Lei acaba com mão-de-obra disfarçada, diz consultor

Em: 10 de dezembro de 2008
Para o superintendente geral do Instituto Via de Acesso, Ruy Leal, um programa de estágio só dá certo com um objetivo consistente, um plano de desenvolvimento do estagiário, um gestor bem treinado e uma área de recursos humanos participante
Para o superintendente geral do Instituto Via de Acesso, Ruy Leal, um programa de estágio só dá certo com um objetivo consistente, um plano de desenvolvimento do estagiário, um gestor bem treinado e uma área de recursos humanos participante

Para o superintendente geral do Instituto Via de Acesso, Ruy Leal, um programa de estágio só dá certo com um objetivo consistente, um plano de desenvolvimento do estagiário, um gestor bem treinado e uma área de recursos humanos participante. Esses requisitos passam a ser priorizados pela nova Lei de Estágio 11.788/08 e já vêm sendo trabalhados há cinco anos através do Modelo de Programa de Estágio Completo desenvolvido pelo instituto.
De acordo com a nova Lei de Estágio, as empresas devem se adaptar às novas regras que alteram a carga horária do estagiário e estabelecem novas obrigações e responsabilidades.
Segundo Ruy Leal, que tem mais de 30 anos de experiência no mercado, as novas regras mudam o relacionamento entre as empresas e o estagiário. “Serão privilegiadas aquelas empresas que querem desenvolver os estagiários com o intuito de formar seu futuro quadro de funcionários”, comentou o consultor.
Ruy afirmou que as empresas que tinham os estagiários como mão-de-obra disfarçada passam a não ver mais vantagem na contratação desses estudantes. O custo do estagiário irá aumentar com os benefícios, a fiscalização ficará mais rigorosa, será necessário um conteúdo pedagógico e as escolas também estarão mais participantes. Só estágios consistentes serão aprovados. “A queda do número de estagiários pode diminuir. As empresas terão que se adaptar, mas depois desse período de transição, elas oferecerão uma formação ­adequada aos estudantes”, ressaltou o consultor.

Aposta no futuro

O lado bom das mudanças é que os estudantes, ao conquistarem seus estágios, terão a certeza de estarem atuando em empresas sérias que investirão em seu futuro profissional. Esse é o verdadeiro objetivo do estágio. E acrescentou que as empresas que já trabalhavam com essa visão de futuro não terão problemas em se adequar à nova lei.
Na opinião do consultor, será mais prudente as empresas manterem o mesmo valor das bolsas relativas às oito horas para os estudantes que passarão a atuar seis horas diárias. “Por recomendação do Via de Acesso, as empresas estão entendendo que não vale a pena considerar estágiários na mesma organização, que muitas vezes desen­volvem atividades lado a lado, em ­condições diferentes. Administrativamente é complicado conduzir essa situação. Estagiário é gente”.
Muitas pessoas ainda estão somente focadas nos aspectos operacionais que as mudanças exigem, mas as organizações estão começando a enxergar o aspecto social que envolve todo programa de estágio. “Ao fim das minhas palestras vejo empresas afirmando que mudaram a maneira de ver o estágio e que se adequarão às novas normas, com as novas formas de contratação e mudanças nas atividades cotidianas dos estudantes”.
Ruy também comentou que a lei ressalta a participação dos gestores como co-responsáveis pelo estágio.

Escola ausente

O superintendente expõe que as escolas não estão formando os jovens para o mercado e que um bom programa de estágio é a melhor opção para estes jovens conquistarem um espaço no mercado de trabalho.
O estágio propicia ao jovem conhecer o meio empresarial, sem ter ainda que ser tratado como um profissional. “A nova lei trouxe um novo conceito de estágio e levantou a bandeira da formação dos jovens”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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