro partido. Ninguém é dono de cor nenhuma, né? Desde que a pessoa se sinta bem, é bem democrático e não tem problema. O nosso compromisso é com o povo, temos que valorizar a vida e por isso nossa frase é “Compromisso com o Povo”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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