Lazer e prazer em atividades pós-aposentadoria estão na moda

Em: 20 de janeiro de 2017
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Antigamente, e não faz muito tempo, o sonho da maioria dos homens (as mulheres no mercado formal de trabalho eram pouquíssimas) era se aposentar. O trabalho era considerado um fardo do qual queriam se livrar depois de décadas, em muitos casos, na mesmice diária. Ainda hoje a aposentadoria é um sonho (cada vez mais distante) para homens e agora para as mulheres também, porém, não mais para se verem livres do trabalho, mas por causa do dinheiro que irão receber “sem trabalhar”.

Ficar em casa lendo jornal ou vendo televisão, ou ir para a praça jogar damas, também é coisa do passado. Os aposentados de hoje querem mais é continuar, ou começar a fazer algo que lhes dê prazer e se esse algo lhe render algum dinheiro, melhor ainda. Um exemplo é o do português Carlos Guilherme. Nascido em Lisboa há 71 anos, serviu ao exército em Angola, entre 1965 e 1970, durante a guerra civil daquele país africano.

Em 1975 veio para o Brasil. Nessa época, o aposentado já cultivava um hobby herdado do avô português, Rosindo Estevão: a filatelia (estudo e o colecionismo de selos postais e materiais relacionados). “Todas as cartas que chegavam para meu avô, tinham os selos retirados e dados a mim. Assim comecei minha coleção”, contou Carlos, que nem imaginava que aquele passatempo o acompanharia pelo resto da vida e o faria ganhar dinheiro no futuro.

No Brasil, Carlos trabalhou em diversas atividades: foi proprietário de hotel, sócio de empresa de estivas, controlador de voo, dono de uma empresa de prospecção sísmica e de outra de navegação até que montou uma loja de filatelia, em Manaus, entre 1989 e 1997 numa época em que o colecionismo de selos e acessórios estavam em alta. “Ganhei muito dinheiro nesse tempo, mas parei com o negócio quando vi que ele não era mais interessante”, disse. Mas oportunidades vem e vão.

Lazer que rende dinheiro
Naturalizado brasileiro, o português se aposentou em 2010, segundo ele ‘por idade’, já que só havia contribuído para o INSS por 15 anos, como autônomo. Então, o aposentado descobriu que o colecionismo, não só de selos, mas de cédulas e moedas, não estava em baixa. “Em 2011 vendi todo o meu acervo filatélico e, desde então, venho assessorando comerciantes do Rio de Janeiro, tendo negociado ao menos três grandes coleções, de colecionadores de Manaus, com esses comerciantes e ganhando comissão nas vendas. A mais recente foi comprada por R$ 600 mil”, disse.

Com a numismática (antes ciência, o termo hoje é usado mais para o colecionismo de moedas) Carlos descobriu uma mina. “A numismática nunca esteve em baixa, como a filatelia, e é lucrativa. Só agora nas Olimpíadas e Paralimpíadas vendi moedas alusivas a esses eventos em um volume que nunca havia vendido antes. Comprei até um carro novo. Passo o tempo na internet comprando e vendendo moedas. Não é um trabalho. É um lazer”, definiu.

Arrumar selos e escrever cartas
Jorge Bargas, 70, é amazonense, de Nova Olinda do Norte e, como Carlos, enveredou pelo colecionismo de selos ainda jovem, por volta dos 20 anos. “Quando cheguei a Manaus, em 1970, conheci o pessoal do Clube Filatélico do Amazonas e passei a frequentar as reuniões e a aprender sobre filatelia. Naquele mesmo ano, consegui meu primeiro e único emprego em Manaus, na prefeitura, no qual me aposentei em 2015”, lembrou.

Bargas começou como serviços gerais, mas como entendia de contabilidade, logo passou a atuar nessa função no Departamento Rodoviário Municipal. “Depois fui para outra secretaria municipal, dessa vez no setor administrativo, e lá, galguei vários postos, de agente a assistente administrativo, função na qual me aposentei”, contou. Nesse tempo todo Bargas continuou sua coleção de selos que, agora, aposentado, toma grande parte de seu tempo. “Hoje é difícil um garoto querer colecionar selos, diferente de antigamente, com tanta coisa para se fazer, principalmente no celular, a filatelia está acabando. Mas quem, como eu, coleciona selos desde novo, vai continuar colecionando até morrer”, disse.

Desde 2014 Bargas se tornou o presidente do Clube Filatélico do Amazonas, que se reúne todos os sábados no centro da cidade, mas reconhece o encolhimento do Clube, que já reuniu dezenas de colecionadores. “Dei a sugestão de reunir outros colecionadores, não só de selos, mas os associados não quiseram, então a tendência do Clube é acabar. Mas eu continuarei filatelista”, assegurou.

Agora Bargas tem mais tempo para se dedicar ao seu hobby. “Antes eu ia comprando, trocando e ganhando os selos e ia amontoando tudo. Agora estou me dedicando a arrumar todos nas temáticas Esporte, Música e Natal. Só quem coleciona, sabe como isso é gratificante”, ensinou.

E o colecionador tem outro passatempo, agora com tempo de sobra para fazer: escrever textos sobre assuntos espirituais. “Tenho uns 30 correspondentes para os quais mando meus textos e eles escrevem de volta, dando suas opiniões, ou também textos. É um prazer fazer isso, ainda mais quando sei que meus escritos podem, de algum modo, ser importantes para outras pessoas”, finalizou.

Dicas de entretenimento

Cinemas, teatros e concertos
Independente do gênero do filme ou da peça teatral, ambos são opções para quebrar a rotina e, obviamente, se distrair. Por meio dos filmes, por exemplo, é possível compreender problemas que se passam na vida real, assim aumenta a capacidade de refletir e encontrar soluções. Já para quem adora música clássica, os concertos são boas indicações e ajudam a relaxar o corpo e a mente. Em qualquer uma dessas atividades culturais, pessoas acima de 60 anos têm direito a desconto de 50% conforme assegura o Estatuto do Idoso. Para pagar meia-entrada, basta apresentar o documento de identidade no ato da compra.

Viagens
Para quem pensa que viajar é apenas uma forma para descansar, está enganado. Além de ser uma oportunidade para conhecer novos lugares, culturas e pessoas diferentes, estudos apontam que as viagens são muito benéficas para a saúde do corpo e da mente, pois proporcionam sensações de prazer e relaxamento. Aliás, no sistema de transporte coletivo interestadual, as empresas oferecem duas vagas gratuitas para quem é maior de 60 anos e que recebe até dois salários mínimos.

Dança
Sabemos que dançar é um modo divertido e prazeroso de evitar o sedentarismo em qualquer idade. Para idosos, a prática pode trazer ainda mais benefícios à saúde. Isto porque, ela melhora o condicionamento aeróbico, proporciona maior flexibilidade do corpo e aumenta a resistência física. Aliás, assim como em outras atividades físicas, o cérebro libera uma substância denominada serotonina que traz sensação de alívio e melhora o humor.

Leitura
Uma das melhores maneiras de obter o relaxamento é por meio da leitura. O hábito ajuda na atividade cerebral melhorando a capacidade da memória e contribuindo para um aumento da atenção. Além de estimular o lado lúdico, quem lê aprende a compreender melhor as doenças crônicas e o que acontece ao seu redor e, por consequência, adquire a minimização de distúrbios da memória. Especialistas em sono indicam que essa prática deve ser adquirida também por pessoas que sofrem de insônia. Isto porque a leitura no período da noite ajuda a reduzir a atividade cerebral, melhorando o sono.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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